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Segunda-feira 15 de Outubro de 2018  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

II HISTÓRIAS DE ENCANTAR - O VOO MISTERIOSO

16-02-2018 - Pedro Pereira

Num golpe de asa, inflectiu rapidamente para a direita e encetou um voo picado em grande velocidade.

No percurso para o objectivo, a deslocação do ar provocava um assobio imperceptível que perpassava pela sua estrutura. Quase no limite da aproximação do local de aterragem, «travou» a descida e curvou novamente para a direita em voo rasante, lento, oscilando as asas graciosamente.
A área que sobrevoava era extremamente irregular; ora lisa, ora cortada por profundos canais, ora montanhosa e coberta por vastas extensões de floresta com arvoredo branco e negro, impenetrável e matagal.
Nisto, a enorme mancha sobre a qual voltejava, deslocou-se ligeiramente assustando a nave que se preparava para aterrar, de tal ordem que mudou rapidamente de rumo ascendendo velozmente aos céus.

No espaço, numa espécie de estação orbital esperava-a oportuna uma pista de aterragem feericamente iluminada como se fora um arraial popular.

Aproveitou a escala estratégica para lavar os seus radares e rever as articulações do trem de aterragem.

Após aquela - que entendeu - merecida pausa, levantou voo de novo, rumo à sua enigmática e insondável missão.

De novo, breve tempo passado encontrou-se de regresso à última área onde antes havia voltejado.

Evoluiu em acrobacias, uma, duas, várias vezes por cima da mesma superfície - afinal - oscilante, quase redonda, recoberta de floresta e matagal.
Voou distanciando-se dela, na procura de um ponto de observação estratégico do seu alvo, na procura de uma pista fixa, conseguiu divisar uma imensa clareira branca no sopé da enorme montanha coberta de vegetação.

Lesta, a nave dirigiu-se rapidamente para lá, conseguindo a proeza de uma aterragem quase perfeita. Assim que poisou alijou a carga de bosta que de repente se tinha tornado desagradável e incomodativa.

Eis senão quando inopinadamente o exterminador, o mata-moscas se abateu sobre ela.

A velha mosca varejeira finava-se assim, ingloriamente, na cabeça do senhor ex-ministro, exterminada pela diligente esposa desde sempre atenta a eventuais atentados a tão sublime cabeçorra, cuidados que vinha tendo desde os tempos em que o esposo havia sido membro de um (des)governo que infernizou a vida a milhões de cidadãos eleitores, inocentes criaturas.

Pedro Pereira

 

 

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