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Uma vida vale 70 mil Euros!

01-12-2017 - Francisco Pereira

Esta semana ficámos a saber quanto vale uma vida em Portugal. A tragédia de Pedrógão, levou a que o Governo incumbisse um painel de sapientes e ilustres luminárias, para que esta comissão acordasse um valor a atribuir aos familiares das vítimas mortais, à laia de indemnização pela perda do ente querido, ficámos assim a saber que em Portugal uma vida humana vale uns miseráveis 70 mil euros.

Estou plenamente ciente que a vida não têm preço, que é difícil arranjar um número, mais ainda num país que demograficamente está à beira da extinção, daqui a uma mera centena de anos, ao contrário daquilo que seria de esperar, os habitantes deste país serão menos do que são agora e mais idosos, o que torna este valor ainda mais medíocre e miserável. Valemos assim tão pouco?

Porquê 70 mil euros? Que cálculo mirabolante permite chegar a esse número patético? Este país é mesmo muito medíocre. Não só em tempo útil, mercê da corrupção, da ganância, da incompetência e do laxismo, não conseguimos garantir a segurança das pessoas e muito menos salva-las, como na morte oferecemos compensações miseráveis, mais ridículo ainda é que à boa maneira merceeira se juntam uns critérios, cito “o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra Sousa Ribeiro frisou que, para efeitos indemnizatórios, ainda importará juntar mais dois critérios: sofrimento da vítima antes da morte e danos próprios dos familiares mais próximos.”

Como é que se mede o sofrimento? O que são danos próprios dos familiares mais próximos? Eu fico estupefacto com as decisões desta gente, confesso que ainda fico surpreendido. Mais surpreendido fico com o valor miserável que atribuem às nossas vidas, concluo portanto que não passamos de umas bestas de carga completamente descartáveis, valemos tão pouco que uns míseros 70 mil euros chegam perfeitamente para compensar a nossa perda.

Ainda relacionado com o drama de Pedrógão, surgiu a questão levantada por essa aberração chamada Comissão Nacional de Protecção de Dados, com relação à divulgação do relatório sobre aquilo que aconteceu, relatório esse que deveria ser público. Não se compreende portanto em absoluto o parecer patético dessa dita comissão, que há muito deveria ter sido extinta e criada outra coisa no seu lugar constituída por gente que viva no século XXI, enquanto vivos ninguém quis saber da sua protecção agora que estão mortos é que se preocupam, não consigo perceber a esquizofrenia deste bando de inconsequentes mentais.

O drama de Pedrógão, foi uma ocorrência tristíssima, as suas consequências perdurarão muito tempo na memória de todos, no entanto as questões administrativas subsequentes, revelam quão miseráveis e medíocres somos enquanto país e enquanto sociedade, só um país medíocre e miserável, esconde e sonega informação aos seus cidadãos, só um país miserável, medíocre e patético, tem em tão pouca consideração a vida dos seus cidadãos, aos quais abandonou em vida e menospreza na morte.

Francisco Pereira

 

 

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