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A SAGA DOS FORAGIDOS E A ESTRATÉGIA DO EIXO ALEMÃO

04-09-2015 - Pedro Pereira

Num telejornal de uma destas noites, por mero acaso, vi uma criatura a perorar de cátedra sobre uma das vulgaridades que este espécime invertebrado regurgita amiúde para cima dos cidadãos sempre que lhe dão oportunidade de se empinar perante um auditório e uma câmara de têvê. A cena deu-se num acampamento de férias de verão de um clube político de jovens de um partido, os quais, inocentes criaturas, coitaditos, não conhecem da missa a metade sobre o dito barrosão (lembro-me agora que existe uma raça bovina transmontana chamada de barrosã…), o qual quando 1º ministro de Portugal, mancomunado com os senhores Blair, Aznar e o inenarrável Bush, numa famigerada cimeira na Base das Lages* acordaram a invasão e desmantelamento do Iraque porque esse país alegadamente «possuía armas de destruição maciça». Armas tinham, mas para destruição é que não, só os americanos e os seus aliados.

Seguiram-se, já com a criatura Barroso promovida a chefe da Comunidade Europeia (ai a “democracia” da CE…) como prenda ofertada pela quadrilha do Grupo Bilderberg, dado o apoio que a criatura deu aos seus patrões no macabro encontro das Lages.

Pouco tempo passado, as mesmas cenas sucederam-se na Líbia e na Síria. Ou seja, a pretexto da «defesa dos direitos humanos», dos terroristas da Al-Qaeda do Bin Laden (ex-agente da CIA), de Muammar al-Gaddafi, de Bashar al-Assad e mais umas tretas sobre estes e outros ditadores malandros desses Estados e afins, os EUA e a Europa comunitária associados enviaram tropas e mercenários e espatifaram esses países soberanos, matando e estropiando centenas de milhar de pessoas, a maior parte delas cidadãos indefesos como crianças, jovens e idosos. Em suma: despoletaram e procederam a um verdadeiro genocídio humano que continua sem fim à vista.

Verdadeiras hordas de foragidos desses países, sobretudo da Síria e da Líbia, arribam todos os dias ao sul da Europa, deixando outros tantos naufragar, melhor dizendo, morrer pelo caminho.

Pessoas desesperadas, temendo pelas suas vidas e dos seus familiares fogem das regiões devastadas pela guerra do Médio Oriente e Norte da África, enfrentando o que de pior pode suceder a um ser humano, numa travessia marítima em condições infra-humanas deixando para trás um cortejo de cadáveres à deriva no mar. Pessoas sem comida nem água amontoadas em condições sanitárias deploráveis; famílias com crianças pequenas forçadas a navegar ao sabor das ondas; centenas de quilómetros percorridos a pé por estes imigrantes maioritariamente indefesos para no fim terem como recompensa o enfrentamento com polícias artilhados com escudos, viseiras, cassetetes e gás lacrimogéneo.

Para completar o cenário, a Hungria, um país de trânsito na rota dos Balcãs Oeste, construiu uma barreira de proteção com bobinas de arame farpado numa extensão de 175 km com 3,5 metros de altura, junto da fronteira externa da UE com a Sérvia.

Só desde o princípio deste ano arribaram à Europa após este e outros tormentos, cerca de 400 000 migrantes e refugiados. De acordo com a ONU, à Grécia desde o princípio do ano aportaram cerca de 200 000 pessoas, e a Itália mais de 110 000 pessoas.

Os destinos mais desejados por esta gente são a Alemanha, a Suécia e o Reino Unido. Porém, metade dos pedidos de asilo apresentados no primeiro trimestre de 2015 foram solicitados à Alemanha, o que representa 73 000 (40% do total), enquanto a Hungria recebeu 32 000 (18%), Itália 5 000 (8%), França 14 800 (8%), Suécia 11 400 (6%), Áustria 9 700 (5%) e Grã-Bretanha 7 300 (4%), de acordo com dados da ACNUR e da FRONTEX.

De acordo com a inteligência dos EUA, certamente que no meio das centenas de milhar de refugiados veem entre eles disfarçados, agentes do autodenominado «estado islâmico». A organização de militantes terroristas tem medo de usar aeronaves dadas as estritas normas de segurança, de forma que estão a usar os caminhos por terra como uma alternativa. Em seguida, a partir de onde entram no continente europeu, usam passaportes falsos para viajarem para outros países europeus.

Entretanto, as opiniões dos cidadãos comunitários dividem-se entre os que querem impedir a sua entrada e estada no continente europeu, e os que entendem que devem de ser todos integrados rapidamente. Só no caso da «caridosa» rombuda alemã, a madama Merkel, esta anunciou a disposição do seu país em acolher 800 000 refugiados, como se fosse uma grande humanista…

Por outro lado, o comum dos mortais em geral espanta-se pelo facto da Comunidade Europeia não tomar medidas concertadas face a este flagelo que ameaça a Europa do presente e o seu futuro próximo. A verdade porém, é que a quadrilha de dirigentes políticos da CE que gravitam em torno do Eixo alemão possui uma estratégia bem definida quanto a esta situação, que passa pela admissão de milhões de refugiados, muito deles com formações técnicas e superiores, a fim de paulatinamente os irem integrando como mão-de-obra barata em alternativa aos milhões de trabalhadores que vivem nos países comunitários, os quais auferem salários que a quadrilha entende terem de ser reduzidos, como estratégia política para enfrentarem a crise económica, embaratecendo a mão-de-obra e os produtos para que a Europa compita nos mercados internacionais com as potências emergentes, nomeadamente as asiáticas, e por outro lado, de forma a inverter o ciclo da regressão da natalidade que afeta a Europa.

Por outro lado os países da CE enfermam de uma maleita grave: o envelhecimento da sua população. A maior parte dos países membros, em particular os do Norte europeu, necessita de mais imigrantes para manter o nível de vida que conquistaram. A esta grave situação soma-se mais outra: a origem do recrutamento de mão-de-obra barata deixou de estar nos países do sul da Europa (Grécia, Espanha, Itália e Portugal) países a braços com gravíssimas crises económicas e consequente fuga de gente – sobretudo jovem – para outras paragens, em especial fora do continente europeu, gerando o mesmo tipo de problemas de que enfermam os países do Norte. Portugal encontra-se assim a braços com o envelhecimento acelerado da sua população por via da fuga de milhares de jovens para outros países em busca de sustento.

Neste contexto os modelos de integração havidos até recentemente deixaram de funcionar, e por outro lado atendendo à proveniência e identidades culturais e religiosas, os novos migrantes dificilmente se identificam com a cultura dos países de acolhimento, assumindo na maior parte dos casos uma atitude de repulsa ou contestação para com os territórios e os cidadãos de acolhimento que irão resultar (já vão resultado…) em conflitos étnico/sociais que se vão agravar a breve prazo.

É evidente que nada disto sucede sem a conivência dos aliados da CE, os EUA. Aliás, de acordo com Pierre-Alain Depauw (http://www.medias-presse.info/), os EUA financiam a imigração maciça para a Europa, acusação feita recentemente por Vladimir Putin.

Assim, de acordo com afirmações feitas por um membro dos serviços de informações austríacos à revista Direkt, existem organizações americanas a pagar a passadores a fim de estes transportarem diariamente milhares de foragidos para o continente Europeu.

A revista Direkt ouviu esse agente dos serviços de informações militares austríacos, dos österreichischen Abwerhamts, o qual explicou que os passadores pedem em média 7 a 14 mil euros para fazer com que os imigrados viagem ilegalmente para a Europa, de acordo com um plano geoestratégico norte-americano de inundar este continente com marés migratórias de gentes em fuga do países em guerra no Médio Oriente.

Ainda de acordo com o mesmo agente: «Dispomos de indicações a demonstrarem que organizações dos Estados Unidos criaram um sistema de cofinanciamento e contribuem de modo substancial para pagar os custos da viagem. A maior parte dos candidatos refugiados pagaria 11 mil euros em dinheiro sonante. Ninguém se pergunta de onde vem o dinheiro?».

Em conclusão da sua entrevista à revista Direkt o agente acrescenta que reina um silenciamento completo por parte dos responsáveis sobre esta matéria, para que a opinião pública seja confundida e ignorante acerca desta matéria.

* George W. Bush (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha), foram recebidos pelo então primeiro-ministro português, Durão Barroso, na tarde de 16 de Março de 2003, para uma cimeira na Base Aérea das Lages, nos Açores. Na madrugada de 20 desse mês (quatro dias após) teve início a intervenção militar no Iraque, com as consequências que se conhecem.

 

 

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