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Segunda-feira 24 de Setembro de 2018  
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O Tejo

09-02-2018 - Francisco Pereira

O rio Tejo, viu-se nesta última década acossado e levado ao extremo da sua capacidade de sobrevivência, pelo poder despótico dessa bactéria assassina chamada Homem. Quem, nestes últimos dez anos, tenha olhado para o Tejo, percebe o que estou a dizer, com o lento e continuado decréscimo da pluviosidade, o caudal do Tejo tem diminuído a olhos vistos, os seus afluentes estão igualmente conspurcados, além de quase secos, só os senhores muito inteligentes que têm passado pelos governos, é que nunca viram nada de inusitado, mas essas lorpas nunca vêem nada, nunca sabem de nada portanto não é de estranhar.

Espanha cuida de si, desvia milhões de litros de água do Tejo, isso da solidariedade e de países irmãos e de acordos é bonito no papel, a realidade essa é outra, e quem olhou para o Tejo nesta última década percebe isso, e bem pode o senhor faz de conta que é Ministro do Ambiente clamar que os caudais estão normais, como clamou durante muito tempo apesar dos avisos de quem percebe do Tejo, afinal parece que os caudais não são os que deviam ser, como disse o senhor Primeiro-ministro, bem vale mais tarde do que nunca.

De Vila Velha de Ródão até Lisboa, o Tejo é o esgoto preferido de todos os locais por onde escorre, acreditando eu que Portugal, país miserável nem aquilo que tinha de característica diferenciadora do resto da Europa, uma natureza a espaços bem preservada, mercê do seu endémico atraso, conseguiu proteger.

Em Portugal não existe qualquer política de preservação dos cursos de água, do mais singelo regato ao maior dos rios, nada é preservado, está tudo poluído, atafulhado de trampa, de lixo e vítima da sacrossanta ganância e estupidez colectiva de uma sociedade miserável e medíocre, o Tejo é só um exemplo, podemos citar outros, como o Sado, o Guadiana ou Alviela, vejam-se aqui bem perto os casos da dita “Vala de Almeirim” ou o Vale Virgo, pequenos cursos de água que são autênticos esgotos a céu aberto.

As celuloses, têm sido um dos cancros que arruínam o ambiente e a natureza em Portugal, acabaram com as florestas, hoje já não existem florestas dignas desse nome o que existe é a maior mancha de eucalipto da Europa, o resto são estórias para entreter meninos. Para além de arruinarem a floresta, arruínam os rios, já depauperados por barragens, esgotos e escorrências de nitratos e pesticidas da agricultura intensiva que agora se pratica, sem que ninguém nunca tenha feito nada.

O Tejo onde há menos água, começou a levar com as cargas poluentes das celuloses, o senhor faz de conta que é Ministro do Ambiente e que dirige o que faz de conta que é um Ministério do Ambiente, num arroubo de suprema e iluminada inteligência, mandou suspender metade da carga de esterco, colocou uns pobres diabos a tirar espuma do rio, depois mandou fazer umas análises, ao que parece apenas confirmaram aquilo que todos sabíamos, tudo isto é demasiado patético para ser verdade, mas infelizmente é.

Logo de seguida, autarcas, deputados da actual oposição e outros vermes miseráveis, durante anos coniventes com esta barbárie, começam a aparecer nas televisões a clamar, ele é declarações de solidariedade, ele é interpelações ao Governo, são uma outra corja miserável e oportunista que nunca mexeram uma palha, aparecem agora a vociferar com este e contra aquele, pena que a porcaria não voe, podia ser que se lhes enchesse a boca cada vez que a abrem.

A aparente melhoria do Tejo, devemos ao senhor Arlindo Marques, o “Guardião do Tejo”, aos seus amigos pescadores, devemos à associação Protejo e a pouco mais gente, todos arrostaram contra os monstros, o senhor Arlindo continua a ser arguido num processo interposto por um dos bandalhos poluidores, naquilo que é uma vergonhosa e miserável actuação apenas possível neste paraíso de bandalhos chamado Portugal, que tem as tais licenças de descarga, ou seja podemos poluir se pagarmos.

A morte do Tejo, deveria ter feito levantar um povo, grosso modo uns 20% da população nacional vive junto ou próximo das suas margens e afluentes, aparentemente o futebol é mais importante, a telenovela é mais importante, a missa é mais importante, povinho miserável, povinho reles e medíocre que bem merece tudo o que lhe acontece.

Um grande bem hajam, ao senhor Arlindo Marques, aos seus amigos e a quem conseguiu tocar para que esta luta pelo Tejo conseguisse fazer vencer esta batalha, sim porque me quer parecer que apenas venceram uma batalha, que ganhar a guerra será muito mais difícil, dados os interesses e a proverbial queda para a corrupção que existe neste país, diz, a propósito de um deputado ter pedido a prisão dos porcos poluidores, o senhor Primeiro-ministro, que em Portugal já não se prendem pessoas, nem para defender o Tejo, ora como tal barbaridade foi dita por um Primeiro-ministro está bom de ver o caminho que estamos a levar.

Francisco Pereira

 

 

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