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ENTRE CLINTON E TRUMP

28-10-2016 - Francisco Garcia dos Santos

Desde adolescente que me interesso por política portuguesa e internacional.

Porém, desde que a “decisão interna” passou a estar subjugada aos ditames das ditas “instituições europeias” (burocráticas e não eleitas por quem é “alvo” do seu “livre arbítrio”), e sobretudo após o “resgate” português de 2011, o qual, não só mais fortemente lhe submeteu o País, e ainda a outras “instâncias mundiais”, com a consequente maior perda da já parca soberania, tornando-nos um “protectorado” a “caminho” de “Estado exíguo” (Prof. Doutor Adriano Moreira dixit), que o meu interesse político passou a “focar-se” na política mundial e nos seus protagonistas.

Serve isto de introito a uma subjectiva apreciação sobre as próximas eleições presidenciais norte-americanas.

Para quem não seja grande conhecedor do regime e sistema de governo dos Estados Unidos da América, direi que o mesmo é republicano puramente presidencialista, ou seja, salvo a eleição democrática e directa dos membros do Congresso, composto pela Câmara dos Representantes e Senado, que detém o principal “poder legislativo”, o Presidente, que acumula a mais alta “magistratura” da União com a de “chefe” do órgão executivo (governo), americanamente denominado de Administração, com grande poder de legislar e sobretudo de “actuação” em termos político-administrativos, incluindo o de nomeação dos juízes do Supremo Tribunal Federal (com atribuições equivalentes aos do Supremo Tribunal de Justiça e Tribunal Constitucional portugueses), é eleito indirectamente.

O respectivo método eleitoral “passa” pelas seguintes fases: primeiro existem as denominadas “eleições primárias”, em que dois candidatos à presidência (invariavelmente um apoiado pelo Partido Democrático –“centro esquerda”- e outro pelo Partido Republicano –“centro direita”) são “nomeados”; depois, é eleito um “colégio eleitoral” (que é o que sucederá no próximo dia 8 de Novembro); e este elege o Presidente, sendo que cada um dos seus membros se encontra a priori “alinhado” com cada um dos candidatos, mas sem obrigatoriedade de nele votar.

Portanto, a eleição do Presidente dos E. U. A. não é directa e universal, como no caso do Presidente da República Portuguesa, mas sim indirecta.

Face ao exposto, que teve por fim perceber-se de forma resumida e simplista o regime e sistema políticos norte-americanos e método de eleição do respectivo Presidente e líder governativo, passo a deter-me sobre os atuais candidatos à Casa Branca: Hillary Clinton e Donald Trump.

Da “net” retirei algumas notas curriculares de cada um, as quais valem o que valem.

Hillary Clinton nasceu na cidade de Chicago, Estado de Illinois, a 26-10-1947; em adolescente e jovem terá “militado” no Partido Republicano, mas na década de 1960, assumindo posições de defesa dos “direitos civis” (leia-se dos cidadãos negros americanos) e contra a “guerra do Vietnam”, ter-se-à aproximado do Partido Democrático; licenciou-se em Direito na Universidade de Yale, Estado de Connecticut (uma das mais prestigiadas dos E. U. A. e internacionalmente); em 1973 iniciou a sua carreira profissional como advogada; casou-se com Bill Clinton, que entre 1979 e 1981, e depois no período de 1983 a 1992 foi Governador do Estado de Arkansas, e mais tarde, de 1993 a 2001 Presidente dos E. U. A.; em 2000 foi eleita senadora pelo Estado de New York (sendo a primeira mulher a consegui-lo), tendo conseguido a reeleição pelo mesmo Estado em 2006; no primeiro mandato presidencial de Barack Obama (2009 a 2013) desempenhou as funções de Secretária de Estado (equivalente a ministra dos negócios estrangeiros), uma das “pastas” mais importantes e prestigiadas da Administração norte-americana.

No que concerne a Donald Trump (certamente porque não “percorri” toda a “net”), apenas encontrei que nasceu na cidade e Estado de New York em 14-06-1946; terá frequentado, ou licenciado-se (também não almejei em quê), na Universidade de Fordham, bairro ou condado de Bronx, na cidade e estado de New York; posteriormente tornou-se administrador e dono de negócios familiares no “ramo” imobiliário, de hotelaria e casinos; depois de “bilionário” foi “estrela” de populares programas de tv; e em termos de experiência política somente “aparece” a sua campanha eleitoral para Presidente dos E. U. A..

Confesso que muito pouco “acompanhei” nos media esta disputa pela Casa Branca, nem assisti via tv a qualquer um dos três debates entre os candidatos, mas tão só mediante breves flashes de telejornais e notícias de imprensa.

Posto isto, e antes de me pronunciar sobre Hillary e Donald, devo fazer uma “declaração de interesses”.

Como sempre assumi (e julgo já o ter feito neste jornal), considero-me politicamente inserido na “direita ideológica”, o que, mais não seja por “afecto”, em termos de política internacional, por norma “pender” para partidos e personalidades “conservadoras” e ou de “direita”, in casu Partido Republicano e seus “protagonistas”.

Se é certo que nunca residi nos E. U. A., há muitos anos tive o grato prazer de no mesmo passar um mês no seio da Comunidade luso-americana nos Estados de Massachusetts, Rhode Island e New Jersey, a qual tem grande simpatia pelo Partido Democrático (ao que sei devido ao “clã Kennedy” alegadamente ter “ajudado” à “legalização” de muitos dos seus membros e “promovido” a respectiva aquisição de dupla nacionalidade).

Portanto, se fosse português imigrado nos E. U. A. ou luso descendente, talvez fosse “democrata”, mas se cidadão de “raiz” norte-americana, quiçá militasse nas hostes republicanas.

No entanto, quer num caso como noutro, isso não implicaria necessariamente que hoje apoiasse entusiasticamente a Senhora Clinton, mas por certo que “lutaria” contra o Senhor Trump.

Quero com isto significar que como português que sou residente em Portugal, apesar de como referi ser de “direita”, pela primeira vez desejo que o próximo “inquilino” da Casa Branca seja democrata, isto é, Hillary Clinton.

A Senhora poderá ser algo anódina e inócua, sem “golpe de asa”, mas certamente que tem bom senso e experiência em termos de política internacional, podendo oferecer ao mundo alguma estabilidade e previsibilidade. Já de Donald Trump o que se poderá esperar!?

Confesso que não gostaria de ver a famosa “pasta preta” com os códigos nucleares na “mão” de um velho multimilionário, arrogante, narcísico, demagogo e, sobretudo, que ao que parece, olha o mundo como um dos seus casinos.

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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