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O escabroso negócio dos cartões de crédito

22-01-2016 - Pedro Pereira

O trambique dos cartões de crédito é uma das negociatas mais lucrativas e destrutivas inventadas pelo sistema capitalista predatório. Por exemplo, nas duas últimas décadas o Citibank tem acumulado mais dinheiro do que a Microsoft e a Walmart juntas.

Os cartões de crédito realizam lucros obscenos sem levantar um dedo para efetuar qualquer trabalho físico. Receber sobre as dívidas de cartões de créditos é um negócio brutalmente lucrativo. Isto não obstante a crise económica global no presente…

Tendo por origem o Estado norte-americano do Dakota do Sul onde nasceu na década de 1920, o moderno negócio dos cartões de crédito tem-se permitido realizar lucros obscenos devido à desregulamentação em alguns países e à permissividade em outros, caso de Portugal, tendo resultando na espoliação sistémica dos clientes através de práticas que podem ser descritas como de natureza predatórias.

O simples ato de pagar somente as quantias mínimas mensais, tal como sucede com muitas famílias em dificuldades, pode exigir diversos anos para liquidar um frigorífico ou um televisor comprados no centro comercial local. Este facto torna os bens adquiridos muito caros e todos os anos a dívida adicional acumula-se à velha, numa espiral sem fim.

Os que estão ao par desta “indústria” referem-se à grande percentagem de possuidores de cartões que não conseguem um equilíbrio mensal por se encontrarem “economicamente exauridos”. As armadilhas para o consumidor são engendradas dentro do sistema de forma a garantir que os utilizadores do cartão acabem por atrasar os seus pagamentos ou exceder os seus limites de crédito, a fim de aumentar os lucros das entidades credoras.

Quando os utilizadores do cartão atrasam os seus pagamentos, as taxas de juro ascendem dramaticamente e múltiplas taxas de utilizador são acrescentadas à conta mensal. Milhões de utilizadores de cartão gastam a maior parte do seu rendimento a pagar taxas de utilizador exorbitantes, sem reduzir minimamente o balanço mensal. Enquanto os banqueiros arrecadam milhares de milhões, as famílias da classe trabalhadora vêm tornando-se escravas da dívida junto dos capitalistas predatórios da sinistra “indústria do cartão de crédito”.

As leis da bancarrota que ainda há umas décadas atrás proporcionavam aos trabalhadores uma forma de escaparem à dívida já não se encontram disponíveis como caminho de saída.
Assim, os banqueiros vampiros continuarão a roubar o portador do cartão até que a morte o leve, e só então o fardo da dívida será passada para o parente mais próximo como herança envenenada.

Mais do que uma harpia sugadora concebida para defraudar os indivíduos dos seus rendimentos auferidos as mais das vezes com enormes sacrifícios, a dívida dos cartões de crédito é também um meio de controlar os devedores e mantê-los na linha, ao sabor da vontade dos vampiros.

O consumidor é capturado por campanhas de publicidade aliciantes que alimentam a sua compulsão para o consumo. É seduzido para consumir e ser consumido pelos capitalistas vampiros.

Por outro lado, os contratos de cartões de créditos são tão complexos e deliberadamente enganosos que poucos consumidores, ou mesmo juristas, os conseguem entender plenamente; são criminosamente esgalhados, são portadores de armadilhas e ciladas bem disfarçadas de forma a garantir a produção de dívidas do utilizador compulsivo do cartão para toda a vida.

A confiança que deveria florescer entre pessoas e governos não existe mais, deixando a maioria dos cidadãos sem representação nem defesa.

Métodos cada vez mais criativos de espoliar os cidadãos estão permanentemente a ser concebidos nas salas dos conselhos de administração dos bancos, que são depois de forma servil e diligentes transformados em leis pelos Parlamentos. Milhões de trabalhadores encontram-se enterrados sob uma dívida da qual nunca escaparão. Os devedores são uma vaca leiteira para as “indústrias do cartão de crédito” e da banca cujo abastecimento de leite (que é fornecido pelo cliente) é infindável.

Pedro Pereira

 

 

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