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RUI RIO INOPORTUNO

06-04-2018 - Joaquim Jorge

Já tinha dado como encerrado o folhetim Barreiras Duarte. Fui, um dos muitos, que se insurgiu com a sua postura e pedi logo a sua demissão. Demitiu-se, mas demorou imenso tempo e dei o caso por encerrado.

Todavia as declarações de Rui Rio obrigam-me a voltar a este assunto.

Rui Rio afirmou que o que aconteceu, “foi uma desproporção brutal àquilo que estava em causa”. Acrescentando que foi um “massacre”.

Eu falo por mim, nada tenho contra Feliciano Barreiras Duarte, mas para quem auto-elege a bandeira da honestidade como Rui Rio, acho estranho dizer o que disse, na falsificação de um currículo e da própria morada fiscal.

O escândalo mostrou deficientes irregularidades no seu currículo. É preciso respeito por todos aqueles universitários que trabalharam arduamente para terem um mestrado ou um doutoramento. É insultante e indigno.

Em relação à sua morada fiscal, deve haver também respeito pelos deputados que dão a sua verdadeira morada. Estava em causa receber um subsidio indevido que deveria ser restituído ao Estado.

Se bem estão lembrados, o Ministro alemão Karl-Theodor zu Gutenberg demitiu-se imediatamente, em 2011, por acusações de plagiar 20% da sua tese de doutoramento.

Era um político muito bem visto pelos alemães, mas isso não foi tomado em linha de conta pela senhora Merkel que aceitou a sua demissão, apesar de ser para ela um activo político.

A sociedade alemã foi capaz de submeter ao escrutínio os seus governantes. É o que a sociedade portuguesa fez em relação aos seus políticos, nada a acrescentar.

Um escândalo como o que aconteceu com Barreiras Duarte não penaliza somente quem o protagonizou, mas também a quem não sabia ou não consegue geri-lo bem, que foi o caso de Rui Rio.

A exigência de escrutínio é das melhores coisas que tem uma democracia. A necessidade de limpeza, de esclarecimentos, de transparência e de honestidade.

O que esteve aqui em causa, não foi querer mal a Barreiros Duarte, mas somente, para quem está em cargos desta natureza, o cumprimento dos seus compromissos e o escrutínio da lei.

Se, se tivesse demitido, na hora, dava por assumido o que fez e a polémica morria passado uns dias. Assim não, ainda para mais, com este tipo de declarações inoportunas de Rui Rio que fazia melhor não ter dito nada.

Joaquim Jorge
Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

 

 

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