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A DESFAÇATEZ TEM LIMITES. NÃO SÃO SÓ TRETAS, SÃO INSULTOS!

02-06-2017 - Armindo Bento

Como diz o povo, “ não importa quantas vezes uma mentira for demonstrada, sempre haverá uma percentagem de pessoas que acreditam que é verdade” . Trata-se de uma das muitas versões de uma frase popular de Mark Twain, que disse que “uma mentira pode dar meia volta ao mundo enquanto a verdade ainda está a calçar os sapatos.”

Vem isto a propósito da ousadia insultuosa de Passos Coelho e os seus comentadores de serviço que estão, no mínimo, em estado de choque, e deveriam escolher um fato negro escuro e gravata preta, pelo seu descaramento de um cinismo atroz ao tentarem

colar-se ao sucesso do feito alcançado, pelas politicas do Governo do primeiro ministro Dr António Costa.

Assistimos de facto a uma caricatura burlesca de ver o descaramento Passos Coelho entrar nas televisões, ao meio dia em ponto, para saudar o acontecimento como se fosse ele o primeiro-Ministro em funções, e tentando assim recolher também os louros do evento. Uma desfaçatez de grande gabarito só mesmo ao nível desta personagem que teima em não sair de cena.

Ver de forma abusiva a arrogância de quem, juntamente com Vítor Gaspar e Maria Luís, Portas e restante companhia , conduziu políticas que forçaram a falência de milhares de empresas viáveis, que mandou para o desemprego 400 mil pessoas e o dobro disso para a emigração, ter a suprema lata de vir reclamar, por pretensas reformas que não fez, a paternidade do sucesso alcançado , é apostar numa amnésia colectiva dos portugueses. Se tivessem um pingo de pudor político, já se teriam há muito calado de vez ou teriam emigrado daqui — e se no PSD ainda conseguisse manter alguma lucidez de espírito no meio do desnorte em que navegam, há muito que a teria reduzido ao silêncio esta gente.

Temos memória e não podemos esquecer que depois de, todas as previsões de desastre anunciadas e do diabo encomendado por Passos Coelho, o insucesso “matematicamente” garantido por Maria Luís Albuquerque no cumprimento dos 2,5% de défice previstos pelo actual Governo e a anunciada inevitabilidade de um orçamento rectificativo, algures a meio de 2016, tudo saiu, não apenas furado, mas ridicularizado. O défice foi de 2%, o mais baixo da democracia (com o saldo primário mais alto da zona euro); ao contrário do que aconteceu com todos os orçamentos do Governo PSD-CDS, não houve necessidade de qualquer orçamento rectificativo por desacerto entre as previsões e a execução; e, quanto ao Diabo, estamos assim, actualmente: a maior taxa de criação de emprego da zona euro e o a terceira maior taxa de crescimento do PIB na Europa. Enfim, e mais traumático do que tudo, deve ser perceber que isto aconteceu devido a uma combinação entre as medidas virtuosas que o anterior Governo anunciou e não fez (a contenção da despesa pública, que substituiu pelo “enorme aumento de impostos”) e a adopção de outras medidas que eles haviam jurado estarem erradas, como a aposta no relançamento do consumo privado, através da devolução parcial de alguns dos rendimentos mais baixos, que o anterior Governo saqueara. Ou seja: de fio a pavio, os factos e os números (que valem bem mais do que os estados de alma ou as promessas eleitorais) provaram que a política económica do Governo de Passos e Portas estava errada e foi um desastre para o País e para a vida concreta de milhões de portugueses, que viram os seus rendimentos do trabalho, reformas e pensões surripiadas.

Não o reconhecer, não aprender com os factos e manter o mesmo discurso, pretendendo ainda que os portugueses lhes reconheçam os méritos das melhoria da conjuntura devido a ter-se feito exactamente o oposto do que preconizavam, ou é desespero ou é má fé, de alguém que anunciou que foi muito além do previsto no memorando, fazendo de Portugal um “banco de testes” para experiências de política económica de pretensos “ditos economistas travestidos de neoliberais”.

Convêm lembrar que tendo Passos ameaçado com o diabo e previsto as maiores catástrofes decorrentes das políticas deste governo, como pode agora vir dizer que com outras políticas também teria atingido a mesma meta? Se as políticas do governo do Dr António Costa, para Passos, sendo más, horríveis e pronunciadoras do cataclismo, conseguiram um resultado que ele aplaude agora, como pode ele querer juntar-se ao sucesso alcançado, se passou meses a criticar o programa económico que permitiu lá chegar?

Numa frase atribuída a Mark Twain este dizia que “algumas pessoas nunca cometem os mesmos erros duas vezes. Descobrem é sempre novos erros para cometer”.

Somos levados a concluir que o que dói a Passos e aos seus fanáticos seguidores, é que, com este governo, os trabalhadores, reformados e pensionistas passaram a pagar um pouco menos e a receber um pouco mais, que por direito lhes pertencia e havia sido surripiado, fanado pelo governo do senhor Passos. É triste, é muito triste que sintam tantas dores. Mas a avareza é a praia deles. E como dizem os Evangelhos, a avareza é um pecado muito, muito feio, considerada até um dos sete pecados capitais.

É, por isso também que, a teoria presidencial sobre o “mérito” branqueia os erros cometidos pelo governo de Passos e companhia e por todos os analistas e comentadores que defendiam que não havia alternativa à austeridade que tanto sofrimento causou aos portugueses. Ora, ao contrário dos pressupostos da teoria presidencial, o sofrimento dos portugueses foi-lhes imposto pelo governo de Passos e Portas que se tivessem continuado em funções aplicariam as mesmas políticas e a mesma defesa da austeridade para a qual defendiam não haver alternativa.

Neste, como noutros casos, o mérito deve ser atribuído a quem o merece. Atribuí-lo a todos é não o atribuir a ninguém. Entre o governo do Dr António Costa e do senhor Passos Coelho ou entre as políticas do professor Mário Centeno e do Dr Vítor Gaspar e Maria Luis vai um oceano de diferenças. Anulá-las é negar a realidade, precisamente o que o Presidente pediu que não fosse feito mas que ele fez com a sua teoria do mérito.

Não é um exercício intelectualmente honesto aquele que o presidente Marcelo fez, dizer que politicas absolutamente contraditórias têm o mesmo resultado ou que se complementam é uma forma de desvalorizar o debate de ideias e impede uma avaliação do desempenho dos governos, e o presidente sabe que isso não corresponde à realidade. Qual a razão que o levou a produzir tais afirmações? Não sabemos…..! O que eu sei, citando um dito popular: “Só existe um lugar no mundo onde a palavra Sucesso vem antes da palavra Trabalho: no dicionário”.

Armindo Castelo Bento (economista aposentado)

 

 

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