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Segunda-feira 15 de Outubro de 2018  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

NUNCA É TARDE DEMAIS……..

28-07-2017 - Armindo Bento

“Um euro gasto a cobrir os prejuízos de um banco privado é um roubo aos contribuintes”.

Atravessamos um período em que se usa e abusa dos facebook e redes sociais como forma de "informação", e por isso deverá ser  prioridade procurar os dados, para podermos tirar as nossas  conclusões, baseadas em factos reais e não nas convicções, que temos e devemos  e podemos continuar a ter, para “os templos” que cada um frequenta ou não – isso será um problema, uma opção de liberdade individual de cada um. Devemos saber que durante décadas a comunicação social foi usada de forma oculta para manipular a opinião pública, e nem sempre de forma ingénua (vide a grande mentira sobre a guerra do Iraque e as armas químicas do Sadam, os “casos” ainda esclarecidos na eleição de Trump, ou ainda á bem pouco aquela da “queda duma aeronave em Pedrógão”). Ou seja, a comunicação social "respeitável", tinha o monopólio das "fake news", e também elas faziam parte do seu "core business". Neste momento perdeu esse monopólio. E quando se passa de monopólio para um mercado de concorrência, o trauma é sempre enorme.

Mas não será nenhuma destas razões que os jornalistas, e especialmente directores e editores de órgãos de comunicação social, reagem com uma rara violência a uma simples página de Facebook ou nas redes sociais. A razão é mais simples: os jornalistas, que se dedicam ao escrutínio, odeiam ser escrutinados. Sobretudo quando percebem que esse escrutínio é ouvido e lido por muita gente. Estão, aliás, muito pouco habituados a ser escrutinados de forma sistemática. E esse escrutínio torna-se especialmente cruel quando a quase totalidade das empresas de comunicação social está virtualmente falida.

A este propósito a entrevista de hoje do Dr Ricardo Salgado, que se pode ler aqui  https://www.dinheirovivo.pt/banca/galeria/ricardo-salgado-o-banco-de-portugal-e-que-criou-os-lesados-do-bes/ e que, foi quase “omitida, suprimida” pela imprensa, nomeadamente , talvez porque o entrevistado afirma que  “acerca do colapso do BES, durante toda a entrevista deita culpas ao governador do Banco de Portugal e a Passos Coelho”, leva-nos a relembrar que está em causa muitos milhões de euros, que foram suportados pelos impostos dos portugueses, nomeadamente, pelos reformados,  pensionistas e pelos que dependem do salário, que o governo presidido pelo senhor Passos Coelho decidiu “fanar, surripiar”, em especial a estes portugueses, com a aplicação de impostos extraordinários que atingiram, em exclusivo os respectivos rendimentos destes cidadãos. Uma primeira questão para onde foram esses milhões de euros e para quem? Quem foram os “beneficiários” desses milhões de euros? Porque é que  os impostos pagos pelos portugueses, nomeadamente os impostos extraordinários, que durante 4 anos (2011-2015) foram aplicados compulsivamente e ilegalmente aos reformados e pensionistas, de acordo com a decisão do Tribunal Constitucional, não foram devolvidos aos seus legítimos beneficiários?

Hoje sabemos que mais de 3 milhões de portugueses foram espoliados dos seus rendimentos, nomeadamente os reformados e pensionistas, enquanto os beneficiários dessa espoliação não ultrapassará os 200 mil, entre os quais os cerca dos 10 mil mais ricos do País, por isso o que impede que até hoje, ainda não fosse publicitada a listagem desses “beneficiários” dos “ditos créditos bancários”, que foram, estão e tem de ser suportados pelos impostos dos portugueses?

Por isso tem actualidade fazer uma leitura profunda e atenta do parecer da Procuradoria  Geral da Republica sobre a imputação de responsabilidade civil aos enfermeirospelos danos causados aos utentes, quando designadamente não seja salvaguardada a prestação de determinados serviços", se , no caso em apreço foram salvaguardados pelo então governo do senhor Passos Coelho os serviços prestados pelo Estado de modo a reduzir ou evitar os danos causados aos reformados e pensionistas?

Foi o PS que teve um papel determinante na inspiração constitucional do princípio da legalidade (que significa que todos os processos conhecidos têm de ser investigados), foi o PS que sempre defendeu e reforçou a autonomia do Ministério Público, foi o PS que impulsionou a criação e a extensão dos departamentos de investigação e acção penal, foi o PS a força democrática a que os sectores moderados das magistraturas sempre recorreram para moderar os ímpetos destrutivos de algumas políticas dos governos PSD e PSD/CDS, o que é que impede, que sobre esta matéria se esclareça os cidadãos? O que impede que se responsabilize quem tem que ser responsabilizar? É preciso, muito mais na política, ajudar a construir alternativas. Caso contrário a exigência torna-se apenas numa forma de suicídio democrático. A questão é se para além de escrutinar e exigir ainda somos capazes de construir e de manter alternativas ao “desvio de direitos e deveres de cidadania” praticados pelo governo do senhor Passos Coelho?

E por aqui me fico. Nunca é tarde para tentarmos corrigir erros das nossas vidas. Depende de nós próprios e de aceitar corrigir esses erros.

Armindo Bento (economista aposentado)

 

 

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