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Domingo 19 de Agosto de 2018  
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UMA DÉCADA DE MISERABILISMO

20-04-2018 - Francisco Pereira

Há uma década que um serviço oncológico pediátrico de um hospital público, funciona em condições absolutamente miseráveis, dignas porém, do pardieiro de terceiro mundo que realmente somos.

Há uma década, que esse serviço funciona, sem que ninguém, a começar pelos mais interessados, (administradores, pais das crianças, médicos, enfermeiros, directores clínicos), tenha sequer dito uma palavra sobre o assunto, facto que acho estranho, isto apesar de um Primeiro-ministro ter ido a essa instituição para actuar numa das costumeiras encenações que os políticos gostam de fazer, uma infeliz e medíocre propaganda oca, depois chamam populistas aos outros.

Há uma década que o serviço de oncologia pediátrica do Hospital de São João no Porto funciona no dizer da administração do mesmo hospital, em "condições miseráveis", vários governos passaram desde 2008, nenhum deles, fez absolutamente nada, excepto actuações demagógicas, populistas e medíocres.

Num repente na semana passada o assunto salta para as parangonas dos jornais, colunistas em barda criticam, uns poucos bem, porque analisaram objectivamente a questão, a maioria porém politizou a coisa de forma sectária, desviando do cerne da questão o problema real que são as condições miseráveis em que se tratam crianças vitimas de cancro, para colocarem o fulcro nas guerrinhas partidárias entre governo e oposição.

«Em Portugal não se faz política, antes se chafurda!» O facto de que há uma década que um serviço de oncologia pediátrica funcione provisoriamente em contentores, é disso prova. Porém assim que o assunto, em boa hora mas atrasado, saltou para a comunicação social, não faltaram os do costume a aparecerem grunhindo loucamente, chafurdando muito politicamente, sobre o tema, todos opiniosos, todos detentores de soluções miraculosas.

Há uma década que um serviço de oncologia pediátrica, funciona vergonhosamente desfalcado de condições, há uma década que ninguém diz nada, há uma década que andam todos calados, agora subitamente assim do nada, lembram-se que tudo está mal, o que é que esta gente toda andou a fazer durante estes três mil e seiscentos dias?

Tiveram portanto pelo menos três mil e seiscentas oportunidades de falar sobre o assunto, de denunciar aquela vergonha, desde de 2008, tiveram tanto tempo para fazer uma denúncia porquê só agora?

Essa dúvida persegue-me, porquê só agora. Para além dessa dúvida, o resto é o miserabilismo normal deste pardieiro chamado Portugal, é ver os berrões, os bácoros, as marrãs e os varrascos de todas as cores políticas a chafurdar, as procissões dos porcos politiqueiros a entrar pelo hospital adentro, para chover no molhado, cercados pelas televisões, alguns deles saídos há bem pouco do poleiro, que nada fizeram, contribuindo antes para o maior descalabro, exibem agora o rosto da surpresa e da mentirosa indignação, cara dos biltres e pulhas que nada fizeram nos dez anos que isto já leva, são uns medíocres, uns pulhas mentirosos, que vivem disto.

Há uma década que um serviço de oncologia pediátrica, funciona como um qualquer hospital do terceiro mundo, entretidas andam as gentes a discutir futebol, a discutir energúmenos, a discutir penaltis, as mesmas gentes que diariamente arranjam tempo para discutir futebol, são as mesmas que em dez anos nunca se recordaram de publicar uma linha que fosse sobre um serviço de oncologia pediátrica, que funciona em tão nefastas condições.

Que gente é esta? Que gente somos nós? Que país é este?

Francisco Pereira

 

 

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