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EVOCAÇÃO DO 25 DE ABRIL

08-05-2015 - Eduardo Costa

Na sequência do convite recebido do PDR/Ribatejo, acedi a efectuar uma intervenção na noite de 24Abr2015 sobre a temática em título. Conforme habitual, optei pela metodologia de apenas esquematizar, o que pretendia falar, passá-la para suporte informático “Power Point” e falar livremente, sem qualquer outro suporte de texto.

Tendo posteriormente sido solicitado pelo PDR, um texto das ideias vertidas; é o que passarei a fazer, para além do suporte em “Power Point” já antes enviado.

Entendi dar o título “25 DE ABRIL- Da Ditadura Política à “Democracia” Financeira” e comecei por caracterizar sucintamente o anterior regime como um Poder Político de repressão aos opositores efectivos ou potenciais, apoiado por uma polícia politica e censura prévia hostis e repressivas de qualquer manifestação de oposição.

Portugal era um país financeiramente sólido, mas económica e socialmente pobre e subdesenvolvido, com um povo maioritariamente analfabeto e sujeito a trabalho precário e infantil, sendo essa economia dominada por grandes grupos económicos familiares afectos ao regime.

A culminar esta situação, inicia-se nos anos 60 uma guerra colonial em 3 frentes, que isolou internacionalmente o país ao longo dos seus 13 anos de duração, sem qualquer manifestação política de resolução do problema ultramarino, o que indiciava a intenção de a prolongar indefinidamente, porventura na expectativa de uma derrota militar a médio/longo prazo.

Assim, as razões que levaram ao levantamento militar de 25Abr1974, foram acabar com a guerra e instaurar um regime democrático, alicerçado em 3D´s de um programa do Movimento das Forças Armadas (Democratizar; Desenvolver; Descolonizar).

Importa pois prestarmos uma singela homenagem aos homens de Abril, realçando a sua coragem, determinação e visão, bem sabendo, que não haveria alternativa à vitória para si e suas famílias, assim como, o seu desapego material, quer na acção quer posteriormente, pois fizeram-no por imperativo histórico e sem qualquer interesse material futuro.

Estando a evocar-se ABRIL, afigura-se simbolicamente relevante, falar-se num pequeno pormenor operacional desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses, mas que de acordo com Salgueiro Maia, terá sido decisivo para o sucesso da operação e para não redundar num enorme banho de sangue de militares e civis no Terreiro do Paço. Tratou-se da terceira coluna de forças inicialmente leais ao governo, mandada avançar a partir de Cavalaria 7 contra Salgueiro Maia e agora integrando carros de combate que lá se encontravam desde há dias em reforço, vindos de Cavalaria 4 em Santa Margarida, em que o alferes comandante desses blindados se recusa a abrir fogo contra as forças de Salgueiro Maia e, depois de preso e escoltado pela PIDE, um seu soldado apontador também com a arma apontada toma idêntica atitude (sobre este incidente li um pequeno extracto do livro “RC4- 240 anos ao serviço da Nação” de que sou co-autor).

Derrubado o regime, segue-se um período compreendido entre 1974/76, caracterizado por complexas convulsões, a que se designou de PREC (Período Revolucionário em Curso), onde forças de extrema-esquerda procuram apoderar-se do Poder e das Forças Armadas no sentido de direccionar o processo de democratização numa linha soviética, mas que foram neutralizadas pelas alas moderadas das forças vivas do país e das Forças Armadas, a partir de Novembro/75, restituindo-se o objectivo de dar o destino de Portugal aos portugueses. Nessa conformidade, efectuaram-se em 15Abr75 eleições para a Assembleia Constituinte, em 25Abr76 eleições para a Assembleia da República e em 27Jun76 eleições para o Presidente da República.

Iniciou-se um período até á actualidade, em que os militares passaram progressivamente de imprescindíveis e prestigiados a descartáveis, de que se saliente a consciente desinformação da opinião pública do significado de “Condição Militar” e dando uma imagem que a Instituição Militar não passa de um mero custo para o país, escondendo que esse alegado custo representa apenas 1% do PIB, bem como, as reais missões que cumprem diariamente aquém e além fronteiras com essa migalha do orçamento, de que se destaca mais recentemente as missões no Afeganistão, na Lituânia e no Iraque para combater o Estado Islâmico.

No período de 1974 a 1982, os militares tiveram naturalmente um papel importante de garante do cumprimento do programa do MFA, de que se salienta o Conselho da Revolução que teve a tarefa de se constituir como órgão de conselho do Presidente da República (actual Conselho de Estado) e de garante da Constituição de 1976 (actual Tribunal Constitucional).

Presentemente o Estado caracteriza-se por ser uma ditadura financeira sob a capa de democracia formal em que os portugueses apenas expressam pelo voto a alternância do poder, o que não invalida que o país esteja refém das determinações financeiras de Bruxelas e Berlim, além da promiscuidade interna entra a finança e a política.

No período de 1976 a 1986, o país sofreu significativo progresso económico-social ainda que com alguns sobressaltos financeiros. Em 1986, deu-se a adesão à CEE e os consequentes desequilíbrios económicos, resultantes da ilusão de riqueza proporcionada pelos muitos milhões recebido para destruir o tecido produtivo sob a capa de reconversão e modernização. A partir de 1999, a situação piorou com a adesão á moeda única, pois deixou-se de poder utilizar a política cambial na competitividade da economia, continuando a subir a dependência nacional das importações, já que a exportação de bens transaccionáveis, não passa de uma falácia, se retirarmos os derivados do petróleo e a Auto-Europa.

Presentemente, Portugal é um país de corrupção política e financeira, de austeridade e crise social crónicas, caracterizado pelo elevado desemprego encapotado, emigração de 1% da população por ano e de retrocesso social incluindo o SNS. Chega-se ao ponto do Poder Político dizer que o país esta melhor, bem sabendo que os portugueses estão bem piores, com excepção das elites e clientelas. Proliferam os interesses financeiros obscuros e os escândalos como no BPN, BPP, PPP´s, BES, Vistos Gold, etc.

Em conclusão, Portugal é presentemente uma impune ditadura financeira com a capa de democracia formal, à revelia dos superiores interesses da nação.

Importa incrementar uma nova revolução pela força da razão e um novo Abril pela força da palavra. Importa assim um novo projecto político alternativo ao vulgo Centrão.

É isto que os militares de Abril presentemente anseiam e é esta a melhor homenagem que lhes podemos prestar.

Eduardo Costa

 

 

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