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A CURIOSA “PREVENÇÃO RADARISTA”

08-09-2023 - Pedro Pereira

Com o pretexto da segurança rodoviária, o governo decidiu através da ANSR, subir o nível da caça à multa, plantando um pouco pelas principais rodovias (e o que mais virá…) do país, complexos e mais sofisticados radares de velocidade que os já existentes, com o falacioso argumento de que se trata de melhorar a “prevenção rodoviária”.Este argumento, se não fora propaganda rosqueira, era para rir. E ainda a procissão vai no adro…

Segundo anuncia o governo, 30 destes vão ser instalados em Locais de Controlo de Velocidade Instantânea (LCVI) e 20 vão ser instalados em Locais de Controlo Velocidade Média (LCVM). Prevê-se que 40 radares sejam instalados fora das autoestradas, enquanto outros 20 irão permitir detectar a velocidade instantânea.

Percorrendo as principais vias de comunicação (para não falar nas outras) onde estão a plantar estes aparelhos, atente-se às bermas dessas estradas.Ao longo de vários quilómetros, as suas bermas encontram-se escalavradas, mal sinalizadas ou sem sinalética alguma, com buracos que mais parecem antecâmaras de crateras, piso abatido em várias zonas do percurso, ou com remendos de uma mistela daquilo que era suposto ser asfalto, mais aparentando ao automobilista tratar-se de campos minados e por isso tem, invariavelmente de fazer uma espécie de gincana à medida que percorre a via, correndo o risco de se despistar.

Quanto às autoestradas, exceptuando algumas delas, o que havemos de chamar à Via do Infante? Uma via rápida que possui as mesmas estruturas de uma autoestradas?Que quando foi construída, já nessa altura estranhou-se a massa asfáltica da mesma, que origina um barulho característico dentro dos veículos à medida que se circula. Só que, nos primeiros anos não possuía a enorme quantidade de remendos mal-amanhados, solo abatido e buracos que actualmente possui,e não se pagava portagem. Hoje, que a via está visivelmente em estado calamitoso, paga-se bem e o automobilista arrisca-se a dar cabo da viatura e do físico.

A Via do Infante desta forma parece um carrocel mágico. O grave desta situação, é que se trata da principal via longitudinal do Algarve, região turística por excelência e por isso, com uma carga enorme de trânsito, mesmo nos meses fora da estação estival, pelo facto de constituir a única e rápida alternativa à rua 125, a que as entidades oficiais chamam de Estrada Nacional 125, mas, curiosamente, ao invés de uma estrada principal, esta encontra-se plantada com uma abastada quantidade de rotundas desde Vila do Bispo a Vila Real de Stº António, numa extensão de cerca de 160 quilómetros.É uma via onde as velocidades máximas de todo o percurso, oscilam entre os 30 km e os 70 km. Ou seja, a uma média de 40 quilómetros/hora, para percorrer esta via, são necessárias, com muita sorte, 4 horas.

Temos aqui, portanto, como o leitor pode concluir, um “excelente cartaz turístico” e uma fonte de atração de investimentos empresariais fora da área turística.

Sem dúvida que os radares de velocidade implantados em vias com boas condições de piso e sinalética, de acordo com a pesada carga de impostos pagos pelos automobilistas, desde a compra da viatura, passando pelo imposto de circulação, até aos obscenos impostos sobre os combustíveis e portagens, fazem sentido, acompanhados por acções de sensibilização de prevenção rodoviária.

Ao contrário, sentindo os automobilistas que os impostos pagos pela sua viatura não se refletem na boa conservação e cuidados rodoviários e em campanhas de prevenção rodoviária, sentem que os radares de velocidade não constituem mais do que uma forma do Estado arrecadar impostos.

Mas quando até para limpar o rabo, o imposto sobre o papel higiénico é taxado com 23% de IVA, estamos conversados quanto à obscena carga fiscal que pesa sobre os cidadãos neste país.

Pedro Pereira

 

 

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