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AS “TRUMPULHICES” E OUTRAS COISAS MAIS….!

18-11-2016 - Armindo Bento

Como todos, julgamos saber, ou de outro modo julgo que todos devemos saber, a política tem razões que a razão desconhece e, será por isso que vivemos em estado de negação.

Convêm relembrar que em democracia, ainda vale o voto individual, acima das opiniões dos comentaristas encartados e preconceituosos que sabem tudo, mas não sabem mesmo nada. Se toda esta gente que prolifera e vive à custa dos “meios de informação”, há quem prefira a palavra “desinformação”, ainda não percebeu que as pessoas estão infinitamente fartas dos políticos e do discurso político – lá como cá quer dizer, do Poder e da sua mentira – ou já não nos lembramos que acabamos de passar por longos cinco anos de desgoverno, que teve a mão leve a rapinar os rendimentos dos portugueses, quando durante o período eleitoral havia feito um rol de promessas que não cumpriu?

É preciso relembrar a alguns “esquecidos da tola” que a liberdade é um bem, a maldade um veneno, a recordação um perfume e  a memória um privilégio – daqui um apelo à memória dos povos, que surripiados em cada época, de uma maneira que reveste certos contornos: os “cegos profissionais preferem não ver, senão tarde demais…….ficamos com a sensação que lá as eleições foram a fingir! Isto é de ficar enjoado pelo cinismo e hipocrisia de alguém ter usado a mentira para conseguir ser eleito, mas será que não foi essa a postura de Passos Coelho em 2011?

Todos já sabemos o que aconteceu depois – quem pagou as “favas”, através do saque, do palmar dos rendimentos foram todos aqueles que pagam impostos, isto é cerca de 40% dos portugueses que são eleitores, pois, como todos devemos ter a noção cerca de 50% dos eleitores não paga impostos e, cerca de 10% enriqueceu muito mais durante esse período de “escuridão” que passou por este canto peninsular.

Li algures  que, “O esquecimento é uma poderosa arma política que compõe a panóplia de mecanismos orwellianos que são uma parte importante da acção político-mediática dos nossos dias.” O esquecimento é muito importante exactamente porque faz parte de um contínuo entre a política e os media dominado por um “jornalismo” sem edição nem mediação centrado no imediato e no entretenimento, com memória abaixo de passarinho. “Ele vive hoje dos rumores interpares nas redes sociais, de consultas rudimentares no Google e não se dá ao trabalho sequer de ir ler ou ver como se passaram os eventos sobre os quais escreve e fala, há um ou dois anos. O tempo mediático é cada vez mais curto e isso é uma enorme oportunidade para uma geração de políticos assessorados por “especialistas em comunicação”, agências de manipulação e uma rede de influências no próprio círculo jornalístico, em que cada vez mais existe uma endogamia de formações, de habilidades e ignorância, de meios e métodos, e de confinamento social e cultural.”

É por isto que me causa alguma admiração que uma das maiores, senão a maior novidade politica da “ era Trump”, tanto quanto julgo saber de ouvir dizer é a formação do governo, que para além dos três filhos – impensável em Portugal ou na Europa – os restantes membros têm mais de 65 anos e sobre isto nem uma palavra dos ditos comentaristas – eu diria que talvez seja engulho de constatar que a denominada “peste grisalha” vai governar nos “states”?

Declaração de interesses: não engulo Trump e o que ele politicamente representa nem à força, mas tenho que reconhecer que as auto-designados “comentadores políticos camuflados”, tantas vezes cegamente agarradas às suas cartilhas sagradas, tendem a esquecer o cidadão comum e os problemas muito reais que ele enfrenta. De vez em quando, essas “pretensas elites” precisam de um abanão que as traga de regresso à realidade. Talvez esse seja o efeito mais positivo da eleição de Trump. Quanto à sua governação, vamos ver…… Ora, a minha convicção é que este modus operandi é apenas um refugio para se disfarçar um certo atrofiamento cerebral que eles mesmos têm a noção de possuir e que a lição sirva para alguma coisa neste lado de cá!

Há quem diga que o tempo é eterno, nesta nova era em que a manipulação se junta à tecnologia para favorecer os nossos preconceitos, mas nós não o somos. Talvez bem lá no fundo, em que todos os dias assistimos a um “chorrilho de mentiras” que são alegremente repetidas pelas televisões, comentaristas e outros artistas, ávidos de audiências prontos a devorar o discurso politicamente incorrecto, seja nosso desejo seguir o tempo. Mas, todos nós já sabemos que tal não é possível.

Armindo Bento
Economista aposentado

 

 

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