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25 A – DEPOIS O REGABOFE!

27-04-2018 - José Janeiro

É engraçado há distância de 44 anos, olhar para as frases feitas como: onde estavas no 25 de Abril, ou as conquistas de Abril e sentir que afinal tudo isto se desmoronou.

A sensação que tenho neste dia é que fomos soberbamente enganados com essa coisa nunca conseguida a que chamam democracia (lembrem-se vem do grego δῆμος - demos ou "povo" e κράτος - kratos ou "poder"), coisa nunca verdadeiramente conseguida. Na imaginação dos donos da democracia somos nós, tu, eu, que os escolhemos, mas a verdade é bem diferente, são-nos impingidos pelos partidos políticos com base em manigâncias internas e jogatinas de poder, sendo depois eleitos com taxas de abstenção sempre crescentes de forma exponencial até aos 44% em 2015.

Sentem-se assim legitimados para fazer do povo, os “demos”, os tais que deviam ser donos da democracia, todas as malfeitorias que lhes passem pela cabeça laroca, tudo a bem não da nação, como dizia o outro, mas a bem do povo como dizem estes, mas na verdade a bem deles próprios como verificamos nós.

Mas o cúmulo do sistema democrático chama-se: “disciplina de voto”, para os eleitos, pelo já pouco democrático e pouco claro sistema de escolha, têm que obedecer a um regimento, a uma cartilha de frases feitas como “estou de consciência tranquila” e “sobre essa matéria” a partir do exacto momento em que se alapam numa cadeira na AR. Em resumo, democraticamente têm que votar em certas barbaridades, mesmo contra a sua ideia democrática para o qual foram eleitos, porque senão na legislatura seguinte serão preteridos por outros mais doceis e democraticamente mais capazes de ser amorfos. Ora como o pilim mensal é interessante lá os encontramos encostados, ou recostados no couro das cadeiras de brasão da republica, quais coirões que passam despercebidos aos demais.

… E os escândalos sucedem-se em catadupa com o beneplácito dos “demos”, que num encolher de ombros se interessam mais pelos golos do seu clube, ou pelo jogo que dará num canal qualquer de televisão, ou aquela telenovela de enredo idiota, do que sobre a politica que os rege no seu dia-a-dia e representa a cobrança de 34,7% de impostos sobre toda a riqueza produzida. Ah sabe- dizem quando questionados – a politica não é a minha praia, eu sou mais para o bronze. A incultura de um povo é a maior vantagem de um sistema político porque lá diz o nosso povo: “quem tem olho é rei”.

Este, segundo os “kratos”, é o custo da democracia, porque lembrem-se, como alguém disse, os políticos não podem andar de Clio, apenas os “demos” podem, porque o real cu dos “kratos” tem que ser condignamente tratado e nunca confundido com os demais. E quem paga o regabofe? Os “demos” porque gostam da sensação de democracia e de poder pelo papelinho de 4 em 4 anos, mas não todos porque, ou está sol e um belo dia de praia, ou chove, ou vão à bola naquele dia, ou apenas dá uma trabalheira do caraças ir ao local de voto e depois indignamo-nos no sofá lá de casa no conforto das redes sociais e insultamos os “kratos” por fazerem tudo o que lhes dá na gana. Cornos mansos por norma são assim!

O “deixa andar” é a grande mais-valia dos donos disto tudo, que sabem que os escândalos vão e vêm e nada acontece, apenas têm que fingir de morto durante o tempo em que a bronca não cai no esquecimento, tudo no maior espirito de serviço publico como eles gostam de dizer. Segundo a imaginação deles fazem esse sacrifício em prol do próximo, esquecendo-se de referir que o próximo, é o camaradão que está ao lado, ou o familiar que precisa de um empregozito bem remunerado e de preferência que apenas faça umas aparições a que chamam trabalho politico.

Tudo se esquece convenientemente e democraticamente porque a democracia é isso mesmo, a arte de levar os “demos” a esquecerem o que os “kratos” fizeram porque a memória é curta e alimentada por “fait divers” que ponham areia na engrenagem.

Quem se lembra das sacanices de há um ano atrás? Ou mesmo de há um mês? E que consequências teve? Ninguém se lembra, nenhuma consequência… é assim a democracia, crime sem castigo, e assim será daqui a um mês ou menos com a bronca das legalidades democráticas sobre os salários dos de(puta)dos.

Neste dia (25 do A) em que escrevo a cronica, estamos cada vez mais em risco de termos a nossa liberdade de expressão coartada pelos novos donos a que posso já chamar, facismo-democratico, porque a liberdade produzida pela internet para dar voz a ti e a mim começa a ser incómoda por trazer ao de cima as falsidades que nos impingem democraticamente. Será um regresso ao passado, mas agora democraticamente, porque os elegemos, supostamente livremente.

Restam os discursos bonitos do dia, com um ar enfadonho e sonso, as provas de atletismo, as bifanas em pão de trigo e o tintol para empurrar, numa festa sem sentido e de uma falsidade atroz.

Sim, acho que o espirito de Abril está morto e falta apenas fazer a cremação final para que desapareça de vez. O sonho acabou! Nada há para festejar! É apenas mais um feriado como outro qualquer.

Acordem! Até para a semana.

José Janeiro

 

 

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