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VIVA O CONE ILUMINADO E A CARIDADEZINHA

22-12-2017 - José Janeiro

E o calendário rodou novamente e chegámos aquela época que os mesquinhos mais gostam, a que chamam Natal. Todos ficam invariavelmente santos nesta data e lembram-se, enquanto comem á fartazana, de uns compatriotas que dormem na rua e nada têm que comer, isto entre duas filhoses, uns coscorões e outros manás. Antes contudo, foram fazer umas ceias de Natal, num acto piedoso, porque temos todos que ganhar o céu. O céu é aquele lugar estranho em que para uns tem umas virgens, para outros tem uns anjos com asinhas e harpas, tudo pudico e sem identidade sexual, para outros ainda é o chamado céu dos pardais e outros há, como eu, que apenas merecem o inferno, aquele lugar quentinho e cheio de gajas boas e diabos a liderar uns bacanais eternos, tudo na mais profunda teologia concebida por uns excogitadores há uns milénios atrás.

Mas estes que fazem estas acções piedosas, apenas nesta época, não vão os pobrezinhos desaparecerem e com eles a caridadezinha, que tanto gostam, dizia então, que os que fazem estas acções desconhecem que na hora da morte basta invocar o JC, mesmo que seja só assim a modos que a fingir, para serem perdoados dos pecados do mundo e terem entrada directa num dos céus disponíveis. Ainda bem que não se lembram dessa galga teológica, senão nem o Natal escapava á voracidade dos que se acham humanos e piedosos.

Muitas vezes refiro que se o JC descesse à terra, o coitado morria de novo de ataque cardíaco, tal e qual como da primeira vez, eu explico: As cruzes da crucificação tinham uma base de suporte dos pés chamada “cornu” que servia precisamente para aumentar o sofrimento, dado que se não houvesse esse apoio morriam rapidamente de insuficiência cardíaca, ora todos sabemos, pelo novo testamento, que quando foram partir as pernas ao bom e mau ladrão para abreviar o sofrimento e não se conseguirem apoiar no “cornu”, o JC já estava morto… de ataque cardíaco! E assim o pobre homem terá sucumbido pelos pecados do mundo, pesado fardo esse pela quantidade de imbecis pecadores que povoam este mundo, já que do próximo, somente sabemos algo pelos iluminados cogitadores que têm o dom divino de falar com o além, via um deus qualquer.

E olho com admiração e surpresa para a festança Natalícia, com um sorriso irónico nos lábios tal o descontrolo que assumiu e o facto supremo de NÃO SE ESTAR A CELEBRAR O NASCIMENTO DO JC, apenas é uma festa pagã milenar do “sol invictus”, pelo renascimento de novo ciclo solar, via solstício de Inverno, em que os dias começam a crescer, ou seja em que a terra “dá a volta” na troca de hemisférios.

E a magia mantem-se graças á época comercial que provoca ganhos interessantes. Primeiro o Pai Natal, criado pela Coca –Cola, depois a arvore de Natal que era uma tradição pagã druida/celta em que os carvalhos eram decorados com maçãs nas épocas festivas, e quando foi adoptada pelo Cristianismo era um pinheirito raquítico com algodão e bonecos de chocolate pendurados, que a criançada ia roubando sempre que podia, o presépio de musgo e bonecada de barro que todos os anos se acrescentavam, que não é mais que etimologicamente o nome dado a curral (presépio) nos primórdios da língua e agora o cone iluminado cheio de prendas, de fitas, anjos e uma panóplia de tiques mais ou menos modernaços. Tudo mas tudo, na exacta medida de 16 dias após a Anunciação da Concepção da Maria pelo arcanjo S. Gabriel de cognome “o malandreco”, porque além da Maria e do Maomé, houve outras partidas que o querubim fez a outros incautos, ou seja e em resumo, o puto ou nasceu com 16 dias de gestação, ou com 381 dias, enfim mistérios da fé que não devemos questionar, ou vamos para o inferno penar eternamente nos bacanais do diabo e aprender a acreditar em todas as patranhas que nos contam.

E para um ramalhete engraçado, ficámos a saber que uma empresa de brinquedos sexuais, a Ann Summers, fez um inquérito interessante sobre as festas de Natal das empresas e concluiu que 40% dos inquiridos já tinha molhado o pincel por um lado, e tirado teias de aranha por outro, com colegas de trabalho nas festas de Natal, sendo esta a altura propícia para libertar tensões (ou será tesões), acumuladas. Mas se pensa que a promiscuidade é um facilitador, desengane-se, porque a grande percentagem dos felizardos são órgãos de chefia… it’s good to be king! O estudo não diz se a fantasia de Pai Natal ajuda ao momento de “de-leite”, mas pelo sim pelo não, é melhor vestir-se a rigor com adereços da sexy shop mais próxima, sempre dá para prevenir.

Mas nada se compara com as Saturnalias Romanas que duravam do dia 17 a 23 de Dezembro no mais supremo deboche, isso sim é que devia ter sido agregado pelos Cristãos e não aquela imitação barata do sol invictus no dia 24 de Dezembro. O festim interrupto que transmitiu para a posteridade a palavra magica: orgia, que era um misto do que estão a pensar sobre a dita, versus comezaina até vomitar, isso sim é que eram festas que aqueciam as noites longas de inverno, agora cá o bacalhau, as couves, os doces e a vinhaça, acompanhados de joguinhos de verdade e consequência e coisas tais, não faz nada á alma dos festivaleiros.

Mas segundo a crença popular, o galo teria cantado á meia-noite do dia 24 para 25 com o intuito de anunciar o nascimento do JC, coisa estranha essa, porque o JC não nasceu no dia 25 de Dezembro e muito menos se conseguirá saber se foi na mudança do dia, mas adiante, e por esse motivo existe a famosa missa do galo e nas aldeias havia o habito de levar o bicharoco para a missa, não para o benzer e depois fazer um qualquer petisco com o animal, mas sim para que cantasse, e dizia-se, que se assim fosse, o ano seria bom. Mesmo na minha infância de aldeão não me lembro de ouvir dizer que o galaró tenha feito a sua cantoria na missa do galo, mas fica a tradição.

Seja como seja que a coisa se tenha passado, a importância do festejo acaba por se resumir ao cone iluminado, aos pais natais de tecido e forrados a algodão made in china, nas casas, aos presentes, aos presépios, aos descontos nas lojas, às fitas e luzes, á comezaina e só lá para o fim à caridadezinha que fica sempre bem partilhar no facebook. Após esse regabofe de comida e gastos, cai-se na quinzena seguinte na dura realidade que é mais ou menos assim: olhar para o lado quando se vê alguém necessitado, esquecer a família e os amigos durante mais um ano, chatearmo-nos por tudo e por nada e culpar de forma acabrunhada a infelicidade do trabalho que se tem… e esperamos de novo pelos dias mágicos de Natal para sermos novamente primorosos durante alguns dias.

Feliz dia do cone iluminado e sejam bonzinhos durante uns dias. Se se sentirem com excesso de febre “benfazente”, não se preocupem que isso passa, não precisam de tomar nada, basta deixar correr os dias.

Até para a semana

José Janeiro

 

 

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