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SOBRE AS FASES CHARLIE-DELTA DOS FOGOS

27-10-2017 - Eduardo Costa

Passados quase 15 dias, sobre a maior catástrofe nacional desde o terramoto de 1755 (exceptuando mortos e feridos), e verificando que os habituais “tudólogos” (vulgo sabichões/comentaristas), continuam a opinar sobre o que muitos não sabem nem sonham, pretendo com este pequeno contributo dar uma outra visão mais credível.

O DECIF-2017 (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais), é um dispositivo integrado de prevenção, protecção, combate e socorro, que garante em permanência ao longo de todo o ano, a resposta operacional (supostamente) adequada e a projecção das forças de protecção e socorro, em conformidade com os graus de gravidade e probabilidade dos fogos florestais.

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Este dispositivo, face à sua complexidade multitransversal, operacional e administrativo-logística, pressupõe um conjunto de acções envolvendo a formação dos efectivos, que no ano presente se encontra representado na 1ª imagem e de onde sobressai as 60 acções de formação do Exército, num total de 1320 efectivos, situação convenientemente desconhecida da população como convém.

Muita gente fala da Fase Charlie (e Delta) sem saber o que é. Vamos então esclarecer o que é!

Em conformidade com a sucinta caracterização do DECIF que acima efectuei, o ano civil é dividido em 5 fases – ALFA, BRAVO, CHARLIE, DELTA e ECHO – de 01 de Janeiro a 31 de Dezembro, em função do grau de ameaça previsível, fundamentado essencialmente na memória estatística, em termos de balanceamento de meios e níveis de prontidão.

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Ora assim sendo, é normal que a fase aguda – CHARLIE – decorra de 01Jul/31Set, sendo em termos de racionalização de meios face à previsibilidade de ocorrências, a fase DELTA de 01/31Out… A tal fase onde aconteceu a desgraça!

Para se ter uma ideia dos meios alocados nas fases mais críticas – BRAVO, CHARLIE e DELTA – apresento a imagem 3, onde se pode verificar uma distribuição equilibrada de meios, face aos dados de planeamento que existem; com uma EXCEPÇÃO GRAVE, que é o facto inadmissível, da Rede Nacional de Postos de Vigilância, constituído por 236 postos, ter sido totalmente desactivada na fase DELTA neste mês de Outubro.

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Nada justifica que o Sr.CorInf Joaquim Leitão, Comandante demissionário da ANPC (AutNacProtCivil) aprovasse este planeamento e o levasse a sancionamento político à Srª Ministra demissionária, com esta falha grave em termos de prevenção e alerta.

De resto, malgrado os “Tudólogos” criticarem o planeamento e balanceamento dos meios, não em função da previsibilidade do nível de ameaça, mas apenas da catástrofe ocorrida, sem referirem (por desconhecerem), o GRAVE facto acima exposto; pretendo assumir que, exceptuando aquela falha grave e uma outra de menor dimensão que adiante apresentarei; afigura-se que os meios estavam devidamente distribuídos… Claro que com as surpreendentes 500 ignições num só dia, maioritariamente de noite, jamais haveriam meios suficientes!!!

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Mas vamos agora especificamente aos meios aéreos empenhados! Conforme se pode verificar no quadro 4, mais uma vez a racionalidade do balanceamento dos meios se afigura equilibrada, face á memória estatística de previsibilidade da ameaça… Mas de novo com nova falha grave, a desmobilização do Heli de coordenação na Fase Delta… VITAL para o comando controlo e coordenação, em função dos elementos de informação obtidos em tempo real na linha das frentes, para a adequada e oportuna tomada de decisão, que jamais os meios terrestres conseguiriam tão eficientemente (ex: evacuação atempada de povoações, interdição de estradas, reposicionamento de forças, etc).

Sobre os cerca de 30 “boys” (?) que substituíram parte da estrutura intermédia de comando da ANPC, espero que o Poder Político tenha APRENDIDO A LIÇÃO…. Clientelas partidárias jamais se podem colocar em funções, cujas decisões ou indecisões, ponham em risco vidas humanas e património. Sobre isto apenas citarei um depoimento sobre anonimato, que apenas vem reforçar a urgente necessidade de implementação de uma estrutura de comando vertical militarizada “… sabem lá o que é combater o fogo sob pressão, com um “exército civil” em que o soldado não obedece ao capitão, o sargento conspira com os soldados, os cabos fazem o que podem mas á maneira deles e o comandante não manda nada porque o general é civil e sem formação…”

Por último, uma sucinta abordagem sobre o slogan de que “… a tropa nada faz e deve ir para as matas fazer patrulhas…” Claro que de gente que nunca calçou umas botas, nunca foi à tropa, ou tão pouco sabe o que é uma patrulha.

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Esses “tudólogos”, por ignorância ou má-fé (ou ambas), desconhecem ou omitem que existe uma Rede Nacional de 236 Postos de Vigilância, muito mais eficientes na detecção de fogos que 1000 patrulhas militares, localizados por pontinhos vermelhos no 1º mapa apresentado, criteriosamente localizados maioritariamente a norte do Tejo (com excepção do distrito de Bragança)…. Exactamente onde se concentraram as cerca de 500 ignições que provocaram os fogos de há 2 semanas.

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Nesta última imagem do mapa de Portugal, apresentam-se os índices de visibilidade que a referida Rede Nacional de Postos de Vigilância (RNPV) apresentam e, mais uma vez, se constata a preocupação de maior vigilância, nas zonas onde a orografia e/ou tipo de vegetação (o distrito de Bragança tendo maioritariamente a floresta tradicional, raramente têm fogos florestais) … Aliás RNPV essa, cuja criteriosa localização, coincidiu com a vaga de fogos daquele fim-de-semana, conforme comprova o registo que deles abaixo apresento:

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Para quê então patrulhas militares? RESPOSTA: Apenas em complementaridade da RNPV e em especial à noite, enquanto os nossos iluminados políticos não se lembrarem de equipar essa RNPV com câmaras térmicas de visão nocturna. Coisa que os nossos inúmeros “Tudólogos” também nem sonham nem sabem o que é, quando fazem os seus “palpites”.

A terminar, pretendo dedicar este meu pequeno contributo, a todas as vítimas desta enorme catástrofe nacional, cuja globalidade da sua dimensão, a maioria dos portugueses ainda nem sonha.

EDUARDO COSTA

 

 

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