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O PS transformado em PF
05-04-2019 - Joaquim Jorge
O PS – Partido Socialista está transformado no PF – Partido da Família.
Em Portugal já existe leis suficientes e um código de conduta relacionado com titulares de cargos públicos. Não é preciso mais leis, o problema é a sua interpretação e o contornar essas leis com um desplante enorme.
No Código de Conduta está tipificado o conflito de interesses: considera‐se que existe conflito de interesses sempre que titulares de cargos públicos tenham um interesse pessoal ou privado, para os próprios, respectivo cônjuge, algum parente ou afim em linha recta ou até ao 2.º grau da linha colateral, bem como qualquer pessoa com quem vivam em economia comum, susceptível de colocar em causa a actuação imparcial e de prossecução do interesse público no desempenho das suas funções profissionais.
Nada impede o governo de nomear familiares, mas é eticamente reprovável e consubstancia falta de sentido de serviço público. Não está assegurada e fomentada uma imagem de responsabilidade, independência, integridade e valorizado o rigor e a credibilidade.
O PS ainda não percebeu que há coisas que se passam na vida pública que se podem fazer, mas não se devem fazer.
Actualmente há mais gente a pensar que Portugal vai em boa direcção, mas com este tipo de episódios começa a pensar duas vezes.
A política não pode ser “eles” (políticos) e “nós” (povo).
“Eles”: os privilegiados, os que têm acesso a toda a informação, os que têm os melhores lugares de poder. “Nós”: os que assistimos ao filme a comer pipocas e nada podemos fazer.
Esta enxurrada de nomeações de familiares é uma coisa ruim para a democracia.
Os portugueses aceitam tudo e mais alguma coisa com passividade e parcimónia. O fatalismo da política à portuguesa.
Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores
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