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01-02-2019 - Francisco Pereira

Portugal é um antro esquizofrénico cheio de instituições mais ou menos trapaceiras que dedicam mais tempo a engendrar métodos para “lixar o parceiro” do que efectivamente a fazer alguma coisa que valha a pena.

Uma dessas mui credíveis instituições são as famosas “Juntas médicas” essa figura de excepção, suprema expressão administrativa e burocrática deste pardieiro pateta. Estas juntas, constituídas por elementos dessa classe profissional de elite que são os médicos, diga-se num pequeno aparte que Portugal possuiu três classes profissionais, que estão equiparadas à figura divina, num panteão à portuguesa, uma espécie de Olimpo pobrezito, Juízes, Médicos e Advogados, ocupam o ligar da Santa Trindade cristã, como seres, omniscientes, omnipresentes, divinamente infalíveis, de inquestionáveis decisões, mesmo quando essas decisões lixam o “Zé Pagão” que é aquele pobretanas de calça esfarrapada e casaco remendado, que o leitor vê quando olha para um espelho, o tal que lá vai pagando os ordenados a esta tropa toda.

Como não tenho experiência sobre os vários tipos de juntas médicas, ainda que assim de forma empírica sem método apenas por ir lendo coisas nos jornais que narram os episódios rocambolescos que os pobres sofrem quando são indicados para serem presentes a este tipo de cabidos de sumidades da ciência médica, temo que as tais “juntas” sejam praticamente todas iguais, sendo o seu objectivo, um apenas, a saber, cercear os direitos das pessoas e poupar dinheiro, ainda que para poupar dinheiro se gaste tanto neste tipo de armadilhas burocráticas que mais valia dar meio milhão a cada pessoa que vai a uma junta poupava-se muito dinheiro.

As “juntas” sobre as quais, com alguma propriedade posso falar são aquelas a que os deficientes são forçosamente obrigados a submeter-se para que lhes possa ser fornecido um papelucho que diga que o portador daquele papel tem uma determinada percentagem de invalidez, que os senhores “doutores” em medicina avaliam de acordo com extensa legislação que determina as percentagens a atribuir às maleitas apresentadas pelo malsão que se lhes apresenta. Afirmo peremptoriamente que estas “juntas” são uma inqualificável palhaçada!

Esclareço o leitor de que sou amputado, do membro superior esquerdo desde 1991, altura em que me atribuíram 35% de incapacidade, hoje, depois de uma dezena de idas às tais “juntas” tenho um atestado multiusos elaborado de acordo com a legislação anterior aquela que está actualmente em vigor, que me atribuiu uma percentagem de 55%, bastavam apenas 5% para atingir os 60% e ter uma ajuda no IRS, mas nem isso.

Conheço porém casos em que furúnculos no cu deram para 65% de incapacidade, pois neste país basta conhecer as pessoas certas, ter uma boa conta bancária, ser pródigo na distribuição de envelopes e os milagres acontecem.

Estas “juntas” são como escrevi anteriormente uma palhaçada do país do faz de conta em que vivo, a atribuição do grau de deficiência por juntas médicas de faz de conta serve apenas para moderar os gastos com os deficientes ou com pessoas com doenças crónicas, impedindo o seu acesso à redução de IRS e cercear ainda mais os seus, já parcos direitos, o resto são fábulas.

E dou-vos um exemplo prático do que afirmo, fui a junta médica com a legislação nova, entre perguntas mais ou menos parvas a que fui respondendo, dois senhores doutores iam apalpando o coto do meu braço onde antes esteve a minha infeliz mão, procuravam um osso qualquer, porque fazia toda a diferença ter ou não esse osso, diziam eles, tive que me rir na cara dos senhores perguntei-lhes que diferença faria o tal osso porque sem mão até podiam esta lá dez ossos, que não fariam diferença nenhuma, ficaram irritados, porque os aos senhores doutores não se questiona, e mais ficaram porque enquanto discutiam entre eles, eu levantei-me e saí, um deles, ao que me pareceu o chefe da camarilha veio cá fora dizer "Ó homem onde é que vai? Ainda não acabou!", nem lhe respondi olhei para ele virei-lhe as costas e saí daquela enxovia nunca mais voltei a pedir essa porcaria de atestado multiusos e acho que nunca mais pedirei.

Francisco Pereira

 

 

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