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Segunda-feira 17 de Junho de 2019  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

“COLETES AMARELOS”
Comuna de Paris do Séc. XXI?
(e Revolta do Manelinho)

14-12-2018 - Manelinho de Portugal

A 3 de Abril de 1862 o grande romancista francês Victor Hugo “publicou” o seu mais famoso romance -aliás de cariz político- “Os Miseráveis”, cujo enredo foi “premonitório” da Comuna de Paris, rebelião popular e sequente “governo operário” entre 18/03 e 28/05 de 1871.

Entre outros aspectos, tal revolta foi motivada pelas grandes desigualdades sociais e miséria então vigentes (crise agrícola e industrial, desemprego, fome, perda da Guerra Franco-Prussiana) e governação “oligárquica” e “policial” do primeiro Presidente da II República Francesa Luís Napoleão Bonaparte, depois auto-proclamado Imperador Napoleão III, que exerceu o poder entre 20/12/1848 e 04/09/1870 (data em que foi deposto).

Comuna de Paris - Barricada Voltaire.

 

A 04/09/1870 foi proclamada a III República, seguida de um “curto” “governo de assembleia” chefiado por Louis Adolph Thiers, o qual, a partir de 31/08/1871 se tornou Presidente da República.

A Comuna foi esmagada pelas tropas republicanas de Thiers, mediante “metralha de canhão” e “ponta de baionetas” defensoras do então “stablishment”.

Ainda que boa parte das convulsões sociais e políticas conhecidas por França após a “queda” definitiva de Napoleão Bonaparte (Napoleão I) em 22/06/1815 tenham tido inspiração “socialista”, Victor Hugo, se bem que denunciante do “ultra-liberal capitalismo selvagem”, da exploração e miséria populares e defensor da “justiça social”, não pode ser considerado como um “homem de esquerda” -até era abastado-, mas antes um humanista liberal que valorava o empreendedorismo da iniciativa privada enquanto criador de postos de trabalho e de riqueza, mas com um sentido social de progressivo bem-estar comum (vide “Os Miseráveis”).

Curiosamente, cerca de 234 anos antes, mais precisamente a 21/08/1637, eclodiu em Évora a famosa “Revolta do Manelinho”, ou Altercações de Évora, ocorrida nesta cidade contra o brutal aumento de impostos decretado pelo governo de Lisboa de Felipe IV de Espanha e III de Portugal (sobretudo sobre a água!), a qual rapidamente alastrou a Portel, Sousel, Campo de Ourique, Vila Viçosa, Faro, Loulé, Tavira, Albufeira, Coruche, Montargil, Abrantes, Sardoal, Setúbal, Porto, Vila Real e Viana do Castelo.

Ainda que “esmagada” por tropas “nacionais” muito reforçadas por espanholas, essa grande revolta popular (leia-se: por boa parte da nobreza e do clero, mas maioritariamente do povo) preparou a Nação Portuguesa para o apoio incondicional e generalizado ao golpe de 1 de Dezembro de 1640, em cuja sequência Portugal restaurou a sua soberania, resgatando-a aos “Áustrias” que em 1580, com Felipe II, a haviam “sequestrado”.

Desde há cerca de um mês que temos vindo a assistir à «“revolta fiscal” dos “Coletes Amarelos”», não só em Paris mas também em diversas cidades francesas, a qual, aliás, já alastrou à Bélgica e à Holanda.

Esta revolta francesa, aliás espontânea e inorgânica (pelo menos a princípio), teve como “faísca” o aumento dos combustíveis, mas rapidamente deixou de ser apenas contra este para se tornar contestatária da grande carga fiscal e da redução real do poder de compra.

"Coletes Amarelos" nos Champs Elysees - Etoile.

Em termos de custo de vida em geral e de bens de primeira necessidade em particular, França e Portugal não diferem muito (sei do que falo), mas vale a pena comparar determinados valores:

França:

1 . Ordenado mínimo nacional: € 1.498,47

2 . Pensão mínima de sobrevivência: € 833,00

3 . Preço de combustíveis: gasolina € 1,424; gasóleo € 1,424

Portugal:

1 . Ordenado mínimo nacional: € 580,00

2 . Pensão mínima de sobrevivência: € 269,08

3 . Preço de combustíveis: gasolina € 1,424; gasóleo € 1,301

Macron já veio a público anunciar o “congelamento” do aumento dos combustíveis por, salvo erro, 6 meses, prometer um aumento de € 100,00 no salário mínimo nacional e outras “regalias”, instando até o patronato a ainda neste ano pagar aos trabalhadores bonus natalícios isentos de impostos e de outros encargos sociais. Mas, ao que parece, tudo isto não basta aos contestatários -e eles lá saberão por quê.

Ainda que a “rebelião gaulesa” seja incontestavelmente legítima, muito se deplora e lamenta a ocorrência de mortes, destruição e pilhagem de bens alheios a pretexto da mesma -porém, sem desculpar, estes são “preços” que se pagam por (des)organizações de movimentos inorgânicos, como é o caso.

Quanto a Portugal (atente-se nos números supra referidos), este amorfo e manso “povaréu” “bate palmas” a Centeno e Costa, aliás legitimados e sustentados pela “geringonça” com o Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português, que com as “mãos direitas” lhe dá uns cêntimos e com as “esquerdas” lhes “rouba fiscalmente” centenas ou milhares de Euros.

As rebeliões gaulesa, belga e holandesa, cujos “senhores” da Europa temem alastrem a outros países, devem-se à mais do que patente falência das políticas dos governos europeus do tradicional stablishment -“centrão” constituído pelas já hoje “clássicas” direita e esquerda, quase todas “enfeudadas”, ou “sequestradas”, à ou pela Sra. Merkel, “imperatriz do IV Reich” denominado União Europeia.

Seja-se de direita ou de esquerda (ou até de “coisa” nenhuma), a verdade é que estes levantamentos genuinamente populares e socialmente transversais que periodicamente ocorrem ao longo da História, traduzem de forma mais ou menos drástica desencanto e frustração face ao poder ou poderes vigentes.

Revolta do Manelinho – Évora

 

No caso em apreço, o que se afigura começar a ser posto em causa nas “ruas” é este modelo de Europa (leia-se UE), onde, a contrario do que foi abundantemente prometido aos respectivos Povos como sendo uma “bíblica” Terra Prometida “onde escorreria o leite e o mel”, tem sido uma “provação do deserto” de Moisés, mediante perda de rendimento disponível devido a não aumento real de rendimento e elevação contínua da carga fiscal, redução de direitos sociais, desemprego, e agora, imigração ilegal de asiáticos do Médio Oriente e da África sub-saariana a coberto do rótulo de “refugiados”. Alguns sê-lo-ão, mas outros, quiçá a sua maioria, não o são, constituindo apenas mão-de-obra indiferenciada a “preço de saldo”, o que é um excelente negócio para as ONGs “negreiras” do Séc. XXI e de patronato menos escrupuloso e ganancioso europeu.

Os Portugueses, talvez ainda no seu subconsciente comandados pelos chavões salazaristas de: “brandos costumes”, deverem ser “pobres e humildes como a terra que trabalham” e “viverem habitualmente”, continua amouxando apática e “cobardemente” face à brutalidade da carga fiscal e perda de direitos e serviços sociais por parte deste Estado “pessoa de mal”.

Não se pretende arruaças nem desordens públicas, mas sim manifestações cívicas, ordeiras e legais contra este estado de coisas.

É pois tempo de, àparte ideologias e facciosismos políticos, os Portugueses se desassossegarem e unirem à semelhança de Franceses, Belgas e Holandeses, bem como dos seus antepassados do Séc. XVII, saindo à “rua” em defesa das suas mais do que legítimas aspirações e direitos.

Manelinho de Portugal

 

 

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