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O NOSSO ESTADO NÃO HONRA COMPROMISSOS

25-05-2018 - Henrique Pratas

Julgo que ao escrever estas linhas não vos dou nenhuma novidade apesar disso acho que as não devo deixar de escrever.

Quando comecei a trabalhar as “regras do jogo” que estavam definidas para a reforma e dado que descontava para a Segurança Social a idade para a reforma dava-se aos 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres, acrescendo que para ter 80% de pensão de reforma teria que ter pelo menos 40 anos de descontos, explicitando contavam 2% por cada ano (2%X40).

Depois com uns cálculos mais ou menos complicados achavam a pensão de reforma, entretanto e como é do vosso conhecimento também alteraram as “regras do jogo” se é que podemos colocar as coisas nestes termos sem ofender quem descontou anos e anos para a Segurança Social e quando chegou a sua altura de se reformar, viu de forma abusiva estabeleceram outros critérios, sem que para isso os interessados, ou seja os contribuintes tenham sido ouvido, ou foram-no e não deram por isso no ato de votar, sim porque nessa altura ninguém se lembra das consequências dos seus atos.

Entretanto a meta de alcançar a tão desejada fica mais longe porque lhe acrescentam no cálculo a esperança média de vida e outros fatores que não faziam parte do que nos foi garantido quando começámos a trabalhar, tudo isto segundo os experts na matéria a favor da tão desejada sustentabilidade da segurança social, bonito este nome que é muito utilizado por tudo e por nada e mesmo por alguns que não sabem o que isto é. Mas o que é facto é que a idade da reforma é uma miragem para muitos de nós.

Mas o que me leva a escrever este texto não é só sobre esta situação é a sua ligação ao perdão dos Bancos de dívidas aos Clubes de Futebol, aqui é que me começa a irritar de sobremaneira esta “gestão” dos dinheiros públicos. Por um lado os trabalhadores têm que trabalhar mais tempo para terem direito à sua reforma, por outro os Bancos que nós cidadãos pagadores de impostos, suportamos com os impostos que nos são apresentados, perdoam as dividas às Clubes de Futebol que se encontra em situação de não poder honrar os seus compromissos assumidos, ora não pagando estes quem é que vai pagar? Quem havia de ser os mesmos do costume e eu sinceramente não acho piada nenhuma a isto. Não sou chamado a pronunciar-me sobre a gestão dos Bancos ou dos Clubes de Futebol, mas alguém por mim decide perdoar a divida aos Clubes de Futebol, no caso vertente a Banca, exemplo da Caixa Geral de Depósitos, do Novo Banco e do BCP e provavelmente outros que não sabemos, mas estes últimos vão junto do Estado que somos todos nós pedir dinheiro emprestado, para cobrir as “benesses” concedidas sem que a maior parte de nós contribuintes seja ouvida ou questionada se está de acordo com esta prática.

Se um trabalhador ou alguém que necessite de comer por falta de dinheiro, se dirigir a alguém todos lhes voltam as costas, porque é que com os Bancos quando estes, em resultados de habilidades financeiras de risco apresentam prejuízos sérios e em alguns casos demonstrativos de gestão danosa o Estado que somos nós, representados pelos que elegemos, para gerirem o País da melhor maneira que podem e sabem, o não fazem, será que seria assim tão mau deixar “cair” uma entidade financeira, será que ela não de poderia socorrer do crédito externo. Penso que neste último caso as condições de concessão seriam mais elevadas e com um nível de exigência e controlo, muito maior do que aquele que é feito ao nível interno e isto ninguém quer porque dá muito trabalho e exige que as pessoas sejam profissionais, criteriosas e seletivas.

Como sabem a população portuguesa está a envelhecer porque não se criam postos de trabalho para os mais novos que não constituem família e desenvolvem a sua via profissional e familiar, com tanta insegurança, com as regras do jogo a serem mudadas a cada instante e a maior parte sem aviso prévio, quem é que vai cair nesta esparrela, poucos escrevo-vos, apenas os privilegiados que podem contar com as ajudas dos pais ou de familiares, é que a ainda existem pessoas conscientes que não se vão endividar sabendo que não podem honrar os compromissos que vão assumir, já viram se na nossa sociedade todos nós começássemos a assumir este tipo de atitude, era o bom e o bonito ou talvez não, será que os Bancos iriam perdoar as dividas familiares como fazem aos Clubes de Futebol, não acredito, por detrás disto tudo existem muitos interesses que nem sequer imaginamos, mas não se esqueçam de uma coisa quando chegar a hora de pagar, vêm-nos bater à porta com aumentos de impostos, sejam eles diretos ou indiretos, o costume como sempre foi e será e poucos se interrogam sobre estas questões.

Uma família que sempre honrou os seus compromissos, que teve uma vida cáustica, sempre a contar os dinheirinhos até chegar o fim do mês e que por circunstâncias que não lhe são imputáveis se veja numa situação de não poder honrar os seus compromissos é menos importante que uma entidade financeira que se coloca em terrenos pantanosos, pouco firmes e que quando chega a hora de não poder cumprir com as suas obrigações o não faz, onde é que nós chegámos, ou será que existem apenas obrigações para um dos lados, para o dos mais desfavorecidos que apenas possuem como sua riqueza a sua capacidade/força de trabalho para poder vender e ficarem sujeitos ao preço que lhes querem pagar e em condições que lhes são impostas.

Henrique Pratas

 

 

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