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ABRIL PASSOU A EFEMÉRIDE.

13-07-2018 - Henrique Pratas

Esta minha afirmação é a constatação de um facto que ando a analisar há algum tempo e não querendo ser redutor posso escrever com a maior das certezas que o 25 de abril não foi uma Revolução como alguns afirmam mas sim um golpe de Estado.

Estas minha afirmações são sustentadas em várias constatações que se consubstanciam em que temos um Serviço Nacional de Saúde a funcionar cada vez pior, os serviços da Administração Pública em geral que deveriam reger a coisa pública como se de um bem não alienável se tratasse e ao serviço dos cidadãos deste País é gerida como quintas ou coutadas dos “boys” oriundos dos partidos do arco da governação, CDS/PP, PSD/PPD e PS, são, salvo honrosas exceções um perfeita lástima, dos Bancos, CTT, EDP e empresas prestadoras de serviços de telecomunicações é melhor não escrever nada tal é a arrogância, a desfaçatez com que prestam os seus serviços. Ao nível do emprego assisto a um fenómeno estranho ou talvez não os filhos daqueles que estão próximo do poder ou que foram Presidentes da República, Primeiros-Ministros, Ministros ou Secretários de Estado estão empregados em lugares de destaque, os filhos dos comuns cidadãos portugueses estão na maior parte desempregados, será que é isto que o Estado chama igualdade de oportunidades ou serão estes últimos menos inteligentes que os primeiros.

A lufada de ar fresco que o 25 de abril de 1974, trouxe durou, na minha opinião muito pouco tempo, até ao dia 24 de novembro de 1975 mais precisamente. Durante esse período e vi as pessoas sonharem com um País diferente e a quererem ser atores na sua mudança, daí para cá as pessoas foram esmorecendo e perdendo capacidade de sonhar e acantonaram-se à vida ingrata, infame, precária e dependente que lhes impuseram e adaptaram-se aos “esquemas” de vida que lhe impuseram, não as critico por isso é normal, têm que sobreviver de qualquer das formas é o caminho mais fácil e muitos pensarão que nada já se consegue mudar e deixaram de pensar, de questionar, de colocar em o que que quer que fosse, pois a sua vida está acima de tudo, mas voltando à questão do emprego e sem citar nomes constatei que muitos filhos dos militares que estiveram do lado de quem esteve sob a alçada da instalação da suposta democracia em Portugal no 25 de novembro de 1975, estão muito bem na vida e os outros que queriam dar a voz ao povo e fazer deste País um País diferente, têm os filhos desempregados e a sofrer as agruras que uma situação desta provoca. Recordo-lhe que os “defensores” da democracia à portuguesa ao tempo até acenaram com o perigo que os caminhos que o País trilhava iria certamente cair na hedionda ideologia comunista e foi com este argumento que com a ajuda dos americanos restabeleceram a “democracia”.

Pois é chegados ao ano em curso assistimos à aplicação de muitas medidas dignas da era Marcelista, não temos Saúde, o Desemprego, é altíssimo, porque não considero apenas aqueles que estão inscritos nos Centros de Emprego, há que considerar os outros que já desistiram de procurar emprego ou que sobrevivem da caridade alheia, Habitação não há, porque não existe uma política de habitação, ou há para aqueles que têm altos rendimentos, por este andar a Educação será o privilégio apenas para alguns, o apoio social é escasso, normalmente não existe ou quando existe chega tarde e a más horas e do resto não existe nada de facto, atiram-se com umas atoardas para o ar e o povinho vai atrás ou a maior parte já nem ouve o que dizem e é assim que se vai sobrevivendo neste País. Com que acabei de escrever recordo-me do álbum do Sérgio Godinho, trabalho feito no tempo da outra senhora designado por “ Os Sobreviventes”, voltámos a essa fase.

Já nem o direito à expressão da nossa opinião temos, sem não sofrer as consequências desse atrevimento, os pensamentos têm que estar de acordo o que foi estabelecido com o regime que se instalou, porque quem não está é marginalizado e considerado como um não-alinhado. Chegados a esta posição das duas uma ou optamos por continuar a ser como somos, sofrendo todas as consequências daí inerentes, até a da liberdade de expressão que já não existe, todos que ser politicamente corretos e não opinar pelas decisões que aqueles que nos Des) Governam tomam, tal como os burros fazem temos que abanar com a cabeça a dizer que sim.

Chegámos a meu ver a um ponto de rutura que mais tarde ou mais cedo irá ocorrer, mas comparo a nossa situação político-económica e social à do Brasil, temos uma pequena camada da população que vive muito bem com grandes rendimentos, obtidos através de práticas pouco recomendáveis e uma grande camada da população que vive muito mal e a quem os mais elementares direitos à vida lhes é negado ou lhes é criado um esquema tortuoso de acesso que desistem ao iniciarem qualquer processo.

Mas voltando à questão do desemprego e dado que no fim de semana que se passou constatei que muitos filhos dos militares que se limitaram fielmente a cumprir com o programa das forças armadas, aquando do 25 de abril de 1974 e que apenas sonharam para que este País fosse um País diferente, onde a igualdade de oportunidades, a fraternidade, a solidariedade e o modo de vida dos portugueses fosse diferente para melhor, são agora as “entidades empregadoras” dos seus filhos, enquanto que os outros que apenas olharam para os seus interesses e do poder dos que tinham sido desapeados temporariamente vêm os seus filhos empregados e bem, tudo isto é muito injusto e perfeitamente desviante dos princípios consignados no programa das forças armadas em 25 de abril de 1974, que foram plasmados na I Constituição da República Portuguesa.

Para a maior parte de nós o sonho terminou, para os que são mais rijos estes vão continuar a sonhar com os seus ideais, não os vão abandonar, independentemente de verem todos os dias que este ou aquele consegue arranjar um emprego par o filho ou filha, através de processos pouco transparentes, onde aquilo que os pais são ou assumem contam para a decisão de atribuir uma atividade profissional a um filho. Sim é isto que quero escrever para conseguir um trabalho é importante que se pense como aqueles que lhe querem dar emprego e não ter opinião, sujeitar-se a tudo o que dizem e que querem que se faça, independentemente de ser a maior asneira que já ouviram na vida, ou que contrarie o que aprenderam em qualquer dos manuais académicos. Há que calar e aguentar todos os desaforos.

Uma última palavra para os que se encontram contratados a termo certo, não criem espectativas quanto ao facto das promessas de passarem a efetivos a vossa situação vai-se manter por algum tempo ou na pior das hipóteses nunca será regularizada, os diferentes Governos instalaram a precaridade porque também eles são precários durante os seus mandatos a única diferença que existe é que eles quando saem, pelo facto de terem feito “favores” ás pessoas certas vão certamente arranjar emprego, por que como costumamos afirmar “uma mão lava a outra” ou “favor com favor se paga” e andamos e andaremos sempre a mover-nos nestas expressões elas estão enraizadas na cultura portuguesa, o que é que havemos de fazer.

Quem acredita que isto ainda pode mudar, que continue a sonhar, quem não acredita perdeu a capacidade de sonhar e sonará de certeza com bens materiais, mas uma coisa eu vos escrevo, tome-se o caminho que se tome uma coisa é certa todos, mas todos sem exceção teremos o nosso fim e para alguns será mais doloroso e para outros nem tanto.

Henrique Pratas

 

 

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