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A Maldição do Ouro do Páramo de Santurbán Colômbia

01-12-2017 - Patricia Cifuentes

O Páramo* de Santurbán é um ecossistema que abastece de água mais de 2,5 milhões de pessoas no distrito de Santander, na Colômbia. Desde 2010 tem-se visto gravemente ameaçado pelo interesse de multinacionais mineiras de exploração de ouro no seu território.

Afortunadamente, a mobilização da comunidade e os exemplos de organizações como o Comité para a Defesa da Água e do Páramo de Santurbán, tem travado as intenções das referidas multinacionais.

Em 2011 foi possível travar o projecto mineiro Angostura e obrigar a Greystar a retirar o pedido de licença ambiental. Em 2013, o movimento 1000.000 Vozes pela Água, denunciou que persistia a ameaça sobre o Páramo apesar de haver sido declarado Parque Natural.

Em 2014, o Ministério delimitou menos de 80% como área protegida. Por considerá-lo uma burla, a comunidade santandereana instaurou em 2015 uma providência cautelar, porque “os seus direitos fundamentais no devido processo, à participação, à igualdade, à informação, à saúde, ao consumo de água potável e à vida com dignidade - relacionada com o ambiente saudável e o direito à participação – foram violados”.

Como resposta, o Tribunal Constitucional emitiu no passado dia 6 de Novembro uma resolução e instou o Estado a que no prazo de um ano abra processos verdadeiramente inclusivos. A mobilização continua, acaba de ter lugar uma maciça manifestação encabeçada pelo alcaide Bucaramanga.

Enquanto tudo isto sucedia entrou em cena a Sociedade Mineira de Santander – MINESA, propriedade da multinacional Mubadala Development Company, de Abu Dabi, dos Emiratos Árabes Unidos.

A MINESA solicitou em Setembro à Agência Nacional de Licenças Ambientais – ANLA, autorização para extrair 450.000 onças anuais de ouro numa outra zona, que segundo a delimitação do meio ambiente – justamente a que acaba de ser alvo de resolução do Tribunal Constitucional -, não pertence ao páramo. A área está situada entre os municípios de Califórnia e de Suratá.

O capítulo seguinte é humilhante. Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, acaba de anunciar que o governo de Abu Dabi doou 45 milhões de dólares para após conflito, além de 7 milhões de dólares para a tragédia de Mocoa. Entregou também mil milhões de dólares à MINESA, que se destinariam principalmente à exploração mineira no Páramo de Santurbán.

Alguém que se caracterizou por ser o olho avisador ante estas situações é o senador Jorge Enrique Robledo, que sobre o tema disse: “Como não pode ocorrer a Santos ir para os Emiratos Árabes Unidos vender a Colômbia, como se estivéssemos à venda, algo assim como dê-me uns dólares e eu entrego-lhes o Páramo de Santurbán (…) é uma agressão ao povo de Bucaramanga e de Santander, que leva anos em defesa do seu páramo. Não estive nas várias manifestações, a última foi presidida pelo próprio alcaide da cidade”. É assim que a cidade está indignada.

Patricia Cifuentes

Nota da Redação

* Numa definição biogeográfica,   páramo é um ecossistema inter-tropical de montanha, caracterizado por uma vegetação de arbustos que ocorre, em geral, a partir de altitudes de cerca de 3.000 e 4.000 metros ou até 5.000 metros, ou seja, nas regiões acima da linha de floresta contínua, mas ainda abaixo da linha de neve permanente. No sentido estrito do termo, todos os páramos encontram-se localizados na zona neo-tropical, principalmente no noroeste da América do Sul, presente na Venezuela, Colômbia, Peru e Equador. 

 

 

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