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GERAÇÃO DE “60”

23-09-2016 - Francisco Garcia dos Santos

Na segunda metade do Séc. XIX viveu em Portugal uma geração denominada de “70”, mas também conhecida por “vencidos da vida”.

Foi sobretudo um grupo de intelectuais, de que, entre outros, fizeram parte Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, J. P. de Oliveira Martins, Ramalho Ortigão.

Na sua juventude perfilhou e tentou traduzir na prática ideais “reformistas”, ou até ”revolucionários”, tendentes a uma mudança do então status quo social, económico e político, consusbstanciado na hipocrisia (o então “moralismo” politicamente correcto), no capitalismo “anti-social” e no “rotativismo” partidário, parlamentar e governativo entre “progressistas” (centro-esquerda) e “regeneradores” (centro-direita), o qual subsistiu até 19 de Maio de 1906, início da “ditadura” de João Franco culminada em 4 de Fevereiro de 1908, logo após o regicídio ocorrido no dia 1 do mesmo mês e ano.

Ou seja, mutatis mutandis o que tem vindo a ocorrer, pelo menos em termos parlamentares e governativos, desde 25 de Abril de 1974, em que a “alternância” tem sido P. S. e P. S. D., por vezes com a “muleta” do C. D. S., e agora, pasme-se, com as “canadianas” do Bloco de Esquerda e do P. C. P..

Portanto, há cerca de 100 anos, tal como “agora” há 40, o parlamentarismo e governação de Portugal têm sido iguais: nada “guiados” por um ideal de “bem comum” e de “serviço” à res publica, antes casuisticamente em benefício individual e “grupalmente” a favor de uma oligarquia, na qual poderes económico-financeiro e político-partidários se juntam numa turva promiscuidade assustadora e obscena, sugadora do “sangue, suor e lágrimas” da esmagadora maioria dos cidadãos portugueses (hoje frequentemente apenas designados pelo “aparelho de Estado” por “contribuintes”).

Volvendo à “geração de 70”, a mesma, já adulta e madura, concluindo que os seus esforços idealistas de mudança de mentalidades e de “política” pátrias haviam soçobrado, remeteu-se à mera posição de prosélito grupo de amigos que regularmente, ao redor de uma “mesa”, conversavam sobre o que “devia ter sido e não foi”, “lambendo feridas”. Daí, em boa parte, também a sua designação de “vencidos da vida”.

Na década de 1960 Portugal viu nascer uma outra geração que, contrariamente à de “70” do século anterior, de intelectual tem muito pouco, e cujos membros terão hoje entre 47 e 56 anos.

Contudo, também nela, muitos foram os que sendo de “esquerda” ou de “direita” (e isto são meros “rótulos”), desinteressadamente e mero ideal intervieram social, cívica e politicamente, esperançados em tornar este “nobre Povo e Nação imortal” algo de melhor.

De tal “geração de 60”, uns com mais e outros com menos memória histórica vivida, assistiram ao fim da autocracia salazarista (in fine marcelista) designada por Estado Novo e ao inicio, em 25 de Abril de 1974, consolidada em 25 de Novembro de 1975, da nóvel democracia e III República hoje vigente.

Também, com mais ou menos lembrança, ouviram no pós 25 de Abril prosas e versos de arautos e bardos dos “amanhãs que cantam” (ou “cantariam”), nos quais, em Portugal, qual bíblica “Terra Prometida”, “escorreria o leite e o mel”.

Porém, esses “amanhãs” ficaram “mudos”, tendo este Povo vindo a “provar”, dia após dia, o sabor amargo do fel!

Esta geração de “60”, hoje com idades entre os 47 e os 56 anos (números estes meramente balizadores), estudou, tentou fazer uma ”carreira” profissional (alguns também se tornaram “profissionais” da política), constituiu família; teve “modesta” esperança de que Portugal actualmente fosse não o Paraíso, mas tão só um Limbo, algo intermédio entre aquele e o Inferno.

Mas nem isso!

O que lhe tem sido dado provar tem sido mesmo o sabor do fel e os tormentos do Inferno!

Hoje essa geração de “60” vive as agruras da incerteza do “amanhã”, seja ele o do trabalho e respectiva remuneração, ou o da reforma e recebimento da justa “pensão”. Mas pior do que isso, já “velha”, vê muitos dos seus serem obrigados a emigrar para ganharem “o pão nosso de cada dia”, bem como os seus filhos terem de partir para paragens mais auspiciosas, já que a “madrasta” Pátria lhes nega trabalho e sobrevivência minimamente digna, já para não referir um razoável “bem estar”.

É esta a “geração de 60” do Séc. XX, que tal como a de “70” do Séc. XIX,, também é “vencida da vida”.

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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