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Terça-feira 29 de Setembro de 2020  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

A ISABEL QUE ERA PRINCESA!

24-01-2020 - Francisco Pereira

Isabel era a filha favorita do Rei, era a princesa mais brilhante do reino escuro, o dinheiro que o Rei sonegava ao erário real produto essencialmente da venda do famoso óleo para fritar batatas mais dos botões de madrepérola cujas minas eram dominadas pelo Rei, senhor todo poderoso que enviava os seus esbirros a punir todo e qualquer um que ousasse perturbar os seus intentos cleptocratas.

O reino escuro era uma cleptocracia, onde o Rei, fazia as vezes do conhecido Ali Babá, rodeando-se de muitos outros ladrões, fazendo dele o grande Rei dos ladrões, quem tivesse a lata de lhe apontar o dedo era certo e sabido que teria os ossos reduzidos a migalhas isto se conseguisse escapar com vida, porque se havia coisa em que o Rei não acreditava, era no perdão.

A leda Isabel cresceu assim, com milhões para gastar, todos lhe lambiam o traseiro, figurativamente claro está que às princesas ninguém lambe o traseiro, actores famosos, políticos com a mania que são gente, governantes, governos inteiros, países houve que lhe abriram as portas de par em par, o dinheiro sujo, roubado pelo Rei seu pai, servia bem, afinal dinheiro é dinheiro, não cheira a miséria nem a desgraça, não carrega opróbrio nem miséria, através dele não se sente nem a fome nem as carências, por isso as catadupas de dinheiro que a princesa Isabel, empresária de sucesso movimentava eram bem vindas.

A princesa revelou ser uma mulher terrivelmente inteligente, foi criando empresas, participações em empresas, foi alargando o leque de interesses, criando uma teia tentacular espalhada pelo Mundo, muitas dessas empresas serviam apenas para lavar o dinheiro sujo que o Rei lhe fornecia, que uma vez injectado nos negócios legítimos passava a ser limpo, isto apesar de todos saberem que era dinheiro roubado ao pobre reino escuro, mas disso ninguém queria saber.

O tempo, ancião que nos ajuda a melhor perceber a vida, foi passando, um dia o Rei, já velho, cansado e doente, não conseguiu mais sustentar a coroa, foi deposto, um outro Rei subiu ao trono, a bela princesa viu subitamente cortada a sua cascata de dinheiro sujo, pior, o novo Rei, que ao início se mostrara cordato e disposto a manter o estatuto da princesa, revelou passado algum tempo ser precisamente o oposto, encostou o antigo Rei a um canto, expulsou a princesa do palácio retirando-lhe os privilégios de princesa, foi apenas o começo das suas agruras.

A pobre da princesa abandonara o palácio, abandonara o próprio reino escuro, para se refugiar noutros reinos, por temer os esbirros do novo Rei, por temer que a Justiça do reino, agora instruída pelo novo Rei, lhe começasse a devassar os negócios, onde facilmente se perceberia os anos e anos de trafulhices, falcatruas e roubalheira que toda aquela frenética actividade empresarial escondiam.

O céu escuro que nem breu anunciava ainda mais tempestades, parece que existiam documentos a provar a sua participação deliberada e com pleno conhecimento nas falcatruas que o Rei seu pai promovera, que ela tão bem aproveitara, desdobrasse em entrevistas, justifica o injustificável, o seu estatuto começa a ruir, a Conferência dos Bandalhos, uma reunião de bandidos que se realiza numa residencial de luxo junto à neve das montanhas perdidas, viram-lhe as costas, os ingratos.

Esses que tantas vezes patrocinara, que tanto tinham lucrado com as suas empresas traíam-na, no reino de Tudoigual, onde estava sedeado muito do seu poder, por onde durante anos passara o grosso do dinheiro sujo que obtinha do seu pai o Rei, também lhe virava as costas, os seus advogados, ilustres biltres, construtores legais das soluções para promover as falcatruas renegavam até conhece-la, num repente todos os que lhe haviam durante tanto tempo lambiam o traseiro, figurativamente claro está, aproveitando o seu dinheiro sujo para as suas sórdidas negociatas, fingiam agora nem sequer conhece-la, dos advogados aos deputados, dos bancos aos banqueiros passando pelos ministros e demais governantes, num repente todos assobiavam para o ar, os Tudoigualeses eram uns pulhas!

Instada por um jornalista, sobre o que escondia no avental em seu regaço, Isabel a princesa que fora do reino escuro responde de forma singela.

- São mentiras senhor, mentiras e calúnias de gente racista!

P.S. – Este pequeno conto é pura ficção. Nunca seria possível tal coisa passar-se em Portugal, país implacável no combate à corrupção, que abre as portas ao capital estrangeiro desde que respeite a Lei, país onde quase não existe gentalha hipócrita, nem lambe-cus, muito menos pulhas, biltres e ladrões, no entanto se virmos bem, dois terços dos tipos que ouvi ontem falar sobre uma questão ocorrida com uma empresária angolana deviam se enforcados numa árvore por serem ladrões e aldrabões.

Francisco Pereira

 

 

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