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Estado de Graça

14-11-2014 - João Torres

Lembro-me de ouvir esta expressão pela primeira vez no ano de 1995. Guterres ascendia ao poder. Novas esperanças e um País ainda próspero, consentâneo com a quantidade de apoios previstos pela União Europeia para os primeiros tempos do mandato que se avizinhava.

Mas facilmente esse Estado de Graça passou e passa. Desengane-se aquele, que com “amor e uma cabana”, poderá fazer obra. Até poderá vir a fazer mas, para isso, terá de ser perspicaz e acima de tudo não dever muito à inteligência. Infelizmente, na nossa classe política tal não se passa. Perspicácia é pouca ou nenhuma, Inteligência, essa, ficou-se pelo caminho palmilhado sobretudo por gabinetes políticos e corredores de congressos em negociações e promessas para “lá” chegar.

E chegam...uns ficam-se pelo poder local e outros mais afortunados, espertos, capacitados academicamente... enfim, que quiserem, sentam-se no hemiciclo aguardando pacientemente a entrada pela porta grande numa qualquer legislatura.

E assim que chegam esforçam-se nos primeiros tempos por marcar a diferença. Esforçam-se por se afastarem dos seus predecessores. E para tal vale tudo. Nem que seja inaugurar, ou melhor, reinaugurar o que já tinha sido inaugurado ou então, pasme-se, gastar dinheiro público em placas comemorativas de forma a assinalarem uma qualquer requalificação num qualquer espaço.

Muitas vezes ouço e leio autarcas da nossa praça que se vangloriam pelo facto do poder local ser o maior bastião e por assim dizer, símbolo maior de democracia e liberdade no pós 25 de Abril. Pois...eu cá não concordo com tais afirmações ou ideias. Durante alguns anos passei pela experiência do chamado “Poder Local” e o que constatei sistematicamente foi a incapacidade dos Srs. Autarcas de serem efectivamente, justos, leais e equidistantes de interesses e de pessoas com interesses.

Por estas e por outras, o chamado Estado de Graça se acaba porque quem faz parte desses executivos e que toda a vida trabalhou, desempenhando funções próprias com objectivos próprios defrontam-se, essencialmente com um político que embora se esforce por cumprir o prometido, acaba sempre por ceder a pressões impostas por particulares, instituições de gestão duvidosa que dessa forma sorvem parte do orçamento, deixando-se de lado o importante a fazer.

Enquanto a independência não for bandeira de um qualquer mandato, nada será devidamente feito com justiça.

Aguardemos que a consciência dos bons actos, boas decisões e bons conselhos dados por quem sabe, ilumine os nossos políticos, promovendo-se, dessa forma, um melhor País para se viver, mais justo com as mesmas oportunidades e de facto democrático.

João Torres

 

 

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