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COISAS DA MODA

27-10-2017 - Francisco Pereira

Recentemente, uma associação nacional, de rapaziada muito pouco inteligente, resolveu importar a moda parola, mais uma, de protestar contra estátuas, coisa que pessoalmente acho patética. Vai daí foram-se à estátua do Padre António Vieira que acusam de esclavagista, não devem conhecer a obra de António Vieira, naquilo que podemos classificar como uma das mais brilhantes manifestações de ignorância que nos foi dado o desprazer de ver.

Irritados com a galfarrice, uma outra agremiação de rapaziada, de índole de extremista, decidiu ir “proteger” a estátua. Esta situação patética, é bem reveladora da enorme ignorância que grassa neste país, afinal brancos e pretos, não são assim tão diferentes no que toca à burrice e à propensão para asnear.

Pego nessa situação para declarar algo, que não é importante, nem relevante é apenas a opinião de um cidadão, neste caso a minha, opinião essa que não pretende modificar a opinião de ninguém, seria muita presunção da minha parte presumir que aquilo que escrevo fará sequer, alguém mudar as suas convicções, não possuo essa importância, sou apenas um, mais um, pateta, que podendo e tendo espaço para o fazer, escreve umas atoardas, que certas ou erradas, tem por mero objectivo colocar os leitores a pensar, nada mais que isso.

Ora dizia eu, que acerca destas coisas da escravatura de africanos, de África e outras questiúnculas idênticas, tenho a seguinte opinião; no que concerne a África e aos PALOPS, pessoalmente não tenho nenhum sentimento de culpa, ao contrário de muita gente na sociedade portuguesa, não nutro aliás nenhum sentimento particular, nem nostalgia, nem desejo de conhecer nem muito menos culpa, direi até mesmo mais, se querem que vos seja honesto, estou-me nas tintas, não quero saber de dessa questão para nada, os africanos, os asiáticos ou os marcianos que se entendam, desenrasquem-se, façam-se à vida, tratem dos seus assuntos como quiserem, puderem ou souberem, detesto porém, ver o meu dinheiro desbaratado em ajudas a terceiros quando tanta falta nos faz aqui, para ajudar os nossos pobres velhotes e as nossas crianças, mais me dói quando alguns desses países riquíssimos desbaratam milhões, por intervenção de elites de cleptocratas corruptos e trapaceiros.

“Mas tu não estás a ver o todo da questão”, a globalização, o “efeito borboleta”, os milhares de portugueses que estão nessas paragens, os interesses estratégicos de Portugal, pensará o leitor mais avisado. Tenho isso tudo presente e bem presente, no entanto mantenho a mesma opinião, às malvas com África e quejandos, quanto aos tais “interesses estratégicos”, como pode um país indigente dar-se ao luxo de desbaratar fortunas com idiotices das quais não colhe sequer metade do investimento, porque concorre com potências de cofres cheios, que paulatinamente na última década tem conquistado esse tipo de mercados.

No que há escravatura de africanos concerne, acredito e sempre acreditei que foi um acto hediondo, detestável, uma página miserável da História da Humanidade, como foram todos os actos de escravatura ao longo de todos os milénios, onde todos os povos escravizaram outros povos, os africanos foram só mais uns, não diminuo a dimensão trágica da situação, mas essa ocorrência tem de ser encarada à luz da História, não extrapolando considerações para o Mundo actual.

Por muito brutal e bárbaro que tenha sido, foi-o sem dúvida, é altura de evoluirmos num sentido positivo, sendo certo que a escravatura continua, continuou sempre em qualquer ponto do Mundo, porque a maldade do ser Humano não conhece fronteiras. A prova-lo está que bastou uma proposta estapafúrdia de ir protestar contra uma estátua para que um grupelho de meliantes tomasse como suas as dores do país, noutro, mais um, revelador episódio da patetice nacional, essa actuação não nos dignifica em nada, uns e outros deveriam ter sido identificados e se possível autuados, um Estado de Direito não pode compactuar com idiotices deste calibre.

Em resumo, deixem-se de palhaçadas, aos senhores da tal associação, leiam Padre António Vieira, talvez aprendam alguma coisa, quanto ao grupelho direitista, ocupem-se a trabalhar em prol do bem-estar de todos, isso sim é patriotismo.

Francisco Pereira

 

 

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