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Domingo 22 de Julho de 2018  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

I - O RENASCIMENTO DOS NACIONALISMOS EUROPEUS
(Estão vivos e de boa saúde)

24-11-2017 - Pedro Pereira

De novo, tal como em outras eras da História da Europa, nomeadamente em finais do século XIX, período dos «ismos»: colonialismo, imperialismo e nacionalismo, os nacionalismos estão a renascer em força um pouco por toda a Europa Ocidental.

As razões subjacentes a este fenómeno são diversas mas não difíceis de entender.

Umas das principais advêm do descontentamento (quase) generalizado por parte dos povos dos diversos países que compõem a manta de retalhos europeia, resultante da falta de soberania dos seus países, sobretudo os da UE, alienados que estão os corpos de Direito de cada país, ao Direito Comunitário que sobre eles prevalece, para além das amarras a tratados internacionais de diversa índole (alguns deles bem obscuros) nomeadamente económicos, sem que os povos das nações tenham sido ouvidos ou achados antes da assinatura dos mesmos por banda dos seus governantes. Ou seja, trambiquices (termo eufemístico) mancomunadas nas costas dos povos para manigâncias armadas à revelia dos mais elementares princípios das regras democráticas.

Por outro lado, sobretudo os grandes conglomerados industriais, as grandes (e multinacionais) empresas estrangeiras conduziram nos últimos anos à ruína as indústrias de vários dos Estados comunitários (hoje dependentes da globalização) com isso destruindo as suas bases económicas e desorganizando as estruturas sociais dos povos dos seus territórios.

Outros dos motivos relacionam-se com os aspectos culturais, dado o choque entre culturas que continua a persistir no seio de alguns países, que são compostos por várias nações com idiomas, hábitos e desníveis sócio económicos (nalguns casos abissais) entre eles, por exemplo. Ou seja, são Estados onde residem várias nações e não estado/nação, como é o caso de Portugal.

Neste pacote podemos incluir também o carácter histórico das nações, coabitando muitas delas num estado/território como acima referido. Dado que existem por vezes entre elas rivalidades ancestrais, o agravamento do estado calamitoso das economias torna a vizinhança, a coabitação entre elas cada dia mais difícil, sobretudo quando uma das nações se assume de forma hegemónica, como é o caso de Castela, onde reside o poder centralizado em Madrid relativamente às outras nações que compõem o Estado espanhol, nomeadamente o País Basco e a Catalunha, por exemplo.

Ao longo de décadas, sobretudo à medida que a UE foi crescendo com a incorporação de novos Estados, a comunicação social europeia domesticada e destacados políticos, nomeadamente das áreas da social-democracia, democracia cristã e socialistas, proclamavam que o nacionalismo estava morto na Europa e que só esbatendo as «fronteiras» físicas, social e cultural dos seus membros entre si haveria esperança num futuro risonho para os europeus.

Contrariando estes «futurólogos», vimos assistindo (como acima referido) a uma crescente onda nacionalista que ameaça estilhaçar a bola de cristal onde os tais políticos e os seus serventuários visionaram uma Europa amalgamada ao gosto dos seus partidos e interesses corporativos.

Como exemplos: em Maio de 2016, na Áustria um candidato nacionalista esteve quase a conquistar a presidência desse país, com 49% de votos, pela primeira vez na história do pós-guerra.

Em Junho seguinte, o povo britânico em referendo votou pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia, num processo crismado de Brexit.

Por toda a Europa os sentimentos contra a UE continuam a ganhar força entre os eleitores, nomeadamente em França, Holanda, Bélgica, Dinamarca e Holanda, entre outros, na razão directa da exponencial teia burocrática emanada diariamente de Bruxelas, da crescente preocupação pelas vagas de centenas de milhar (já vai em milhões) de emigrantes, da monstruosa dívida financeira, das limitações à liberdade individual, dos atentados à democracia e do terrorismo.

O renascimento dos nacionalismos, país atrás de país, transformou-se numa séria ameaça ao projecto europeu concebido nos seus primórdios para evitar a guerra entre as nações do continente, nomeadamente as eternas rivais, França/Alemanha, pela procura e manutenção de uma paz duradoura.

Organizações políticas como a Frente Nacional (França) de Marine Le Pen, de que recordamos as suas palavras: «A França converteu-se na rameira da Arábia Saudita e do Catar»; Partido Popular Danés (Dinamarca) de Mikkel Dencker, do qual retemos a afirmação de que, «A Dinamarca está a perder a sua identidade»; do Partido da Liberdade Holandês, de Geert Wildres que disse: «Temos que acabar com o islamismo na Holanda»; as palavras expressas pelo líder do movimento neonazi da Grécia, Amanhecer Dourado, Nikolaos Michaloliakos: «Todos os imigrantes ilegais fora da minha casa, fora do meu país…», ou ainda o Partido da Independência do Reino Unido – UKIP, que tem como principal enunciado o abandono do seu país da União Europeia (em fase de conclusão), identificado até há pouco tempo como um partido eurocéptico , mostram que o nacionalismo está vivo e de boa saúde no presente quadro político europeu.

Uma realidade insofismável: - O nacionalismo está em ascensão, desmontando paulatinamente a «caldeirada esturricada» em que se transformou a política interna e externa dos Estados europeus.

O conceito de nacionalismo é ambíguo, mas não difícil de enquadrar.

É um termo evocando ideias, sentimentos e acções, onde cabem mais definições com as cambiantes relativas às regiões, nações e Estados. Trata-se, portanto, de um conceito multidimensional sempre que posto em prática.

Constitui uma ideologia associada a um movimento social apartado da sociedade internacional, debaixo da exaltação de uma nação entendida como uma entidade colectiva, com base nos laços que unem um povo, como a cultura, o idioma, a etnia, a religião e/ou a história.

Além disso, o nacionalismo é um sentimento que consolidada o indivíduo no seio de um grupo onde se sente identificado, em oposição a outros que o não representam.

As raízes do nacionalismo têm origem no século XVIII, nos ideais da Revolução Francesa e no Romantismo alemão, no século XIX.

Foi com a Revolução Francesa (1789) que o patriotismo foi exaltado com base nos enunciados e divisa da mesma: «Liberdade, Igualdade e Fraternidade», exaltando-se a nação francesa acima do Rei, dando primazia aos filhos da Revolução sob a liderança de Napoleão. Revolução que procurou implementar esta concepção no seio dos povos e das nações que foram conquistando pela força.

No século XIX, os alemães, inspirados no Romantismo, procuraram consolidar um só Estado para agrupar a nação germânica a partir do sentimento de identidades culturais comuns, idioma e religião.

Os movimentos nacionalistas não se unem debaixo de um único modelo. As suas tipologias são diversas. De acordo com o seu âmbito de actuação, podem procurar a independência de outros Estados, casos da Grécia e da Bélgica. O primeiro destes países, sublevado frente ao Império Turco em 1829 e o segundo, frente à Holanda em 1830. Ambos os movimentos saíram vitoriosos.

Outro caso de movimento nacionalista bem sucedido foi o da unificação de Itália numa mesma nação que se encontrava dividida em vários Estados, ao longo do século XIX.

Em suma: - É claro para todos os cidadãos que o sentimento nacionalista está em franca ascensão, difundindo-se, relançando raízes e aumentando o número de aderentes no seio dos Estados europeus. Cada vez que há eleições, estas inclinam-se em crescendo a favor dos partidos nacionalistas, sendo o triunfo do Brexit uma clara evidência desta realidade.

Enredado na sua própria teia, o sistema político sinuoso, vesgo, enviesado, corrupto e autocrático com sede em Bruxelas, não encontra (porque não quer) saída da trama que teceu, pelo que já se murmura que Bruxelas encomendou um requiem para ser tocado a acompanhar o enterro da União Europeia.

Até lá, a classe política eurocrata vai murmurando nervosa entre si: «Salve-se quem puder!».

Pedro Pereira

 

 

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