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O PIRUETAS NÃO CONHECE A LEI DE PARETO?

27-01-2017 - Armindo Bento

"Há quem se deleite com o triunfo da táctica sobre a substância, do golpe sobre a coerência, da necessidade de um posto de uma liderança partidária sobre o que interessa verdadeiramente aos trabalhadores e às empresas" (Dr. Vieira da Silva) 

Perante os factos…creio que ninguém foi surpreendido pela aprovação do “projecto do PCP e BE”, que cessa a vigência da redução da TSU e que foi aprovado com os votos a favor do BE, PCP,PEV e do PSD com a abstenção do CDS e PAN e os votos contra do PS, e por isso me apetece dizer que o “piruetas” – qualificação dada no debate a Passos Coelho – não conhece, o que também não admira – a Lei de Pareto.

Ao longo do debate, o PSD de Passos Coelho nunca conseguiu descolar da ideia de que a razão maior da birra contra a aprovação da baixa da TSU esconderia na verdade uma oposição ao aumento do salário mínimo, aliás o que ficou bem vincado que o PSD de Passos Coelho “ não está tanto contra esta medida mas contra o aumento do salário mínimo”. Nada disto enobrece ou contribuiu para uma democracia saudável. Este é o problema do PSD. Enredou-se numa teia de factosalternativos num tempo da já insuportável ideia da pós-verdade. Corre agora o risco de cair num mundo distópico, em que a verdade de ontem pode ou não ser a verdade de hoje. Depende das oportunidades e das conveniências Nada disto é normal…!

Quem ontem, teve a paciência necessária para acompanhar nas televisões em direto o debate parlamentar em que se discutiu se a TSU das entidades patronais ou dito de outro modo “dos patrões”, deve ou não baixar, para compensar a subida do salário mínimo (remunerações mínimas garantidas e não o impropriamente classificado como “salário mínimo”- fico na duvida se os “senhores políticos e jornalistas sabem isso?”) de 530 para 557 euros. Só os pode ter visto, mas não ouvido e muito menos escutado. Os dedos em riste, as expressões faciais vincadas, os sorrisos irónicos ou cínicos, os aplausos entusiasmados “aos chefes”. Foi isto o culminar de quatro semanas de troca de argumentos, de cambalhotas políticas e acrobacias retóricas. Os entendidos chamam a isto debate político. Olhando para as bancadas do Parlamento, assim, sem som, diria que é um teatro. Um teatro absurdo, se tivermos em conta que, na sua origem, está, afinal, se é ou não possível pagar mais um euro por dia a cerca de 650 mil trabalhadores. E já agora quanto terá custado está “sessão parlamentar – para lamentar- ao País e aos portugueses?

E a este propósito ficou claro que os “spindoctors” de Passos Coelho não conhecem, ou com a pressa toda não se lembraram dos conceitos transmitidos pela  Lei de Pareto (também conhecido como princípio 80-20).  A lei baseia-se na verdade no Princípio 80/20, descoberto em 1897 pelo economista italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), segundo o qual 80% do que uma pessoa realiza no trabalho vêm de 20% do tempo gasto nesta realização, e num estudo sobre a distribuição da riqueza em diversas sociedades, Pareto notou em todas elas que uns poucos detinham uma grande parte da riqueza (20% da população detém 80% da riqueza), ao passo que cerca de metade da população detinha um valor muito reduzido (50% detêm 5%). Logo, 80% do esforço consumido para todas as finalidades práticas são irrelevantes. Para aqueles que já ouviram falar sobre a lei de Pareto e no seu impacto na gestão de tempo, gestão empresarial, economia, desenvolvimento pessoal, entre outros, e também agora   fomos confrontados com disciplinas na área das ciências sociais e neste caso concreto com a “gestão das expectativas da acção politica”.

É que para mim o que esteve em causa neste simulacro de debate politico foi tão só aquela fatia de eleitores que se exprimem, em cada momento, através do voto e de acordo com os seus interesses, cerca de 20% dos “eleitores considerados de direita e que “praticam o voto volante” e o objectivo do Partido Socialista foi dar espaço para que na comunicação social, em particular nas televisões, passasse a imagem do PSD a votar contra uma solução acordada em concertação social que favorecia as empresas. O Governo quis assim capitalizar politicamente a “fotografia” de Passos Coelho e os outros deputados do PSD a levantarem-se no hemiciclo de São Bento e a votar ao lado dos do BE, PCP e PEV e deste modo conseguir capitalizar esse voto. Isto é enquanto o Governo fez os seus cálculos, olhou para aquilo que têm sido as posições do PSD, que sempre afirma que “o interesse do país prevalece sobre o interesse do partido”, conseguir demonstrar que neste caso, o interesse de Passos Coelho com os seus deputados prevaleceu sobre o interesse do País! Muito estranha, a visão de Passos Coelho sobre a política e a sociedade. A sua raiva latente, que leva ao triunfo do populismo e da demagogia às raias do absurdo, tem saltado para a rejeição cada vez maior não só dos cidadãos, mas também do jornalismo e dos comentadores, e, por isso como disse Sá Carneiro, “A política sem risco é uma chatice, sem ética é uma vergonha”.

Armindo Bento (Economista Reformado)

 

 

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