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AS DONAS DO MUNDO «SOCIEDADES SECRETAS» E OUTRAS…

29-01-2016 - Pedro Pereira

Existem organizações que são conhecidas por constituírem a base do sistema das economias vigentes a nível mundial, a partir da qual gira o planeta, conduzido por políticos que na maior parte dos casos não são mais do que subservientes serventuários plutocratas de sinistras corporações camufladas com objetivos formais que escondem uma realidade bem diversa daquela cuja fachada ostentam. Ou seja, nestas é que assenta grande parte do poder económico e político a nível mundial, a que se seguem o poder legislativo, executivo e judicial, respaldados naquele que é considerado o quarto poder, a comunicação social.

Trata-se de bandos que atuam à luz do dia com ar respeitável, acobertados e protegidos por entidades oficiais, de acordo com legislação muitas das vezes «cozinhada» à sua medida e de outras que vivem à revelia da lei tendo em comum todas elas o secretismo reinante no seio das suas estruturas, na certeza de que se governam com base no velho princípio que «o segredo é a alma do negócio».

Assim, de acordo com o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa,«sociedade secreta é um grupo de pessoas que vive numa dada faixa de tempo e de espaço seguindo normas comuns, unidas pelo sentimento de grupo, que se submetem a um regulamento a fim de exercerem uma atividade em conjunto ou defender interesses comuns, unidas pelo sentimento de grupo, sem que se conheça o que se passa no seu interior, para além dos seus membros».

Em suma:uma sociedade secreta é constituída por um grupo de pessoas que se reúne em torno de um objetivo, conformados num conjunto de regras, com orgânica interna tendencialmente vocacionada para perdurar no tempo, eventualmente institucionalizando-se, ou seja, sobrevivendo para além do conjunto dos associados fundadores ou mesmo daqueles que em cada momento futuro ali permaneçam como membros, sendo que os seus objetivos, as suas deliberações, os seus atos e a maioria dos seus membros não são do conhecimento da sociedade profana.

Por tal facto não serão legais, uma vez que a tramitação legal de qualquer associação obriga-se à publicação formal da mesma e do seu objeto social.

As associações em segredo têm origem nos alvores da Humanidade, fundadas nos laços de consanguinidade que deram origem aos primeiros grupos sociais ou clãs . Os casamentos entre os membros dos vários clãs foram o passo seguinte para a ampliação dos grupos, resultando nos primitivos corpos políticos.

As etapas seguintes foram a evolução dos cultos religiosos e das dinastias eletivas ou reinantes e o desenvolvimento social. No caso dos cultos, estes surgiram inicialmente como sociedades secretas, sendo, na sua origem, integralmente religiosos. Com o passar dos tempos dividiram-se em duas classes: a político-social e a místico-religiosa.

Os motivos para o seu secretismo foram diversos, no seio destas culturas onde surgiram as primeiras sociedadessecretas, sobretudo as que tinham como finalidade a prática de ritos religiosos, a preservação de valiosos segredos do « espírito », do comércio, etc..

A existência deste tipo de grupos conferia aos seus membros o poder do mistério sobre o resto do clã ou da tribo. Os iniciados eram a «classe» dominante.

Com o decorrer dos séculos, a complexidade das formas de estruturas sociais e a vida em sociedade em geral originou, naturalmente, as mais variadas organizações quer ao nível da atividade económica, como as sociedades comerciais, bancos, indústria farmacêutica e outras, quer no que reporta às demais áreas da atividade humana como são as associações, as fundações, os partidos políticos, as organizações de culto religiosas incluindo os concílios do Vaticano ou as de gestão dos clubes de futebol (em Portugal, Sad’s), entre outras sem que tais instituições, empresas ou organizações se possam classificar de secretas, muito embora o comum dos mortais não saiba o que se passa nas suas reuniões à porta fechada.

Assim, as sessões de trabalho das cúpulas das várias confissões religiosas, as reuniões das equipas técnicas ou de gestão dos clubes de futebol, as reuniões dos conselhos de administração das empresas, da banca, do conselho de ministros, dos gestores das multinacionais, dos sindicatos, das federações, das confederações, das corporações e por aí adiante são, sem dúvida, secretas. Nelas, o secretismo, ao nível do discutido e do fundamental das decisões das elites dirigentes, impera.

Desta forma podemos considerar, como sendo um género informal de associação secreta, qualquer atividade desenvolvida dentro do referido âmbito.

O simples facto de se falar de um grupo, que detém conhecimentos ocultos para a sociedade, implica que tais conhecimentos sejam qualificáveis pelos cidadãos em geral como de «secretos».

No caso das sociedades iniciáticas onde só se ascende aos seus mistérios e se é admitido no seu seio através de iniciação, é necessário manter a descrição das suas reuniões ou sessões, pelo facto da tradição e experiência histórica consignadas em regulamentos considerarem que o teor das mesmas não devem ser reveladas àqueles que não se encontram preparados para apreender as suas luzes e conhecimentos, ou seja, os não iniciados.

Há, portanto, um conhecimento secreto (chame-se-lhe Tradição, Doutrina, Saber…), mantido, desenvolvido e transmitido ao longo de gerações no seio das sociedades iniciáticas, não querendo isso dizer que tais organizações devam ser formalmente qualificadas como «sociedades secretas», porque se fossem secretas não eram do domínio público.

Além disso as sociedades atrás referidas, normalmente têm instalações fixas e conhecidas do comum dos mortais, possuem estatutos em conformidade com a lei, sendo que algumas detêm, inclusivamente, o estatuto de utilidade pública, como é o caso do Grémio Lusitano – Maçonaria Portuguesa.

Concluindo: Face a esta abordagem, não temos dúvidas em considerar que a sociedade portuguesa em particular e as sociedades a nível mundial em geral são conduzidas por grupos ou agrupamentos de indivíduos que decidem em segredo os destinos políticos, económicos, financeiros, sociais e outros da Humanidade, ou seja, este é que é o verdadeiro Poder.

Assim, podemos chamar a estas de «sociedades secretas informais», dado que as de carácter formal, como dissemos no início, por serem «secretas» – passe o pleonasmo – não temos conhecimento delas.

Muito embora se especule sobre uma variedade de bandos, grupos, agrupamentos, associações, seitas e outras organizações que influenciam os destinos do mundo, relativamente às quais as sociedades vão tendo informações não muito aprofundadas, por vezes, provindas de aqui e de além, é urgente uma ampla divulgação pública das mesmas e das suas ações urge que seja feita, de forma a proporcionar necessários e prementes debates públicos em torno desta temática que imbrica decididamente com a vida, com o quotidiano de todos os cidadãos e das sociedades a nível global.

Pedro Pereira

 

 

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