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O limbo do Curdistão – Parte I

29-09-2017 - Francisco Pereira

Estima-se que 28 a 30 milhões de curdos, habitem nos 500 mil quilómetros quadrados, que constituem o território com maioria curda, dividido por quatro países, Irão, Iraque, Síria e Turquia, juntemos mais 10 a 20 milhões espalhados por vários países limítrofes e pela Europa, só na Alemanha residem cerca de 1 milhão.

O Curdistão iraquiano, goza de um estatuto autonómico desde 1970, confirmado por acordos em 2005, no território encontra-se a sexta maior reserva de petróleo mundial. Desde os séculos X e XI, que se encontram referências a estados curdos semi independentes, estes emirados permanecem maioritariamente sob a esfera de influência e controlo nominal do Império Otomano até ao final da Grande Guerra.

Com o tratado de Sévres de 1920, veremos os territórios curdos novamente separados por áreas de influência, descontente com esta situação a Turquia entra em guerra reconquistando vastas áreas a sul, o movimento nacionalista turco liderado por Kemal “Ataturk”, irá promover o conflito até ao estabelecimento de um novo tratado em 1923, o Tratado de Lausana, que definirá as fronteiras do novo Império Turco, separando definitivamente o Curdistão turco dos restantes territórios curdos, que ficarão integrados na Síria, no Iraque e no Irão, que por esta altura ainda estavam subordinados às administrações de França e do Reino Unido, conforme ao célebre acordo Sykes-Picot de 1916.

Na actualidade, existem quatro entidades políticas que mais ou menos aglutinam as orientações politicas do povo Curdo. O KDP, Partido Democrático do Curdistão, corrente maioritária do Curdistão iraquiano, com ligações ao governo turco, são aparentemente laicos e pró ocidentais.

O PUK, União Patriótica do Curdistão, próximos do governo de Teerão, tal como o KDP aparentam não ser hostis ao Ocidente. O mais conhecido será o PKK, Partido dos Trabalhadores Curdos, essencialmente a operar no Curdistão turco com importantes bases de apoio na Alemanha, é um partido de orientação marxista, com a guerra civil na Síria, surgiu o PYD/YPG, ou Partido da União Democrática que parece ser uma entidade subordinada do PKK, uma espécie de braço armado contando com as Unidades de Protecção do Povo.

Por último o KNC, Conselho Nacional Curdo, uma coligação de partidos curdos sírios não alinhados com o PYD/YPG, são próximos ao KDP, partilhando com este partido algumas orientações políticas.

Estas são as entidades políticas mais expressivas, existindo ainda espalhadas pelos quatro países onde estão implantadas zonas de maioria curda cerca de 18 organizações partidárias, muitas delas filiais locais dos partidos mais hegemónicos, incluindo uma de cariz religioso, o KIU, União Islâmica do Curdistão, organização influente nalgumas áreas, cujo discurso aparentemente democrático, é contrariado por algumas das suas acções concretas.

Os Curdos encontram-se politicamente igualmente divididos, mais ainda do que se encontram divididos em termos geográficos. Esta divisão parece jogar a favor dos seus inimigos, colocando a grande aspiração do povo Curdo, a de ter um país independente, num limbo de incertezas, que poderá gerar um novo conflito naquela área geográfica já de si tão atreita a confusões que descambam em confrontos com a consequente procissão de massacres, terroristas e horrores.

Certo porém, é que os Curdos mantêm uma inabalável confiança no futuro, muitos acreditam que a breve trecho a existência de um Curdistão livre e independente será uma realidade, porém esse sentir do povo é refreado pelos líderes dos vários partidos que falam antes em processos de autonomia governativa, ainda assim o que a maioria da população curda deseja, fazendo fé nos vários fóruns consultados, é que o Curdistão se torne num novo país que se sentará à mesa do conselho mundial das nações para com elas partilhar de igual modo as discussões sobre o destino do Mundo, mais fácil de dizer do que fazer, veremos como evoluirá a situação, que poderes se escondem, que interesses e que motivações poderão fazer derrocar o desejo dos Curdos.

Francisco Pereira

 

 

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