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RECORDANDO…
II - PORTUGAL - DO 25 DE ABRIL DE 1974 AOS ANOS 80

29-12-2017 - Pedro Pereira

Em 3 de Janeiro de 1980 tomou posse o VI Governo Constitucional, que havia vencido as eleições legislativas realizadas em 2 de Dezembro anterior e era suportado por uma maioria constituída pelo PPD, CDS e PPM, sendo seu 1º Ministro, Sá Carneiro.

Passado menos de ano, precisamente em 5 de Outubro seguinte, realizaram-se novas eleições legislativas em que a AD – Aliança Democrática, coligação constituída pelo PPD e CDS, liderada por Sá Carneiro, obteve segunda vitória, tendo conquistado 44,91% de votos.

Sá Carneiro esteve pouco tempo em funções como 1º Ministro, uma vez que em 4 de Dezembro seguinte, no decorrer da campanha presidencial, com noite cerrada, pouco após levantar voo do aeroporto de Lisboa a avioneta em que viajava acompanhado por Snu Abecassis, a mulher da sua vida, Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa, Patrício Gouveia e o piloto da aeronave, esta se despenhou no Bairro das Fontaínhas, em Camarate após uma explosão a bordo. Os contornos do «acidente» são macabros e ainda hoje se crê que tenha resultado de um atentado.

A campanha presidencial que então decorria em que acabou eleito Ramalho Eanes, ficou ensombrada por esta tragédia.

Entretanto, para encher jornais, os ecrãs das emissões televisivas (na altura só existia a RTP), emissões radiofónicas e folhetins correlativos, em 16 de Fevereiro desse ano o cargueiro sueco Barranduna colidiu com o porta contentores inglês Tollan, quase em frente ao Cais das Colunas do Terreiro do Paço, no meio de um denso nevoeiro no estuário do rio Tejo.

O Tollan virou de pernas para o ar e ficou de casco bojudo a flutuar durante mais de três anos, à compita com outras diversões nacionais para gáudio do povo português. De modo insólito, todas as tentativas para dar a volta ao barco e colocá-lo de novo a flutuar foram goradas ao longo de cerca de três anos, até que em 2 de Dezembro uma monumental grua produziu o «milagre» de dar a volta ao mastodonte pondo-o de novo a boiar de cabeça para cima com a «dignidade» que todos os barcos merecem.

É claro que Lisboa ribeirinha perdeu a partir de então uma atracção turística de monta, temos de o confessar…

Na sequência do falecimento da morte de Sá Carneiro, em 9 de Janeiro de 1981, tomou posse o VII Governo Constitucional capitaneado por Francisco Pinto Balsemão, suportado numa maioria política formada pelo PPD, CDS e PPM.

Este governo teve vida efémera, dado que só durou dez meses (menos tempos que a gestação de uma burra…)

Em 4 de Setembro seguinte tomava posse o VIII Governo Constitucional liderado por Pinto Balsemão, suportado na anterior coligação, tendo terminado o seu mandato em 9 de Junho de 1983.

Entretanto, em 12 de Fevereiro de 1982 teve lugar a primeira greve geral em Portugal, que foi convocada pela CGTP com a oposição declarada da UGT e em 29 de Outubro o Conselho da Revolução, órgão composto por militares, criado na altura da Revolução do 25 de Abril de 1974, reuniu-se pela última vez.

No dia 25 de Abril de 1983 realizaram-se eleições legislativas, das quais saiu vencedor o PS com a módica percentagem de 36,11% de votos, obrigando este partido a firmar um acordo de governo pós-eleitoral com o PPD/PSD do qual viria a resultar o denominado Bloco Central. Assim, a 9 de Junho toma posse o IX Governo Constitucional liderado por Mário Soares e suportado por uma coligação partidária formada pelo PS e pelo PPD/PSD.

O ano de 1984 foi marcado pela morte trágica de personalidades importantes e queridas do povo português, de que destacamos:

A 18 de Janeiro - Ary dos Santos, grande poeta e declamador português, escreveu centenas de poemas para canções e gravou inúmeros discos. Na altura do seu falecimento era provavelmente um dos maiores poetas revolucionários portugueses.

A 10 de Maio – Joaquim Agostinho, o maior e internacionalmente conhecido ciclista português, 10 dias depois de ter chocado atropelado um cão quando liderava a Volta ao Algarve, tendo batido violentamente com a cabeça no chão, de que veio a falecer dias depois.

A 13 de Junho - António Joaquim Rodrigues Ribeiro, mais conhecido por António Variações, cantor e compositor. Intérprete com uma voz e expressões corporais únicas deixou um legado de composições que continuam a ser cantadas. O panorama musical e artístico português ficou então mais pobre.

Pedro Pereira

(continua no próximo número)

 

 

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