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Sábado 11 de Julho de 2020  
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ZELEMOS PELA VIDA

28-02-2020 - Rabim Saize Chiria

É muito comum no quotidiano das pessoas que elas assumam sem nenhum pudor estarem esperando que aquele momento passe logo. Desta feita, é comum que esperemos que o dia, a semana, o mês e o ano acabem logo, como a vida estava na semana, portanto a hora feliz é hora em que a semana acaba, assim você passa anos esperando folgas, ferias, reformas, ou seja, aposentadoria sem perceber que cada segundo que você torce para passar logo você está torcendo para a vida porque ela estava nesse segundo que você está torcendo para que acabe logo.

Portanto, eu não vejo nenhuma diferença do suicida se não pela covardia, o suicida não suporta e acaba logo, ao passo que você é covarde torce para acabar logo, suicida em conta gotas, homem-triste. Porque entregar a vida de bandeja? Zelemos pela vida, zelemos pela felicidade, pois a felicidade não está no passado em que nós lembramos em forma de memorias, e nem no futuro em que nós projectamos em forma de vã esperanças que nos aliena , pois, ela está em cada instante de vida que nós vivemos.

Num belo dia um pastor fez a seguinte questão: para um jovem que tem uma doença crónica é possível um dia vir a casar, ter filhos e ser feliz, tendo em consideração o seu estado de saúde? Eu não respondi a questão porque não queria levantar polémica, porque eu sabia que toda e qualquer minha resposta seria filosófica, aberta e longe de ser dogmática. E não só, eu acabei constatando um atropelo material na formulação da pergunta, sobretudo, “o ser feliz”.

Alguns irmãos na Inocência responderam sim é possível, basta cumprir com o tratamento, e outros responderam não, não é possível porque toda pessoa que vive com uma doença crónica, como o HIV por exemplo, ele vive quase sempre abalado pela situação da sua saúde. Responderam assim como se tivessem alguma experiência duma vida seropositiva. Mas o problema aqui não é de ter ou não ter experiência da vida seropositiva, mas sim, o problema reside no facto de terem respondido uma pergunta vaga e instrumental. Uma pergunta que não necessitava duma resposta, porém, de uma reconstrução, visto que ela mesma carece de espiritualidade e raciocínio lógico.

No entanto, constato um problema na pergunta você é feliz? A verdade é que o ser e a felicidade não combinam muito, a felicidade não é coisa de ser, pois é coisa de viver, existir e estar no mundo. Portanto, não fui feliz, não sou feliz e não serei feliz, eu vivi feliz, vivo feliz e viverei feliz pelo menos buscando isso, buscando encontros alegradores, buscando o pleno desabrochar da minha potência nas actividades que escolhi para isso, buscando a maior entrega possível nos ofícios que deliberei ser os meus, ai vejo mais oportunidade de não torcer para a vida acabar.

Rabim Saize Chiria

Licenciado em Filosofia Pela Universidade Eduardo Mondlane

 

 

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