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Quinta-feira 7 de Dezembro de 2023  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

AOS PROFESSORES

14-06-2019 - Maria do Carmo Vieira

Nenhum professor aceitaria seguramente ser cúmplice de Bolsonaro, partidário da tortura e da violência,  apoiando-o no cumprimento de  desígnios intoleráveis como o de transformar a História à luz da ideologia populista que o move ou  o de impor na Escola o regresso da teoria geocêntrica, pondo de lado séculos de estudo, bem como a perseguição e até a morte dos que se opuseram à escuridão da ignorância.  Impossível será também a um professor suportar o desprezo e a indiferença dos Trumps deste mundo, igualmente partidários da t ortura e da violência, no que diz respeito às alterações climáticas que nos ameaçam e daí a espontânea adesão ao gesto inesperado e convictamente revoltado da jovem Greta Thunberg que, contagiando colegas e professores de todo o mundo, ousou desafiar os poderes políticos europeus, forçando-os a ouvir a narrativa da tragédia que se aproxima, se se continuar com falsas promessas a descurar o que tem de ser imediatamente feito. Situações extremadas, em diferentes geografias, e que recebemos incrédulos, revelando ambas, de forma ostensiva, a prepotência e o desprezo pelo Saber e pelo Conhecimento e que qualquer professor repudia porquanto contrárias à sua missão e à autoridade que lhe está subjacente e que encontra o seu significado na competência e no estudo contínuo.  

Um professor também não pactua com ciladas que aprofundam a ignorância e anestesiam o acto de pensar. A facilidade que alimenta a infantilização e ignora as capacidades de crianças e jovens,  a apologia do funcional em detrimento do belo, não propiciando a educação da sensibilidade e o desenvolvimento sério do espírito crítico,  são exemplos de ciladas que se têm armado aos alunos sob a capa de um discurso falsamente bondoso que põe em risco o seu futuro pois não os prepara para a Vida. A facilidade foi o argumento usado, por exemplo, pelos criadores do Acordo Ortográfico de 1990, que a ela se referiram focando bizarramente o facto de os alunos não gostarem de acentuar as palavras ou de terem de se esforçar demasiado para decorar as que na sua escrita continham consoantes mudas. Servindo-se dos alunos, subvalorizaram a etimologia, fomentaram o equívoco e invocaram o critério da pronúncia para simplificar a ortografia, numa atitude de ignorância lamentável pormenorizadamente expressa na Nota Explicativa do Acordo Ortográfico, decretado contra a vontade dos portugueses e das comunidades culturais consultadas. O resultado está à vista na escrita atabalhoada e caótica da Língua Portuguesa, na dificuldade em ensiná-la, tais são as contradições e os erros que a todo o momento surgem e sobre os quais os próprios alunos se questionam, bem como na violência que representa para um professor ser forçado a «ensinar» o que considera ser um erro. Um Acordo cuja Nota Explicativa põe, na verdade, em causa o Saber e o Conhecimento e determina a perda da função normativa da ortografia.

Comungando todo o professor, independentemente da sua área de ensino, da ideia de que só o domínio da língua portuguesa permitirá aos alunos bem pensar, e que esse domínio exige que a compreendam, que a escrevam correctamente e sobre ela reflictam, o que a imposição do AO 90 tem impedido, torna-se imperioso voltar a ensinar a escrever correctamente o português, não perpetuando incongruências e erros, e demonstrando igualmente aos alunos que fazê-lo constitui da  parte do professor um profundo acto de amizade e de fidelidade ao Saber. Seguramente que nos agradecerão um dia, conscientes de que não os traímos na confiança que em nós, desde o primeiro momento, depositaram.

Os professores não estão sós nesta causa e  as 20.000 assinaturas da Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico (ILCAO), com força de Projecto-Lei, demonstraram-no. Entregues na Assembleia da República a 10 de Abril p.p., recebemos entretanto a habitual e já esperada nota de invalidação de algumas assinaturas — cerca de 1000. Assim sendo, apelamos a todos quantos se revêem nesta causa para a recolha de mais assinaturas, de forma a, simultaneamente, repor as que foram consideradas não válidas e aumentar o número de subscritores. Poderá fazê-lo em https://ilcao.com/subscricoes/subscrever/ Na Feira do Livro de Lisboa, junto aos pavilhões da Gradiva, que apoia esta nossa iniciativa de recolha de assinaturas, poderá também subscrever a ILC.

Maria do Carmos Vieira

 

 

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