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Ainda a Propósito dos Coletes Amarelos em Portugal

11-01-2019 - Pedro Pereira

Passadas que são quase três semanas da manifestação dos “coletes amarelos” realizadas em 21 cidades portuguesas, depois de convocadas nas redes sociais, cujos promotores se inspiraram nos movimentos dos “coletes amarelos” em França, Bélgica, Holanda… com destaque para o que vem ocorrendo no primeiro destes países, traçamos aqui umas breves linhas para avivar a memória dos nossos leitores para essa manifestação popular.

De acordo com os seus promotores, o mote para a manifestação foi a “redução das taxas e impostos, aumento do salário mínimo nacional e das aposentadorias e adopção imediata de medidas efectivas de combate à corrupção.”

Num dos documentos a circular na internet os seus promotores referiam que, “ Não nos cingimos a uma doutrina ou filosofia, mantemos e respeitamos a liberdade cívica".

A “frio” como é uso dizer-se nestes casos, gostaríamos de deixar aqui expressas algumas questões que à falta de melhor qualificação, classificamos de bizarras, anedóticas e fascizóides/corporativas.

Assim, a meio da manhã do dia da manifestação acedemos a um canal de notícias televisivas e deparamo-nos com um grupo de manifestantes de punho no ar a gritar a palavra de ordem: “O povo unido, jamais será vencido!”.

Pensámos: - Isto promete. Até parecem as manifestações contra o fascismo após o 25 de Abril de 1974. Será que o povo despertou?

Passamos de imediato para outro canal de notícias e ocupando o écran estava um dirigente de um partido de esquerda (pensava eu até então que era de esquerda…) a botar faladura limpando a saliva que lhe ia sobrando dos cantos da boca à medida que se expressava com ar furibundo, dizendo entre outros mimos, mais coisa menos coisa que, “O meu partido é contra este tipo de manifestações que raiam a insurreição. É uma manifestação inorgânica, desenquadrada (provavelmente quereria referir-se ao facto de não ter sido convocada pelo seu partido) e quem estiver descontente com esta governação, tem locais próprios onde reclamar”, acrescentando os habituais mimos com que ultimamente são brindados todos quantos se manifestam contra o governo, como “fascistas”, “é de extrema-direita”, e outras bacoradas que já vão sendo naturais, bolsadas pelos “sucialistas” e as suas muletas parlamentares/governativas.

Após ouvir esta luminária, esse grande democrata estalinista, ficámos a saber que proferir a palavra de ordem: “O povo unido, jamais será vencido!”, é coisa de “inorgânicos perigosos”, só faltou chamar-lhes fascistas. Ou seja, o povo só pode manifestar-se se for arrumadinho em manifestações programadas por partidos políticos ou sindicatos, devidamente autorizadas e… com muito juizinho.

Um protozoário laboral, que há várias décadas deixou de trabalhar para ser dirigente sindical, equiparou as manifestações do “coletes amarelos” a ambições de extrema-direita. Claro que não sabemos a que extrema, nem que direita se quis referir. Temos cá para nós que nesta altura da sua vidinha a criatura já não sabe sequer distinguir a sua mão direita da mão esquerda…

Para tomar conta dos manifestantes o governo mobilizou 21.000 polícias (fardados) fora os que estariam à civil e até, misturados com os “coletes amarelos”. Pôs-se assim em acção um filme perfeitamente ridículo, passado nas têvês em Portugal e por esse mundo fora em noticiários, ou seja, cercadas umas três dúzias de manifestantes no Marquês de Pombal, por centenas de polícias do corpo de intervenção, como se os cidadãos fossem um bando de ovelhas e os polícias os pastores a guardá-las. Perfeitamente anedótica, é a expressão mais simpática que nos ocorre…

O cagaço do governo face aos cidadãos manifestantes foi proporcional ao número de forças policiais mobilizadas para “tomar conta desses”.

Os agentes da ordem cumpriram ordens, o governo que lhas deu, tornou-se alvo de chacota em Portugal e por esse mundo fora.

Na verdade a manifestação saldou-se (aparentemente) por um fracasso. Foi convocada para Dezembro, um mês de grande azáfama e mobilidade dos cidadãos por via da quadra natalícia.

Tinha que dar no que deu, independentemente dos donos do poder (sindicatos e partidos da geringonça) se terem demarcado (e criticado) de tal evento.

Como seja, os sinais de descontentamento da maioria da população relativamente à bondade da governação é bem evidente na quantidade de greves sucessivas e prolongadas no tempo por banda dos trabalhadores das mais diversas actividades que desde há mais de um ano se vem sucedendo.

É bom que o governo não durma tranquilo, os “coletes amarelos” são a ponta do icebergue da revolta dos cidadãos e se não inflectir as suas políticas de lesa pátria, um destes dias (ou noites) pode ser engolido por um tsunami.

Pedro Pereira

 

 

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