Edição online semanal
 
Terça-feira 17 de Julho de 2018  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

Os do Migalheiro

28-03-2014 - Eurico Henriques

Uma das palavras que fazem parte do nosso uso comum é a palavra “mealheiro”. Esta vem de mealha que quererá dizer bocado, pequena porção. Assim ao dizermos que estamos a fazer “um mealheiro” ou a “amealhar” queremos concretamente referir que estamos a poupar.

Quem pouca procura proteger o seu futuro de incertezas, conseguir uma proteção para os momentos em que possa haver maior número de dificuldades.

Só que estamos a assistir a uma reconversão desta forma de procedimento ancestral. É que o que se passa com os nossos atuais dirigentes é que introduziram um novo processo, que – a meu ver – será o de “migalheiro”. Esta palavra refere-se a migalhas, também querendo dizer pequenas (muito pequenas) partículas de qualquer coisa, geralmente comida, que sobram. Já tenho ouvido, em linguagem popular, a transformação da palavra em substantivo: o migalheiro, que se refere ao objeto onde se guardam as ditas migalhas.

Este processo consiste em transformar o que seriam as ditas poupanças, as mealhas, que procurámos realizar durante o nosso percurso profissional, em migalhas, retirando-lhes todo o valor e importância.

Somos muito ricos, estamos a viver acima das nossas possibilidades. É o que ouvimos.

Acrescente-se os que dizem que “acordámos com uma grande ressaca”. Eureca. Está descoberta a pólvora, ou melhor, encontraram a solução económica e financeira para resolver e solucionar as dificuldades do país, hajam migalhas para toda a gente.

Acrescento a este discurso o que o nosso Presidente da República referiu recentemente. Só em 2035 – mas que precisão numérica e temporal – é que vamos sair da crise. Leia-se: pode ser que já não tenhamos as migalhas. Ora, traduzindo a afirmação para a nossa temporalidade, o que temos é uma perspetiva de vida que já não oferece horizontes de esperança.

É que aí, a esse tempo messiânico, poucos serão os que chegarem. É claro de bengala ou cadeira de rodas.

O poeta Augusto Gil termina uma célebre balada da neve que escreveu, com os seguintes versos: “cai neve na natureza / cai neve no meu coração. Mas sejamos de espírito alevantado e inconformista. Isto vai mudar, é insistir!

Eurico Henriques – Lic.º em História. Mestre em Ciências da Educação.

 

 

 Voltar

Subscreva a nossa News Letter
CONTACTOS
COLABORADORES
 
Eduardo Milheiro
Cordenador
Marta Milheiro
   
© O Notícias de Almeirim : All rights reserved - Site optimizado para 1024x768 e Internet Explorer 5.0 ou superior e Google Chrome