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OS DESERDADOS

08-09-2017 - Francisco Pereira

Todos os anos, assistimos ao mesmo sórdido e miserável espectáculo, ali a partir de Junho, com os primeiros calores e com a partida para férias da labregada nacional, lá vão os pobres cães e gatos despejados para a rua, emporcalhar ainda mais e tornar ainda mais miserável o aspecto das ruas nacionais, que em certas zonas podiam perfeitamente passar por um qualquer desses pardieiros de terceiro mundo.

Estava justamente a ler um artigo no jornal “O Almeirinense”, onde no arrazoado se lê a certa altura “há irresponsabilidade e incúria por parte das autoridades responsáveis e competentes”. Sei que estamos em período eleitoral, esta notícia não será pois inocente, no entanto existe alguma injustiça nessa afirmação.

A irresponsabilidade e incúria é de todos nós, enquanto sociedade, que compactuamos com isto, enchemos os apartamentos de cãezinhos, gatinhos, cobras, lagartos e peixinhos, muitas vezes por exercício de puro hedonismo por parte dos alegres donos que de forma egoísta encaram o animal como um objecto, negando-lhe a sua essência de ser vivo, que deve e merece ser tratado com dignidade e respeito.

Como escrevi anteriormente, é comum nesta altura, o abandono dos animais, é comum mas não é aceitável, nesse caso não deveria a edilidade já ter apostado em disponibilizar um serviço a preços módicos num gatil/canil que desse alojamento aos bichos quando as bestas dos donos vão de férias ou quando já não servem para caçar e são deixados à beira da estrada, pois se calhar já deveriam ter pensado nisso.

Por outro lado, a recolha selectiva também deveria ser acautelada com um campanha de esterilização, promovida pelos serviços da edilidade. Não deveriam também os agentes da Autoridade do Estado, coisa que pouco existe, fazer cumprir as leis e posturas municipais, intervindo fiscalizando, multando; por exemplo os donos porcos que deixam os cães defecar alegremente em barda pelos passeios e ruas desta terra, os cães passeados sem trela nem açaime, os cavalos à solta, pois se calhar deviam, mas isso custa muito, depois eventualmente teriam de multar os amiguinhos e era uma chatice do caraças, assim como está é que está bem.

Resumindo, eu até aceito, que efectivamente exista uma quota-parte de irresponsabilidade e incúria por parte das autoridades responsáveis, mas a fatia maior é dos cidadãos, ou antes desta labregagem que por aqui habita, que dificilmente se pode classificar como cidadão, porque com gente desta nem a melhor equipa de gestão do mundo, conseguiria tirar esta terra do buraco onde está, nem que a edilidade possuísse o dobro ou o triplo dos funcionários conseguiria debelar a maré de falta de civismo.

O abandono dos animais é uma acto cobarde, abjecto, sórdido e medíocre, que espelha muito bem o que somos enquanto sociedade, fazer de conta que este problema não existe é ainda a forma comum de tratar disto, assobiamos para o lado e fazemos de conta, porque afinal isto é o país do faz de conta, o verdadeiro país das maravilhas onde a Alice se sentiria em casa, uma gaiola de malucas temperada de mediocridade e alarvidade, pobres dos deserdados deste país, porque como ouvi a um dos seres mais lúcidos que conheci, era tido como maluco, “… nesta terra, não se pode estar em desacordo…”.

Francisco Pereira

 

 

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