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Sai uma licenciatura para a mesa do fundo!

22-09-2017 - Francisco Pereira

O senhor Relvas e o senhor Esteves, são apenas dois dos mais tristes exemplos daquilo a que chamarei a mediocridade colectiva nacional, poderíamos ir buscar outros nomes sobejamente conhecidos pelas trafulhices académicas.

Estes são dois exemplos infelizes mas muito elucidativos daquilo que é o mundo obsceno e miserável da promiscuidade da política com o ensino superior.

Eu não me oponho a que se considere de algum modo a experiência profissional no decurso de uma licenciatura, porém, oponho-me veementemente à vergonha que foi e de certa forma ainda é este sistema de creditação, feito à medida das elites politiqueiras, para considerar as experiências profissionais dignas de créditos tais, que eximem os alunos, apenas alguns, de passarem pelo processo de aprendizagem comum e saltarem cadeiras como quem salta barreiras.

Este demérito do conhecimento além de atroz, torna-se bem exemplificativo da mediocridade nacional. Que mal que decorre de um pedreiro ser licenciado, ou um canalizador? Pessoalmente acho que isso só iria contribuir para termos pessoas melhores, no entanto aceito que com a qualidade miserável do ensino superior em Portugal, essa minha aspiração seja completamente utópica.

O que fica de uma licenciatura não são os conteúdos, são antes os métodos, a disciplina de trabalho, o alargar dos horizontes, a percepção diferenciada do mundo e uma série de ferramentas que sem passar por esse processo académico dificilmente se adquirem, uma licenciatura mais não é que uma licença para continuar a aprender, agora dotado de ferramentas para o fazer, prosseguindo assim a senda do desbravar do conhecimento.

Infelizmente o saber e o conhecimento, são em Portugal coisas com pouco reconhecimento, privilegiamos antes os métodos antigos, a cunha, o amiguismo, o nepotismo e o clientelismo, esses sim verdadeiras tragédias nacionais, que têm promovido bestas quadrúpedes, que nem para porteiros de urinol público prestam, a lugares onde exercem o poder discricionário dos medíocres.

Até porque uma pessoa pode passar décadas a fazer algo, sem nunca o fazer bem, logo, apesar de ter vasta experiência profissional, o seu desempenho é miserável, como se tem visto muitas vezes com esta rapaziada politiqueira e com os seus protegidos, cujos curricula, anunciados muitas vezes como invejáveis são apenas repositórios de sucessivos desempenhos imprestáveis de rapaziada inepta e incapaz.

Nos idos dos anos 90 do século passado proliferam as instituições de ensino superior, algumas verdadeiras aberrações feitas à medida desta maralha, vulgar era também ter no corpo docente um ou mais dos tragalhadanças, politiqueiros, dava prestigio, dizia-se. A maioria destas “aves raras”, licenciava-se em ziguezague, ou antes pela porta do cavalo, depois emprestava o nome como professor, em salas de aula onde nunca punha os pés.

Assim proliferou este mundo de interesses entre políticos e instituições de ensino superior, que tantos e tão bons frutos têm dado. Licenciaturas a esmo, dadas a imbecis, falcatruas e vigarices corolário do costumeiro “modus operandi” nacional. Triste é constatar que essas ligações se continuam a perpetuar, que continuamos a assistir a estas vergonhosas trafulhices, sem que ninguém lhes ponha cobro, ora eu imagino a quantidade de gentinha, de “dotores” que anda para aí com licenciaturas obtidas por creditação, uma espécie de ajuste directo, fazendo ruir todo o edifico do saber, tornando o ensino superior uma anedota, mais ainda do que aquilo que realmente já é.

Francisco Pereira

 

 

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