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O ABSURDO DOGMA NEOLIBERAL CONDUZ À CRISE DE LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA (5)

06-03-2015 - Neto Simões

O Governo continua em estado de negação pela incapacidade em assumir os erros. Albert Einstein dizia: “Com os mesmos gestos não podemos esperar resultados diferentes”.

O Governo não percebe os princípios básicos da governação. Não planeia, não estuda nem avalia o impacto das diversas opções e com isso afecta a vida de milhões de portugueses. Esta forma indigente de actuação gera desconfiança, promovendo a incerteza e instabilidade o que retira credibilidade e autoridade ao Estado.

E, neste liberalismo anacrónico – que subverteu a social democracia - cada vez existem mais capitalistas sem dinheiro para investir com capital da Banca. A teia de interesses da oligarquia e maçonaria que domina Portugal impedem a conexão entre a política e o poder que tem contribuído para o bloqueio do sistema político – capturado pelo sistema financeiro -, que se traduz na incapacidade de afirmação do interesse público e nacional. Mas o essencial nunca se pode transformar em negação do diálogo e a alternativa do pensamento único da coligação nunca pode ser a incerteza ou vazio institucional.

Portugal tem de se libertar da submissão do absurdo dogma neoliberal se quer continuar a ser uma comunidade com consciência da identidade nacional, assumindo a vontade colectiva dos cidadãos e a necessidade permanente da defesa de valores e interesses relevantes para a continuidade da Nação.

Desde 2012, Portugal entrou num ciclo de dependência externa que prejudicou a sua reputação internacional, provocou uma depressão económica e o desemprego em massa e abriu caminho para uma crise de legitimidade da democracia portuguesa. A resposta das elites revelou hesitações e divisões sérias. A direita nacionalista quis reconhecer a validade da profecia de Franco Nogueira e proclamou que Portugal tinha passado a ser um “protectorado” da União Europeia (UE).

Portugal não pode ficar refém da crise e da UE. Urge definir um quadro de alianças sólidas tanto na União Europeia, como na NATO, que evite dependências excessivas e unívocas, sejam dos credores, dos vizinhos ou dos protectores. “Seremos na UE o que conseguirmos ser fora dela”. Por último, é necessário restaurar a confiança dos Portugueses em si próprios e no seu País.

As divisões políticas internas persistem intactas, a recuperação económica parece demasiado frágil e os extremismos populistas antieuropeus crescem por toda a parte. Para inverter a dinâmica de fragmentação regional, os responsáveis políticos portugueses e europeus precisam de reinventar a aliança entre a democracia liberal, a inovação económica e a integração regional. O Ocidente está em decadência e declínio da UE não é inevitável.

Contudo, o fim do Estado será inexoravelmente o fim do povo. O povo nunca esteve tão desunido como hoje, reina o salve-se quem puder, nada funciona bem, a dispersão de esforços nada produz, a falta de desígnios nacionais nada movimenta, a falta de esperança e o desânimo são visíveis por todo o lado.

As forças políticas adversas à coesão nacional triunfaram, e infortunadamente, a fragmentação dos pilares do Estado conduzi-lo-á fatalmente à sua queda. Para as forças do politicamente correcto, para os internacionalistas, o fim do Estado-nação será aplaudido com veemência, para o povo português significará a escravidão e a extinção.

Se as instituições deixam de ser consideradas um elemento estruturante do Estado e se põem em causa as suas características identitárias inicia-se um processo de crise que antes de as atingir se manifestam no próprio Estado. É assim necessário saber preservar as instituições, assegurando de seguida uma dinâmica de resistência que garanta a permanência do seu exercício.

(*) Capitão-de-Fragata SEF (Reserva)

 

 

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