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Nem Grego nem Troiano

20-02-2015 - Eurico Henriques

Mais do que afirmar ou fazer juras de opção ideológica o que temos é de acertar com o que se pretende neste tempo que vivemos, o presente.

Estamos confrontados com a célebre “crise” que, no essencial, significa dificuldade de vida, corte nos orçamentos, diminuição dos proventos. Enfim, um nunca acabar – ao que parece – de limitações.

O desenvolvimento económico permite uma maior riqueza. A riqueza produz melhores condições de vida. Para alguns, poderá dizer-se. Mas o certo é que sem ela não chegamos a bom porto.

O nosso país tem passado por apertos financeiros graves os quais resultam em empobrecimento dos grupos sociais mais desfavorecidos e das crianças, com redução de possibilidade de assistência médica aos doentes. O que vemos e ouvimos todos os dias não nos é agradável.

Andámos, todos, a viver com melhores condições durante muito tempo. A admissão do país na União Europeia trouxe melhorias significativas nas condições de vida das populações: melhores espaços escolares, mais estradas e autoestradas, saneamento básico, proteção social. Através dos célebres Fundos Comunitários tivemos acesso a financiamentos a fundo perdido, uns e outros com percentagens de comparticipação elevadas. Esta situação potenciou as nossas capacidades de realização.

O Fundo Social Europeu permitiu uma rápida progressão no conhecimento de novas técnicas, na utilização de novos procedimentos e manuseio dos equipamentos. Esta situação não pode ser descurada numa interpretação correta do que foi o balanço da adesão.

Não sei qual a verdadeira razão da crise. O que defendo será a existência de várias, as quais resultam de erros e omissões graves nas questões económicas e financeiras.

Hoje, quando discutimos os caminhos a seguir para ultrapassar estas dificuldades, o que parece ser a crítica mais utilizada é a de que os outros é que são culpados. Os outros é que se aproveitaram. Enfim, passar a culpa para o vizinho. Nesta leitura factual não posso deixar de discordar de uma afirmação saída há pouco e feita pelo sr. Louçã: os gregos é que estão a defender Portugal – ou mais ou menos o género.

Eu não sou grego. O meu país não tem nada a ver com a Grécia. Os seus modelos não são os meus. Não a considero minha embaixadora em coisa nenhuma. Obviamente que não tenho que discutir o seu governo e as suas determinações. Eles lá sabem o que querem.

Só que, na minha leitura, o que eles querem não serve para nós. Ou servirá? Se sim quem é que vai pagar as exigências e necessidades? Os outros?

Os governos dos outros países da zona euro também resultam de atos eleitorais democráticos. Os seus governantes também são responsáveis perante os seus eleitores.

Vamos impor-lhes o quê? Solidariedade europeia? Só num sentido?

A democracia é um procedimento humano que exige uma regra básica: há que haver leis e respeitá-las.

Sendo português não posso diminuir as realidades e procedimentos que se realizam. Não gosto de copiar os outros. Muito menos quem não tem uma lógica de procedimentos aceitável e respeitadora do conjunto em que se integra.

Sinceramente, espero que venhamos a sair da crise à portuguesa, com os nossos procedimentos e capacidades.

Eurico Henriques

 

 

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