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RESCALDO ELEITORAL
(abstenção, a grande vencedora)

11-10-2019 - Francisco Garcia dos Santos

Desde as primeiras eleições parlamentares desta III República, iniciadas em 1975 para a Assembleia Constituinte que aprovou a atual Constituição da República de 1976, a percentagem de abstencionistas nestas “legislativas” de 2019 bateu o record de 45,50%. Tal significa que o somatório da abstenção com votos em branco e nulos representa cerca de 50% dos eleitores. Portanto, não se escamoteará a realidade e a verdade se se disser que o grande vencedor destas eleições foi aquele conjunto de portugueses “não-eleitores”, que por desilusão com este “sistema partidocrático” e/ou com o método eleitoral de Hond, em que se vota em partidos e não em pessoas, desconhecem qual o deputado que o representa e a quem se podem dirigir para expor os seus problemas e “pedir contas”no final do exercício do mandato (a maior parte dos candidatos são absolutamente desconhecidos dos eleitores, sobretudo nos grandes centros urbanos do litoral do País).

Indubitavelmente a esquerda venceu de forma clara e inequívoca estas eleições ao somar no seu conjunto, e apenas cingindo-nos a percentagens e números de deputadosjá eleitos-ainda falta apurar quais os partidos que elegerão os 4 deputados pelo círculo da Europa (2) e pelo círculo de fora da Europa (2).Efectivamente a esquerda (PS, BE, CDU/PCP, PAN e Livre atingiram por ora 57,17% dos votos expressos e válidos, elegendo 142 deputados. Já o centro-direita e centro-esquerda (CDS, “Chega”,“Iniciativa Liberal” e PSD) apenas logrou 34,74% do sufrágio e 84 deputados.

Quer à direita como à esquerda existem pequenos partidos vencedores: no 1º caso o “Chega” e o “Iniciativa Liberal”, com 1 deputado cada, enquanto no 2º o PAN e o “Livre” com 4 e 1 deputados respectivamente.

Já em relação a derrotas, no centro-direita o “Aliança” de Santana Lopes foi um flop, obtendo apenas 0,77% e 39.318 votos, sendo o 10º no ranking dos partidos concorrentes.Já o CDS sofreu uma hecatombe, regredindo ao “partido do táxi” com 5 deputados, quando antes tinha 18, e à esquerda a CDU/PCP passou a 4ª força política com 12 deputados, tendo sido amplamente ultrapassado pelo BE com 19 eleitos.

No que concerne aos pequenos partidos que não elegeram parlamentares, há a assinalar o PNR, único partido assumidamente de direita, quefoi o4º, e em termos gerais o 13º em 21 partidos concorrentes, tendo tido 0,30% e 15.270 votos, quando em 2015 ultrapassou os 27.000-e isto por efeito da abstenção, a qual é significativamente de direita, e da “concorrência do “Chega”, que ainda não se percebeu o que é em termos ideológicos.

Por fimo PDR de Marinho e Pinto, cuja “morte” estava há muito anunciada, conheceu o seu óbito ao obter apenas 0,18% e 9.220 votos, contra mais de 60.000 em 2015.

Posto isto, afigura-se dever retirar-se destas eleições o seguinte: face à brutal abstenção, parece que os portugueses deram mostras de estarem cansados e descrentes neste “sistema” e no respectivo método eleitoral; a representação político-parlamentar ficou absolutamente desequilibrada à esquerda, o que não é saudável em democracia pluralista e representativa.

Portanto, se a direita, bem como o centro-direita e centro-esquerda pretenderem reequilibrar a representatividade parlamentar, têm de imediatamente dar início a uma renovação de dirigentes e propostas políticas que sejam apelativas para os eleitores, sobretudo os abstencionistas, sendo que não podem esperar pelo fim da nova legislatura de 4 anos, pois nada garante que por motivos internos ou de conjuntura internacional a mesma tenha tal duração.

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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