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Ela bem Procura!

19-01-2018 - Francisco Pereira

Começo por me declarar um fã incondicional do trabalho da actual Procuradora Geral da Republica, tenho seguido com relativa acuidade o seu desempenho, por conseguinte, tenho-a, por senhora honesta, profissional e dedicada. É pois uma pessoa digna de crédito, a quem devemos muito pela forma como tem tentando fazer cumprir a Lei.

No entanto, um pequeno pormenor, e o Diabo são as pequenas coisas, facto que o outro pateta que andava sempre a clamar pelo Dianho não percebeu, traz a mácula perniciosa ao desempenho da senhora Procuradora, a saber o caso miserável das crianças adoptadas pela IURD, essa coisa impronunciável produto destes tempos miseráveis em que vivemos.

Ora nessa infeliz e clamorosa ocorrência, declarou a senhora Procuradora, que instada por denuncia anónima, foi verificar os processos, verificação profundíssima, aturada e demorada, que resultou fazendo fé nas palavras da senhora Joana “…não resultaram quaisquer factos que confirmassem o alerta recebido”, acrescenta ainda no comunicado que enviou para a comunicação social, “…“não se inferiu” qualquer “circunstância menos clara das diligências realizadas no processo de confiança judicial…”, ou seja, dito por palavras mais escorreitas, a senhora Procuradora não viu absolutamente nada daquilo que se havia passado, miopia quiçá.

Este estado de coisas, levanta-nos algumas questões, excluímos desde logo uma eventual falta de competência da senhora Procuradora, como disse logo no início, aparentemente a senhora Procurada é pessoa capaz e determinada, daí nos seja lícito questionar sobre a qualidade do material constante nos processos que a senhora Procuradora tão diligentemente consultou, questionamos igualmente a qualidade e competência de quem produziu essa documentação, juízes, assistentes sociais, técnicas disto e daqueloutro e toda a súcia de burocratas que se envolvem neste tipo de coisa.

Questionamos a qualidade e competência de uma Justiça, que ao que parece foi a única que não percebeu o que ali se passava, dado que à vista de toda a gente, é possível observar uma maléfica e supremamente vigarista actuação, que roubou crianças a este país já tão demograficamente depauperado.

Se este é um exemplo da Justiça que temos, em verdade é, então a Justiça de Portugal, como bem sabemos, é uma farsa, bem podem os seus actores encher a boca com códigos e legislação, porque a realidade desmente a teoria, como muito bem sabemos todos os que vivemos no Portugal real.

Pior, é questionarmos como é que foi possível um infantário ilegal funcionar durante tanto tempo? Como foi possível que instituições públicas com acrescidas responsabilidades na área enviassem crianças para um infantário ilegal? Como foi possível que uma Juíza, ao estudar profundamente os processos sobre adopções ilegais, nada tenha detectado? Haverá aqui mais uma teia de corrupção? São muitas perguntas sem resposta, são imensas as dúvidas, certezas, temos duas, as crianças foram efectivamente levadas e como já é costume, ninguém fez nada, excepto agora que correm aos inquéritos, e esses todos sabemos como acabam.

Uma nota final para a tragédia de Vila Nova da Rainha, em primeiro, sentidas condolências aos familiares das vítimas mortais. Em segundo dizer, que mais uma vez, estamos perante mais uma crónica de uma tragédia anunciada, como disse uma pessoa amiga “…quem viu aquela associação, viu milhares de outras por esse Portugal fora…”, bem verdade. Ele há por aí coisas a funcionar ao arrepio de tudo quanto é legislação, que são desgraças à espera de acontecer, Portugal país avesso a cumprir as próprias leis que exara, está cheio de tragédias à espera de acontecer, mas não desesperem, depois de acontecer, fazem-se umas procissões, organiza-se uma viagem a Fátima, acendem-se umas velas, mais uns concertos solidários e umas recolhas de fundos solidários, colocam-se uns semblantes compungidos, distribuem-se afectos, chegados ao fim de semana todos para a bola e siga o baile, tudo como antes há espera da próxima.

Francisco Pereira

 

 

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