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Sábado 18 de Agosto de 2018  
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Ponto por ponto!

01-06-2018 - Francisco Pereira

Esta semana que passou fomos agraciados com interessantes e esclarecedores informações sobre o genocídio nacional, sim em Portugal pratica-se há muito um genocídio, nada tem que ver com a eutanásia, aliás, esta catástrofe causa e causará muitas mais mortes que a eutanásia, chama-se condução automóvel, parece que não suscita nenhum alarde, não há iniciativas parlamentares, súcias de ratos de sacristia em manifestações labregas, declarações medíocres de grupelhos partidários, nada, quanto a isto “tasse bem” como sói dizer-se agora na modernidade.

O primeiro núcleo de informações prende-se com alguns dados sobre o sistema de Carta por Pontos. Quando este sistema foi, pomposamente apresentado e posteriormente colocado em prática, fui um dos que atribuiu ao mesmo o epíteto correcto, “palhaçada”, os dados que esta semana foram revelados, mostram que a minha avaliação está correctíssima, até o Presidente da Autoridade para a Prevenção Rodoviária o declara por outras palavras claro está, a minha avaliação pecou apenas por defeito, pois olhando para as estatísticas o sistema de Carta por Pontos não é uma “palhaçada” é sim uma “colossal palhaçada”, que mais uma vez deveria fazer corar de vergonha, governantes e governados, mas como uns e outros são a súcia medíocre que está à vista, tudo passa com uns esgares, uns encolher de ombros e depois como amanhã joga a selecção está tudo bem.

Ora em dois anos de estúrdia, ficámos a saber que apenas 59 criminosos da condução ficaram sem carta de condução, isto em 700 mil autos levantados, outros 157 perderam a totalidade dos pontos existindo ainda a possibilidade de o automobilista recorrer judicialmente e de o processo poder ser impugnado, podendo assim recuperar os pontos.

Posto de outra forma, o grandioso sistema de Carta por Pontos, que iria revolucionar as mentes das bestas automotorizadas que por cá habitam, que serviria para proteger, que serviria para ajudar a reduzir a desgraça que são as mortes na estrada, a impunidade e a falta de civismo, serviu para quase nada, um barrete colossal, mais um, enfiado pelos lorpas que habitam o paraíso dos asnos, também chamado Portugal, ainda não há muito diziam que os burros estavam em extinção, nunca tivemos foi uma tão grande e tão pujante população de gado asinino como temos hoje.

O tal sistema de Carta por Pontos é indubitavelmente mais uma barracada nacional, mais um exemplo acabado do laxismo e da impunidade com que se vive nesta terra de imbecis, os dados agora revelados, só provam essa realidade, seria interessante fazer umas contas simples, perceber quanto custam estes processos, quanto custa este tal sistema comparando esses custos com os resultados, seria interessante.

Os segundos dados que nos foram revelados estão constantes do relatório sobre a sinistralidade em 2017, estes quando comparados com os dados anteriores, revelam assustadoras discrepâncias, mais provam que o tal sistema de Carta por Pontos é apenas uma, mais uma inenarrável palhaçada.

Consultado o relatório, constatam-se 510 vítimas mortais, grosso modo 42 mortes por mês. Para vos dar uma ideia da verdadeira hecatombe que tais números representam, dir-vos-ei, que o pior ano de baixas para as tropas americanas em guerra no Iraque foi o ano de 2007, com 904 mortes, notem que são apenas mais 394. Notem porém que em 2007 a guerra estava descontrolada, com ataques de todo o tipo que vitimavam os soldados.

Daí para cá, as baixas de soldados americanos foram sempre menores que as mortes nas estradas de Portugal. Este facto deveria fazer com as pessoas que neste país são responsáveis políticos, parar e pensar, infelizmente não, infelizmente, neste reino do faz de conta, institui-se a carta por pontos e espera-se que a coisa ande.

Onde se morre mais é nas localidades e com bom tempo. Prova de que o cidadão nacional é um imbecil mais que completo. Um impressionante número de 92 mortes pertence a peões, atropelados por veículos, um número assustador, só para vos dar um exemplo, no mesmo ano de 2017, morreram 17 militares no Afeganistão, um dos países mais perigosos do mundo, onde se juntam, talibãs, Al qaeda e DAESH, nem esses três juntos matam mais que nós, os tristes imbecis automotorizados.

Resumindo, o que estes dados revelam é mais do mesmo, impunidade, laxismo, inépcia, ineficácia, pobreza de espírito e mediocridade generalizada. Ninguém sai bem da fotografia, governantes, governados, polícias e Justiça, o desempenho de todos, cada um com as suas motivações é manifestamente medíocre, é vergonhoso e é sobretudo patético ademais num pais com tantos problemas demográficos, termino dizendo que fazendo fé no relatório, um pouco mais de uma centena das vítimas mortais tem menos de 35 anos, o que volto a dizer deveria ser facto suficiente para nos encher de vergonha, pois parece que assim não é.

Francisco Pereira

 

 

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