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O século das “Guerras da Água”.

03-11-2017 - Francisco Pereira

A água é a substância essencial da vida. Dito isto, há trinta anos que começámos a receber avisos acerca da necessidade de a preservar, no entanto pouco ou nada foi feito.

Vivemos num mundo em que fazendo fé nos números oficiais, grosso modo 1.8 biliões de pessoas não possuem acesso a fontes de água potável em boas condições.

A distribuição da água na superfície da Terra é extremamente desigual. Apenas 3% de água do planeta é potável, os 97% remanescentes fazem parte dos oceanos. Dessa água doce, 69% está nos glaciares, 30% pertence aos aquíferos subterrâneos, menos de 1% está nos lagos, rios e outros cursos de água.

Acredito que este século XXI verá o grande desenvolvimento daquilo a que chamarei “As Guerras da Água”. Esses conflitos, não necessariamente bélicos, muitos dos quais já se podem observar, em fenómenos como o os refugiados da África sub-saariana e norte de África, onde o colapso dos Estados conjuntamente com as alterações climáticas, produzem entre outros efeitos a escassez da água, forçando as populações a procurar refúgio onde pensam poder encontrar melhores meios de sobrevivência.

Ser quisermos recuar um pouco veremos que “As Guerras da Água”, são ainda do século passado, um dos seus episódios, foi por exemplo a conquista dos Montes Golan em Junho de 1967, ocorrida, durante o conflito conhecido como “Guerra dos Seis Dias, essa faixa de território pertencente à Síria, foi ocupada por tropas israelitas, supostamente para criar uma zona tampão na fronteira norte de Israel, sendo formalmente anexado em 1981, representa 1/3 da água potável do Estado de Israel.

Infelizmente cá por Portugal, andamos como de costume aos papeis, não há sequer um vislumbre de política de poupança de água, excepto a construção de barragens, cujo único objectivo é aduzir mais possibilidades para as negociatas com a produção de energia, subsidiariamente servindo para criar reservatórios de água.

Mas infelizmente apesar de estarmos avisados, apesar de termos constatado que as mudanças climáticas e os quadros de seca se têm vindo a agravar pouco ou nada se fez, sendo que muito do que foi feito foram coisas absolutamente intelectualmente indigentes como seja o plantio desregrado do eucalipto, planta que consome e retêm elevadas concentrações de água.

As perdas de água dos sistemas de distribuição, podem ocorrer por variadas causas, sendo as principais, que mais impacto causam as fugas em condutas de adução ou distribuição, as fugas nas paredes ou pavimento dos reservatórios e o extravasamento dos mesmos bem como as fugas nos ramais de ligação, até um metro e enterrados. Existem outros tipos de fugas, com menor impacto, sendo que tudo contabilizado e socorrendo-me de um estudo de 2013, cerca de 25% da água da rede em Portugal perde-se, para terem uma ideia a média do mesmo tipo de perdas nos países ditos desenvolvidos é de 15%, sendo que por exemplo a Holanda com os seus 117 mil quilómetros de rede de distribuição apresenta uma media de 4% de perdas de água, o que comparativamente com Portugal que tem apenas 75 mil quilómetros de rede e perdas de 25%, é um excelente exemplo do estado miserável em que estamos.

Neste estado de coisas, em que quase nada foi feito, não existindo mudanças de comportamentos, por exemplo, foi vulgar ver aqui onde resido, com o país à mingua de água, gente a lavar as pedras da calçada, a encher piscinas, ou a lavar carros em plena rua, desperdiçando água.

Como nada foi feito não admira pois que o país esteja em seca profunda, se a isso juntarmos a miseranda política ambiental, que tem levado à morte dos nossos cursos de água, à fraca consciência ambiental de uma população que parece ainda não ter intuído que o planeta é um ser vivo que precisa de ser respeitado, tudo isto concorre para o prenúncio anunciado de uma catástrofe ambiental que Portugal irá seguramente viver neste século.

Francisco Pereira

 

 

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