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LUVUALU: O OXIGÉNIO DO CAMARADA PRESIDENTE

28-04-2017 - Rafael Marques de Morais

“O oxigénio que respiramos também é um ganho da paz”, afirma António Luvualu de Carvalho, embaixador-itinerante e membro do Comité Central do MPLA, em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA).

Trata-se de uma declaração cujo intuito é endeusar o presidente – o arquitecto da paz – e colocar o MPLA ao mesmo nível que o conselho de apóstolos de Jesus Cristo, ou seja, “intangível”, para usar uma palavra muito cara a Luvualu.

Nas redes sociais, as palavras de Luvualu correm a uma velocidade extraordinária. Nem mesmo João Lourenço, cuja figura monopoliza agora, diariamente, as atenções e laudas da TPA, RNA e do Jornal de Angola, consegue ter tanto impacto quanto o ilustre académico do MPLA.

O MPLA deve começar a reflectir sobre os efeitos contraproducentes de tantos anos a amordaçar os intelectuais, a censurar e a pisotear a inteligência dos angolanos que pensam de forma livre e independente.

Temos, assim, uma comunicação social do Estado que passou a ser o repositório da estupidez daqueles que, a coberto da sua militância nas mais altas esferas do MPLA, transformaram o “falar à toa” na ciência política do regime.

Quando o dirigente general Bento Kangamba fala publicamente sobre o trabalho do MPLA em garantir-nos “energia potável”, rimo-nos todos da ignorância do homem e ficamos por aí. Mas Bento Kangamba é uma figura extraordinária, é um lúmpen bem-sucedido que entretém os angolanos que troçam da sua própria tragédia.

Kangamba tem graça, Luvualu não.

Luvualu é um Kangamba que fala bem português, com mestrado de universidade portuguesa. Não passa pela cabeça do ilustre representante do MPLA que, sem oxigénio, nem sequer teria havido guerra. Estaríamos todos mortos. Eventualmente, só o presidente José Eduardo dos Santos teria sobrevivido à falta de oxigénio no seu papel de “Deus pagão”. Mas o que é um deus sem seres para criar e orientar? É nada.

Algo parece revelar que no seio do MPLA começa mesmo a faltar oxigénio suficiente para garantir a sobrevivência de um regime tão minado pela malandragem e astúcia. Já não conseguem prometer nada, nem água, nem luz, e agora querem chantagear-nos com o ar que respiramos! Só pode.

 

 

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