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Terça-feira 23 de Outubro de 2018  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

Nós não estamos preparados para nada

10-08-2018 - Henrique Pratas

Quando se pensava que os trágicos acontecimentos de Pedrogão Grande que ocorreram no ano passado tinham servido para alguma coisa, rapidamente chegamos à conclusão que não estamos preparados para nada, independentemente de se ter adquirido material e dotado de pessoas habilitadas para o combate aos incêndios que lavram todos os anos neste País, nós nunca estamos preparados para nada. No caso de Monchique, zona que conheço bem, eu tinha muitas dúvidas que se tivesse realizado alguma limpeza desenfreada como foi a que foi imposta ao resto do País e isto porquê, porque aquele zona é uma zona extremamente densa em termos arvenses, situa-se numa zona montanhosa de difícil acesso, cavada por vales profundos e difícil acesso e limpeza. Existem muitos eucaliptos e medronheiros, árvore característica da região a par das alfarrobeiras, ora tudo isto junto só pode dar um “rastilho” de matéria combustível inexcedível, ainda não sei as razões pelas quais tais fogos deflagraram mas não é uma situação fácil de resolver.

A par disto convém notar ainda que o equipamento que foi comprado, nomeadamente os jipes de intervenção rápida não vinham dotados das bombas com a capacidade pretendida e aqui coloco logo uma questão, ninguém verifica o material quando é rececionado, para ver se coincide com as especificações que foram solicitadas, estranho não é, ou havia pressa, em termos políticos em demonstrar à populaça que estavam a fazer alguma coisa para que a situação de Pedrogão não se repetisse?

Por outro lado mais uma vez o SIRESP, que na minha opinião deveria ser propriedade do Estado mas não é, viemos a saber há poucos dias que o mesmo pertence maioritariamente à empresa ALTICE, não funcionou e nestas situações é fundamental senão essencial que o mesmo funcione para que numa frente com muitos Kms os diferentes combatentes do fogo estejam devidamente informados para que a estratégia delineada possa surtir efeito quanto ao fim desejado que neste caso é apagar os diferentes focos de fogos. Esta decisão estratégica para estar centralizada precisa de receber informações em tempo oportuno para que possa tomar decisões e posicionar os meios para poder por fim ao fogo, ora se isto não é feito, ou se utilizam meios de comunicação diferentes cada um dá a informação que quer, a quem quer e cada um toma a decisão que entende ser a mais correta que poderá não ser tendo em conta a situação real da calamidade.

Pelo que vim ontem, fiquei com a ideia que a formação que é dada aos operacionais não é a melhor a avaliar pelo comentário que foi feito por um dos cidadãos daqueles lugares e vilas. Muitos deles trataram esta situação num estado em que incutirão pânico às pessoas que estavam envoltas no meio das labaredas, a meu ver estas situações não devem ser tratadas desta forma eu sei que é difícil, mas nestas situações dever-se-á ter até uma situação limite a maior calma possível e transmitir às pessoas essa situação de “conforto” e de calma aparente, sem que estes se apercebam que a situação atingiu níveis de gravidade pouco desejáveis, foi notório na entrevista que a televisão passou em que uma das pessoas fazia menção à brutalidade com que foi tratada, mostrando mesmo a nódoa negra que tinha no braço, causada por um dos operacionais que retirava por questões de segurança as pessoas que poderiam vir a estar em risco. Não acuso ninguém, mas um dos princípios básicos nestas situações é não demonstrar que o perigo é eminente, porque supostamente quem está a combater esta situação sabe lidar com ele o comum dos cidadãos não recebeu formação especifica para lidar com estas situações, logo temos que transmitir confiança às pessoas que queremos evacuar de forma calma, assertiva, eficiente e eficaz. Eu sei que nestas situações não é fácil mas para isso é que o pessoal que opera nestes teatros de operações é treinado para isso, bem basta quando este principio teórico não pode ser aplicado e têm que ser tomadas outras medidas, provavelmente mais drásticas dos que a que enunciei tendo em consideração a relutância das populações.

A Mãe natureza cria-nos certas dificuldades e nós nunca vamos estar preparados para as enfrentar o que poderemos fazer é minimizar os estragos, mas quando os fenómenos naturais se desencadeiam em algumas situações o melhor que há a fazer para além do que está estabelecido e internacionalmente convencionado é esperar e tentar escapara a uma situação desagradável, porque o ser humano comparado com a Mãe natureza continua a ser muito pequeno, quando esta última manifesta o seu desagrado relativamente a determinadas obras realizadas pelo Homem e que se julgam indestrutíveis o melhor é esperar que passe, porque a nossa capacidade de intervenção é perfeitamente limitada e muitas das vezes ineficaz.

O Ser Humano é falível a Mãe natureza não o é, como se demonstra em vários casos.

Henrique Pratas

 

 

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