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O RETRATO DE UM TRAIDOR

06-09-2019 - Pedro Pereira

Ao longo da sua vida o leitor já se enfrentou com/ou foi alvo de patifaria de um traidor? Se tão infausto ocorrido ainda não lhe sucedeu, considere-se uma pessoa feliz, porque a TRAIÇÃO é um ato associado à falta de ÉTICA, de LEALDADE e de SOLIDARIEDADE, entre outros atributos que devem ser intrínsecos a todos os Homens e Mulheres.

Acautele-se, porém, porque nos dias que correm o traidor(a) espreita em cada esquina da sua (nossa) vida, é esta sinistra figura que de modo camuflado gere o pequenino mundo e o grande mundo que nos rodeia.

O traidor geralmente está ao serviço de sinistras criaturas, de partidos políticos (dirigentes até), organismos do Estado (ministérios, autarquias), empresas e/ou corporações várias e ainda no sector empresarial público ou privado, onde desempenha tarefas rotineiras, cumprindo horários regulares ou escapando deles através de estratagemas, sem que os superiores hierárquicos do local onde exerce a sua actividade se apercebam. No entanto, aparentemente obedece a regras e demonstra possuir um certo nível de propósito e ambição no trabalho.

Uma das mais sinistras ironias do traidor é que o seu excelente desempenho no trabalho, invariavelmente, tem por objectivo disfarçar o conturbado lado da sua vida pessoal, além de o ajudar a conseguir promoções que o podem levar a patamares onde tenha acesso a informações altamente confidenciais, sendo que, o dinheiro e o ego são outros factores a ter em conta na natureza deste género de criaturas.

Aparenta e proclama ser possuidor de apurado senso de honra e integridade pessoais, aliados a um relativo senso de humor. É medianamente inteligente e possui a capacidade de trabalhar em harmonia com outras pessoas.

Para os seus superiores hierárquicos é um óptimo funcionário. Faz fotocópias de todos os documentos que «agarra» e é exímio em todo o trabalho burocrático.

O lamentável é que o mundo sempre foi visto pela maior parte das pessoas, de acordo com as aparências dos outros indivíduos…

Para conseguir algumas vantagens, o traidor apresenta às pessoas uma versão bem editada de si mesmo.

Existem quatro tipos de traidores:

- O tipo um, é o espião que é escolhido por um esperto recrutador e cujo potencial é testado (têm acesso a informações confidenciais ou outras informações valiosas);

- O tipo dois é o voluntário. Esta é uma pessoa que tem acesso a informações confidenciais e que, normalmente, já possui alguma experiência em espionagem, o que permite oferecer os seus serviços a quem lhe pagar mais ou oferecer benesses materiais e sociais;

- O terceiro tipo de espião é o agente de longa data ou dissidente da estrutura, normalmente recrutado na sua juventude e que, na época de seu recrutamento foi afastado das informações sensíveis que os seus contactos desejavam, tendo decorrido vários anos até atingir uma posição vantajosa;

- O quarto tipo é alguém que espiona para um serviço secreto, partido político, serviço do Estado, empresa pública ou privada, mas acaba sendo convencido pelo seu contacto que está a trabalhar para um outro poder. A isto comummente é chamado de recrutamento de identidade falsa.

Como é que um espião-mestre atrai um colaborador e futuro espião?

- Por meio de recrutamento.

Recrutamento é a jóia da coroa de qualquer serviço secreto, partido político, e/ou serviço de espionagem dentro do sector empresarial público ou privado.

O cuidado envolvido no recrutamento depende, em larga medida, do tipo de informação secreta à qual o traidor em potência tem acesso. O recrutamento consiste em vários patamares:

- Identificar o tipo de informação que deve de ser obtida; o tipo de pessoas que tem acesso à informação; quem, entre estas pessoas pode ser abordado com segurança e, por último, definição de um alvo. Assim, o encarregado de caso verifica a informação operacional que acumulou sobre o seu alvo, incluindo extensão de contratos sociais e familiares, clubes e associações, hobbies - especialmente os que incluam actividades em grupo - e os vários serviços pessoais utilizados por ele, desde funcionários diversos a médicos, dentistas e outros. O foco deve estar nas fraquezas do alvo que é escrutinado.

De todos estes aspectos, a ideologia é, actualmente, descartada, exceptuando nos casos em que o alvo é afecto a partidos da extrema-esquerda ou da extrema-direita.

A coerção acaba sendo um factor de importância quando o traidor entrega os seus primeiros documentos roubados, ou colecta informação sensível que entrega ao seu superior.

O que pode levar um homem a baixar o pano sobre as suas experiências escolares passadas, as suas actividades associativas, religiosas, ideológicas e outras, os seus amigos íntimos, as suas velhas lealdades e vínculos de um passado longínquo e/ou recente?

- Um dos mitos mais comuns sobre criminosos é que são pessoas como nós, que tiveram o azar de cair uma vez na vida, que se seguiram outra e outra queda, até que foi tarde demais para voltar atrás e viver como um ser humano que respeita a lei, as regras e os princípios éticos e morais que vigoram nas sociedades.

Ora isto é absolutamente incorrecto, pelo menos de acordo com proeminentes e respeitados psicólogos, psicanalistas e psiquiatras especializados em personalidades criminosas.

Assim, de acordo com estes especialistas, os criminosos são pessoas que, de maneira nenhuma, pensam como o resto de nós. Para eles ser um criminoso não implica em que grau o é, mas em que tipo de comportamento ou pensamento se encontra.

Se olharmos para a vida de um traidor, logo concluímos que, muito antes do final, ocorre a dissidência fatal. O traidor tem atrás de si uma vida inteira de pequenas dissidências e desonestidades, de um sentimento geral de superioridade em relação às regras, de desprezo pela decência comum e pelo que é bom e digno no ser humano, numa exaltação de si mesmo em detrimento das outras pessoas.

Muita gente fracassa na escola, provêm de lares infelizes, ou são possuidores de complicados problemas psicológicos. Não obstante, não chegam a trair os seus semelhantes. Assim, que elementos são adicionados ao carácter dos traidores que os distinguem dos outros seres humanos?

- Para além de tudo o mais, um traidor é uma pessoa que está convicta de poder satisfazer os seus caprichos, impulsos e apetites, independente de consequências.

O traidor não se preocupa em ponderar da natureza do seu carácter e, tal como outros criminosos, apresenta a tendência para se ver a si mesmo como o centro de todas as situações, nunca apenas como «mais uma roda na engrenagem de uma “máquina”».

Ao entrar numa sala cheia de gente, o traidor olha para os comuns mortais com condescendência e altaneiro: - «Eis aqui os patetas comuns, que não têm a mínima ideia de como se tornar alguém na vida como eu» - pensa.

Por causa da exagerada noção de suas capacidades, o traidor vê-se a si mesmo como o mestre de um grupo invisível. Ele nunca se vê como uma pessoa que deve obrigações, ou que tenha que reportar os seus actos a alguém.

Devido à sua fraqueza interior, à sua falha de carácter, o traidor tem necessidade de sentir-se no quotidiano no controle das situações, o que não obtém por meio de competição justa, mas por meio de acções furtivas e desonestas.

O traidor acumula coisas a seu favor sem que os outros saibam, pois o seu sigilo confere-lhe uma sensação de superioridade e de mestria.

O traidor gosta de enganar pessoas e aprecia o facto de que os outros não estejam conscientes das sinistras intenções por detrás da fachada benigna que ostenta.

O traidor, como muitos criminosos, é um dissimulador tão magnífico que seria capaz de ensinar a mudança de cores a um camaleão.

Todo o traidor aparenta ter uma ambição a ser alcançada e destaca-se por defender a auto imagem exaltada. No traidor, a necessidade de obter distinção é distorcida e inescrupulosa. Existe desespero envolvido, como se tivesse que ser tudo, para não ter que acabar em nada.

O objectivo final de conquista, para dar significado à vida, acaba assim por se perder.

Enquanto o caminho para a realização de uma pessoa comum é bastante simples: - Aplicar esforços e recursos disponíveis para resolver problemas, o traidor, como todo o criminoso, não possui a firmeza de carácter necessária ao crescimento gradual e, por isso, almeja começar do topo. Quando descobre que isso lhe é negado, cai em fantasias de grandiosidade.

Não importa o crime cometido pelo traidor, ele pode até reconhecer que a sua acção tenha sido criminosa, mas jamais se verá a si mesmo como um criminoso.

Um traidor jamais sente remorsos. É sua convicção de que não necessita de defender o seu comportamento perante a sociedade ou o seu círculo familiar.

Conclui-se assim que: - Todo o acto de traição é uma opção individual.

Pedro Pereira

 

 

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