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MEMÓRIA HISTÓRICA - MORTE DE JOSÉ ANTÓNIO E DE FRANCISCO FRANCO

29-11-2019 - Manelinho de Portugal

Como há tempos informei no meu artigo de 23/08/2019 sob o título de “ATÉ AMANHÃ (AMIGOS E) CAMARADAS”,uns pseudo amigos pessoais e ditos correligionários políticos, por mesquinhez de despeito e inveja pessoal, denunciaram à administração do Facebook o meu perfil como sendo falso, o que me valeu a inutilização do mesmo por não ceder às exigências da mesma relativas à minha exaustiva identificação pessoal. Assim, deixei de ter perfil naquela rede social, porquanto não pactuo nem me submeto a procedimentos orwellianos e “pidescos”.

Contudo, tal como escrevi na altura em que deixei o Facebook, informando de que “continuaria a andar por aqui”, estou de volta!

José António Primo de Rivera y Sáenz de Heredia, politicamente mais conhecido apenas por José António, nasceu em Madrid a 24-04-1903, filho do General Miguel Primo de Rivera,Presidente do Governo ditatorial de 1923 a 1930 no reinado de El Rei Don Alfonso XIII (bisavô do atual Rei de Espanha Don Felipe VI), o qual,após eleições autárquicas que deram uma grande vitória aos republicanos abdicou da “Coroa” em 14-04-1031, seguindo-se a II República espanhola.

Advogado de profissão, José António foi um político de direita católico, tradicionalista e de carácter fascizante, sendo que, não obstante pertencer a uma família da nobreza espanhola, e tendo herdado de seu pai o título de Marquês de Estella, não é “líquido” que no seu íntimo fosse monárquico;antes pelo contrário-o que não espanta-, muitos dos seus coevos e biógrafos/historiadores afirmam que, sem o dizer, era republicanos. E percebe-se por quê! Sendo tendencialmente fascista, esta ideologia, na sua “pureza”, pressupõe um único chefe na cúpula do Estado, detentor absoluto do poder legislativo e executivo, e não, alguém que formal e/ou materialmente, esteja submetido a outrem, ouexercendo uma chefia bicéfala; ou seja, um chefe de Estado, rei ou presidente dum reino ou república e um chefe de governo ditatorial “todo poderoso” mas “submetido” aos primeiros.

Mais, salvo raríssimas excepções, como durante séculos sucedeu no Império Germânico, em que o o Imperador era eleito por um conjunto de Príncipes Eleitores de cada um dos Estados (Landers), a monarquia implica a sucessão familiar e hereditária, o que não garante que um monarca seja fascista ou outra “coisa” qualquer”, e o seu sucessordemocrata ou vice versa. Tal sucedeu com o Duce Benito Mussolini, que após a “Marcha sobre Roma” em 1922 foi nomeado chefe do governo pelo Rei Vítor Emanuel III, tendo instituído o “regime” ou Estado Fascista italiano sob a “tutela formal” do monarca. Porém, Vítor Emanuel, Rei e Chefe de Estado, demitiu Mussolini em 1943. Portanto, poder-se-á dizer a título de exemplos que Adolf Hitler e Francisco Franco, ainda que fascistas mas muitíssimo diferentes na ideologia e na prática, encarnaram o verdadeiro “espírito da Ideia”, ou seja, reunindo nas suas próprias pessoas o “podertotal” sem ninguém acima de si.

Voltando a José António,o mesmo chegou a ser deputado nacional durante a II República eleito por Cádiz. Fundou em 29-10-1933 a Falange Española Tradicionalista (FET, ou simplesmente Falange), a qual se fundiu em 15-02-1934 com as Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista (JONS) de Ramiro Ledesma, dando origem à Falange y de las JONS, de carácter nacional-revolucionária e fascizante.

Com a vitória de Francisco Franco na Guerra Civil de 1936-1939, após assumir o poder como Chefe de Estado, Caudillo de España por la Gracia de Dios y Generalíssimo de las Fuerzas Armadas, este “recuperou” e integrou a Falange y JONS na estrutura político-administrativa do Estado Espanhol, cuja denominação era “Movimiento Nacional”, que agregava aquela como partido único e outras organizações corporativas patronais, sindicalistas, etc..

Na vigência do governo da Frente Popular, composta pelo PSOE, do hoje Pedro Sánchez, pelos comunistas do quase “desaparecido”PCE (Partido Comunista de Espanha), actualmente liderado por José LuisCentella, integrado na I. U. - Isquierda Unida e aliado ao Unidos Podemos de Pablo Iglésias (do qual fizeram parte o famoso Santiago Carrilloea mítica Dolores Ibárruri “La Pasionária”), e anarquistas, dos quais atualmente é herdeiro o Podemos, José António foi preso em Março de 1936 por alegada participação numa conjura contra o governo. Portanto, a sua prisão por motivos políticos ocorreu cerca de quatro meses antes do “Alzamiento” (rebelião militar e tentativa de golpe de estado) ocorrido a 07-07-1936 liderado pelos Tenente General José Sanjurjo, General de Brigada Emílio Mola e Capitão General Francisco Franco Chefe de Estado-Maior Central (os primeiros dois faleceram respectivamente em acidente de aviação em 20-07-1936 -queda de avioneta em Carcavelos quando seguia de Cascais para Espanha- e de viação em solo espanhol em 03-06-1937). Tal tentativa de golpe falhou, mas devido a várias partes de Espanha terem militar e civilmente aderido ao mesmo, e ficado sob o poder dos golpistas, deu origem à Guerra Civil de 1936-1939 entre os partidários da Frente Popular republicana, no governo em Madrid, e os rebeldes nacionalistas comandados por Francisco Franco, que estabeleceu a sua “capital” em Burgos (País Basco).

Na sequência de julgamento sumário e condenação à pena capital, José António foi fuzilado na madrugada de 20-11-1936no pátio da Prisão de Alicante.

Durante a Guerra José António foi considerado “desaparecido”, pelo que ficou conhecido como “o Ausente”. Após a vitória dos nacionalistas comandadospelo Generalíssimo Francisco Franco, e assumindo este o “poder”, ordenou a exumação dos seus restos mortais, fez-lhe um impressionante e grandioso funeral de Estado e sepultou os mesmos junto ao altar-mor (na parte anterior do mesmo) da Basílica de Santa Cruz de Valle de los Caídos.

Curiosa e coincidentemente, o Caudillo Francisco Franco viria a falecer de morte natural 39 anos após o fuzilamento de José António, ou seja,a 20-11-1975 em Madrid. Entãoo hoje El-Rei Emérito Don Juan Carlos I,que lhe sucedeu, prudente e sabiamente ordenou a respectiva inumação junto a José António (na parte posterior do altar-mor da mesma Basílica).

De forma sectária, Sánchez e seus apaniguados de esquerda vencidos na Guerra Civil,mas hoje no “poder”, exumaram à “força” os restos mortais de Franco da Basílica de Santa Cruz, como se quisessem “matar um morto” -ironicamente quiçá gostassem de colocar a urna com as ossadas do Caudillo junto a um paredón e fuzilá-las-“mandando” as mesmas para o Mausuléo da respectiva Família no Cemitério de Mingorrubio de El Pardo, perto de Madrid e do Palácio Real de La Zarzuela.

Contudo, na história de Espanha e na memória de muitos Espanhóis, José António e Francisco Franco continuam e continuarão presentes!

Manelinho de Portugal

 

 

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