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SÓ PODE SER UMA “AVARIA CEREBRAL”?

07-07-2017 - Armindo Bento

Não podemos pactuar com a onda de cinismo e hipocrisia que nos invadiu, não só a “classe politica, mas também jornalística”, e foi alargada pela imprensa a propósito dos denominados incêndios em Pedrogão Grande, pois também foram e são uma forma de mentir – exemplifica-se claramente com a intervenção não só de Passos Coelho, no seu anuncio de suicídios, mas também da muito “difundida queda de um avião” que, salvo melhores conhecimentos, constituiu uma forma de alarme social grave, passível de avaliação criminal, por parte de quem tem a obrigação e dever de zelar pelo cumprimento das leis e defesa do interesse publico.

Com este grave acontecimento ficou demonstrado claramente a clara incompetência daqueles que deviam saber informar, esclarecer e dar conhecimento dos factos e dos acontecimentos que pelo seu relevo público, devem ser participados pelas formas diversas, em especial pelos “denominados profissionais da imprensa”, escrita e falada, com maior relevo e responsabilidade para as televisões – o que vimos, repetidamente foi a “tentativa de espectacularidade onde a sobriedade devia ser realçada”, deixando-nos uma clara conclusão daquilo que todos já sabemos – a verdade e os jornalistas, incluindo alguns políticos, estão há muito de relações cortadas!

É neste registo manso que manifesto outras estranhezas, sabendo não só que “a melhor maneira de chegar a lado nenhum é seguir a multidão”, e como diz um ditado popular “dificilmente se acerta o tiro, quando há mais alvos que balas”. Mas nunca é tarde para aprender, pois quanto mais avançamos na idade e na vida, mais sabemos que pouco sabemos – isto ajuda a sabedoria da humildade – tão esquecido pelos “interventores” (políticos, comentaristas e outros servidores da imprensa).

Hoje já sabemos que houve 64 vitimas, das quais 47 pessoas morreram na Estrada Nacional 236-1 ou nos seus acessos, sendo que pelos relatos, as vítimas do incêndio dirigiram-se de Norte para Sul (de Castanheira de Pera para Figueiró dos Vinhos), enquanto que a GNR cortou o IC8 às 18h50, dando como alternativa a EN 236-1 no sentido Figueiró dos Vinhos-Castanheira de Pera (isto é Sul para Norte), não há registo público de uma vítima que tenha seguido no sentido Sul-Norte, em resultado dessa ordem.  Por outro lado é conhecido que   na zona de Escalos Fundeiros, há registos de 300 descargas eléctricas na zona e que houve condições de excepcional complexidade que levaram a uma propagação rápida do incêndio — o tal fenómeno downburst, "ou seja, vento de grande intensidade que se move verticalmente em direcção ao solo, e que após atingir o solo sopra de forma radial em todas as direcções".E o que tem feito alguns políticos e a nossa imprensa?

O mais grave é que se “esqueceram” de realçar o trabalho incansável e perigoso realizado pelos bombeiros, nesse dia houve mais de 150 incêndios no nosso País, pelas forças de segurança e pelos militares na defesa das populações e dos seus bens, com enorme sucesso, basta comparar com os incêndios em Espanha, na semana passada, e cuja gravidade não é comparável, que foi apenas um incêndio comum, não associado a uma trovoada seca, nem ao fenómeno do downburst (parecido com tornado) dando preferência a discussões – como alguns disparates de gentes atrasados mentais em que afirmavam que “as faíscas são comparáveis a um isqueiro”-, gente que desconhece a força de um trovão, de descargas eléctricas, mais perigosas em tempo seco, que destrói qualquer árvore de grande porte – nunca viram? Ou que repetiam quando se “demitia este ou aquele” – será que esta gente serve o País?

No entanto, muito eu gostava que se parasse de achar que é através do Direito Penal que se resolvem os problemas das vítimas. É todo um gerar de expectativas impossíveis de satisfazer que desgasta a justiça penal, criando pressões para condenar a todo o custo e frustração perante absolvições necessárias. A existência de falhas não é sinónimo de responsabilidade penal. Pode haver responsabilidade política, administrativa, civil. Não é através do Direito Penal que se vão resolver as eventuais falhas de previsão, coordenação ou resposta que se venham a detectar. É através dos meios administrativos (planeamento florestal, medidas de contenção da floresta junto a habitações, melhoria do sistema de comunicações, melhoria da resposta da protecção civil, GNR, bombeiros, etc.).Não é através do Direito Penal que vamos compensar as vítimas. É através do direito administrativo e civil (reconstrução e indemnizações).”

Não há responsabilidade penal colectiva. Estamos a falar de pessoas que estavam no terreno, num dos piores incêndios de sempre. Terrível, imprevisível, impiedoso, será que o “guru” Marques e o seu “líder” Passos não sabem disso?

E, ainda lamentável e triste, foi ver o pobre do senhor “Passos Coelho, que com a lucidez de uma barata tonta, oscila sem sentido que nem um tornado, veio subitamente em defesa das celuloses proclamando que não são os eucaliptos os responsáveis pelos incêndios, mas sim o mato a seus pés. Bravo, descobriu a pólvora — literalmente! De facto, o fogo nunca começa por cima, pela copa de árvore alguma. Começa sempre por baixo, pelo mato, pela resina, pela caruma dos pinheiros, pelo que houver de combustível em baixo”. Sabia disto? É verdade que Passos nunca teve especial apego pela verdade nem, tão-pouco, revelou quaisquer vestígios de pudor na moderação do verbo, do recurso à demagogia desmedida ou mesmo à aldrabice pura e simples. Posto isto, sugiro que alguém lhe empreste um espelho, uma Constituição e um álbum, comparado, de recortes dos jornais do tempo do seu governo com as metas que aceitou, e falhou, e os sacrifícios que, em vão, impôs a milhões de Portugueses.

Armindo Bento (economista aposentado)

 

 

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