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REFLEXÃO SOBRE A VIDA -E A MORTE

02-12-2016 - Francisco Garcia dos Santos

Nos últimos 7 ou 8 dias (como se queira) ocorreram datas que assinalam momentos históricos de relevo na História de Portugal –a saber: 25 de Novembro de 1975 e 1 de Dezembro de 1640 (e assim as menciono apenas por mera sequência de calendário, que não de importância política para Portugal.)

Tinha intenção de escrever umas “linhas” sobre as mesmas, mas algo de mais íntimo e pessoal se me despertou e “exigiu” que convosco partilhasse: uma breve reflexão sobre o sentido da vida.

Portanto, ao contrário do habitual, hoje não vos escrevo sobre temas económico-político-sociais, mas antes algo de reflexivo no que concerne a viver e a morrer. É que há momentos na, ou da, nossa existência (pelo menos para o comum e meridianao dos “mortais”), em que se “pára” para reflectir sobre a precaridade da vida e certeza da morte.

Quero com isto significar que se num dia nos “achamos” plenos de “energia”, saúde e vitalidade, no seguinte podemos depararmo-nos com o diagnóstico de uma doença “fatídica” que, salvo “milagre” divino ou da medicina, nos “promete”, a maior ou menor prazo, uma certidão de óbito.

Esqueçam-se pois, todos quantos, quais avestruzes, metem a cabeça debaixo da areia, esforçando-se até à exaustão para afastar do respectivo pensamento a ideia de finitude –ninguém é eterno!

É certo que para uma criança, adolescente e jovem mais ou menos “maduro”, a ideia (e realidade) de morte, é algo que não se lhes “põe” –afinal têm toda uma vida pela frente! Mas que dizer de quem já ultrapassou meio século de existência!?...

Há muito que venho pensando no sentido da vida e na morte, sendo que ultimamente de forma mais profunda devido a “realidades” que me têm tocado de perto.

A Igreja Católica Apostólica Romana “condena” a auto-comizeração, isto é, ter pena de si próprio. É que tal, em bom rigor, mais não é do que uma desculpa para não se aceitar as normais agruras da vida e contra as mesmas lutar.

Portanto, que ninguém interprete as minhas palavras como sendo as de um “coitadinho” perante si mesmo, ou de vislumbrar “coitadinhice” noutrém!

Agora, algo é tão certo como a morte para quem está vivo: o facto de ser (ou poder ser), subjectiva e tanto quanto possivelmente, feliz nesta vida terrena, que é a que crentes e incréus objectivamente conhecem.

A “talho de foice” cito dois pensadores do Séc. XVIII: Benjamin Franklin (norte-americano: 17/01/1706-17/04/1790) e Samuel Johnson (britânico: 07/09/1709-13/12/1784) –qual deles terá “pelagiado”, ou não, o outro?- escreveram:

- Benjamin: “nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos”;

- Samuel: “só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos”.

Perguntar-se-à por que motivo cito tais personagens. Bom, por uma razão muito simples: é que ambos constataram e escreveram o óbvio, mas que “passa ao lado” de muito erudito: a brevidade e finitude da vida!

Quanto aos impostos, mais conhecidos e até tecnicamente melhor designados por tributos, são algo de “ancestral”, cujo vulgar cidadão (principalmente desde há muito em Portugal), vem pagando aos Estado (quase que na forma de “esbulho” do último para com o primeiro), com incidência sobre os seus meros rendimentos de trabalho ou qualquer património legal e legitimamente adquirido.

Não é contudo sobre esta “parte negra” da vivência do cidadão comum que me pretendo deter, mas antes sobre a sua vida e sentido da mesma.

Ao longo da História sempre existiram algumas pessoas que viveram largas dezenas de anos, contrariamente ao comum dos seus semelhantes que século após século, e ultimamente década após década, tem vindo a conhecer um notável aumento da esperança de vida.

Tal odierna realidade faz com que o “velho”, cada vez mais “velho”, se presuma eterno, e só uma parte dos “menso velhos” se preocupem com o pouco tempo de vida útil que têm pela “frente”, bem como a finitude da mesma.

Efectivamente, quem se dá ao trabalho de recapitular a sua vida, fazer um “balanço” da mesma e projectar no parco futuro de qualidade que lhe resta a realização de alguns “sonhos” que desde sempre foram adiados, acaba por, ainda que inconscientemente (e bem) tentar “a recuperação do tempo perdido”.

Quem acredita numa vida no “além”, ou seja, meramente espiritual depois desta feita de matéria, pode consolar-se com a perspectiva de vir a gozar algo “maior” do que não teve neste mundo; mas quem for materialista (agnóstico ou ateu), viverá até ao seu último suspiro na angústia de um dia tudo terminar.

Face ao exposto, se me é permitida a ousadia, acrescento aos ditos dos pensadores supra referidos, ser a vida algo de certo a partir do momento em que se nasce até àquele em que se morre, sendo que o tempo que medeia o “início” e o “fim”, por irrepetível, deve ser vivido com diária bondade e intensidade como se derradeiramente vivido naquele momento.

Já que se vive, que se viva da melhor, mais alegre e feliz forma possível, pois a incerteza do desconhecido nos espera.

Assim, para finalizar, direi que se aproveite (e bem) a graça de Deus ou o dom da Natureza, que é a vida, desfrutando tudo o que de infimamente bom nos proporciona, ou pode proporcionar, “sorvendo” cada dia, cada hora cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da nossa existência.

Concluindo, quer para crentes como para incréus, o sentido da vida é a felicidade!

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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