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Mais trabalho, na pesca da sardinha, do que proveito

16-06-2017 - Henrique Pratas

São longas as horas de mar para pouco peixe na rede.

A arte de pescar sardinha

Doze horas a bordo de uma traineira. Uma noite inteira de trabalho para responder à procura da sardinha nos mercados. Estamos em vésperas de santos populares, não é a melhor altura para a sardinha. Pelo menos, não é a altura do ano em que este peixe é melhor.

“A sardinha no ponto é gorda, grande, e, quando vai a assar, pinga. Só no fim de Junho, Julho, é que a sardinha está no ponto”, explica um dos 16 homens que se fizeram ao mar na primeira noite de Junho, no porto da Póvoa de Varzim.

O resultado da faina são quatro toneladas de peixe, mas só pouco mais de metade é sardinha. É manifestamente pouco para compensar os custos: “uma noite de trabalho são 700 a 800 euros só em gasóleo”, lamenta o patrão da embarcação.

O patrão da embarcação reconhece que, até ao momento, ainda não conseguiu “pagar à rapaziada”.

O patrão da embarcação chega a temer que, no final da época, não seja possível “caçar a sardinha que devíamos caçar”. O mesmo é dizer ficar abaixo da quota estabelecida pela União Europeia, que fixa um limite de 6.800 toneladas para a frota portuguesa.

Só que, nesta altura do ano, o preço do cabaz está indexado à qualidade do produto. Dezasseis euros por cabaz (cerca de 22,5 quilos) é o preço estabelecido na lota de Matosinhos.

“Muito mau”, reconhecem os pescadores, que ainda assim, que “a sardinha ainda está seca”. Com o aproximar dos santos, o preço tende a aumentar: "as pessoas compram sempre, tenha qualidade ou não".

Uma ideia partilhada pelo patrão, é que “a sardinha ainda é escassa”, e a maior parte das vezes vem à rede misturada com a cavala.

Outros pescadores da embarcação da Póvoa de Varzim, está na banca improvisada à saída da traineira “a apartar o peixe”. Entre sardinha e cavala “é meio por meio”.

Durante a madrugada, a tripulação capturou cerca de quatro toneladas de peixe. Foram dois lanços de rede ao mar. Dois cercos montados ao largo de Matosinhos, onde a sonda detetou os cardumes mais abundantes, após três horas de procura.

No entanto, as doze horas de trabalho renderam não mais do que 1.600 euros. “A minha rapaziada não recebe há um mês”, desabafa o patrão da embarcação.

E o que fazer a tanta cavala? São aproximadamente duas toneladas de peixe que não apresenta os 20 centímetros de comprimento mínimo para ser vendida.

Exemplo: “Esta tem 18 ou 19 centímetros. Por dois centímetros vai fora, vai ao mar.” E vai morto. Mas o patrão garante que teria clientela: “a vender a cinco ou seis euros o cabaz, parece que não, mas já dava para o gasóleo. As fábricas querem este peixe para a conserva para Itália, porque os italianos gostam disto”.

Contra o que classifica como um desperdício sem lógica, o patrão pede ao Governo que repense, por exemplo, a hipótese de uniformizar o período de captura para todas as espécies que podem ser pescadas pela arte do cerco.

Estamos a escrever sobre as dificuldades reais e apontaram-se algumas medidas que devem ser tomadas, fazem-se sugestões ao Governo será que este os ouve, seria bom se este os ouvisse e desse condições para que se concretizassem os desejos manifestados.

Mas não nos podemos esquecer do fez o ex-primeiro ministro e ex-presidente da República, que deus o tenha em bom descanso e afastado das lides governativas, que acabou praticamente com toda a frota pesqueira foi uma aposta que ele fez e que ganhou, a meu ver mal, porque a recuperação que urge fazer neste setor de atividade para o qual estamos vocacionadas vai levar anos, quando os dinheiros que chegaram da União Europeia poderiam ter sido investidos no desenvolvimento deste setor conjugado com o da construção e reparação naval, constituiriam um pilar para o desenvolvimento da atividade económica portuguesa a aposta foi outra foi mais para a especulação financeira, para a aquisição de grandes mansões e viaturas de topo de gama e agora estamos positivamente e no sentido literal do termo com as calças na mão.

Andamos a balões de soro, conforme o vento sopra ou alguém o encaminha para nós, assim vamos andando, as pessoas sabem o que querem e como fazer é preciso ouvi-las e fazer com que elas se sintam parte integrante de um processo coletivo de outra forma não vamos lá, os “iluminados” não nos levam a lado nenhum, o conhecimento a maior parte das vezes, se não na generalidade, quem está fechado nos gabinetes não conhece a realidade e esta é que é determinante para que se tomem medidas de politica económica que levem o nosso País a bom porto, estamos cansados de teóricos, de fazedores de opinião, há que meter as mãos na massa e falar com quem sabe das coisas, só assim conseguimos chegar a algum lado se é que é isso que pretendemos.

Mas voltando às sardinhas, no texto não se fez referência nenhuma ao sabor e ao abem que faz há alma das pessoas comerem uma boa sardinhada, o que acabei de escrever também tem que ser levado em consideração porque isto dá satisfação às pessoas, contribui para o seu bem-estar, isto não tem preço, mas pode-se quantificar medindo o bem-estar da população.

Henrique Pratas

 

 

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